Tendências cognitivas que prejudicam nossas decisões – Parte 4

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Extraído/adaptado desse artigo aqui.

Nós tomamos milhares de decisões racionais todos os dias. É assim que pensamos, pelo menos.
Variando daquilo que comemos até se devemos fazer uma guinada nas nossas carreiras, a pesquisa sugere que há um número de obstáculos cognitivos que afetam o seu comportamento, e que eles podem impedir que você aja de acordo com os seus próprios interesses!
Aqui estão resumidos as tendências mais comuns que atrapalham a nossa tomada de decisões:

Efeito placebo

Quando simplesmente acreditar que algo vai ter certo efeito sobre você, causa o tal efeito. Na medicina, pessoas que recebem comprimidos falsos frequentemente apresentam os mesmos efeitos fisiológicos que pessoas que recebem os verdadeiros.
Você conhece alguém que emagreceu comendo chia ou goji berry ? Eu conheço alguns…
Advogado do diabo: E as benesses do sal rosa do Himalaia ? Outro dia o Dr. Souto escreveu um belo texto sobre o assunto…

Viés pró-inovação

Quando o proponente de uma inovação tende a supervalorizar a sua utilidade e a subestimar suas limitações. É algo que vemos o tempo inteiro no Sillicon Valley e seus telefones e tablets.
Vale o mesmo na nutrição: a cada nova supercomida ou dieta da moda, imediatamente há uma comoção ao seu redor e ela fica “quente” por vários meses. Eu me lembro de quando o goji berry chegou ao Brasil, e rapidamente o preço do quilo pulou de R$70 para R$250. 
Advogado do diabo: novamente, pense no sal do Himalaia. E em quaisquer supercomidas que aparecem de vez em quando. Tiger nuts, miracle berries, batata yacon. Não é que façam mal, a priori. Apenas não há evidências claras que suportam tudo o que se diz que elas fazem.

Recência

É a tendência a dar mais valor à informação mais recente que aos dados antigos. Investidores frequentemente pensam que o mercado vai sempre comportar-se como hoje, e tomam decisões ruins por isso.
Já reparou como, a cada vez que sai um estudo observacional ligando o consumo de carne e câncer ou doença cardiovascular (aqui e aqui), aqueles seus amigos que não gostam de paleo fazem questão de esquecer as grandes meta-análises que você já lhes enviou antes ?
Advogado do diabo: você se lembra do furor que foi quando a paleosfera começou a falar sobre amido  resistente ? Veja bem, não estou dizendo que ele é inútil – muito pelo contrário, as evidências a favor continuam a se acumular. Mas no começo, a informação nova foi engolida quase sem crítica. Todo mundo saiu para comprar banana verde e fécula de batata.

Saliência

A nossa tendência em nos concentrarmos nas características mais marcantes de uma pessoa, conceito ou produto. Quando você pensa sobre a morte, pode ter medo de ser comido por um leão – em oposição ao que é estatísticamente mais provável, como morrer num acidente de carro.
Quem pratica dieta convencional, acredita na restrição calórica e na hipótese dieta-coração, vai sempre pensar que na paleo se come gordura demais e que isso vai nos deixar doentes. Não vão atentar para o fato de provavelmente os praticantes de paleo comem mais verduras e legumes do que ele jamais comeu ou comerá. Provavelmente vai ignorar o veneno à própria mesa todo dia, temendo a coisa errada. Vai ter medo de morrer por violência, quando o que mais mata brasileiros é doença crônica como diabetes.
Advogado do diabo: quantas vezes você já criticou, mesmo que em pensamento, aquele praticante de paleo que de vez em quando come macarrão ou sorvete ? Lembre-se de que todo mundo tem seu limiar; de que ele pode ter uma tolerância muito maior aos carbos do que você; e de que de mais a mais, qualquer dieta – por pior que seja – leva anos e anos para te matar.

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