Jejum 120/48 por 1 mês


Aviso ao leitor: se essa é sua primeira vez nesse site, eu gostaria de esclarecer alguns pontos.
  1. O assunto tratado aqui, jejum intermitente (ou JI), não é "loucura de blogueiro". Embora eu não seja (ainda!) profissional da área de saúde, há toda uma corrente de pensamento científico e um bocado de evidências para embasar a prática. Por exemplo, só nesse link você vai achar mais de 750 artigos falando sobre uso de JI para tratar diversas condições de saúde. Então antes de jogar pedras, informe-se.
  2. Jejum intermitente não é essencial para perder peso. É uma ferramenta útil, apenas isso. Eu não jejuo porque quero emagrecer. Perdi todo o peso que desejava simplesmente praticando uma dieta paleo/lowcarb, sem jejuar. No entanto, o jejum me beneficia de várias formas: aumenta minha concentração, me dá mais disposição e economiza tempo e dinheiro. Eu não estou de forma alguma recomendando que você pratique – apenas relato o meu caso.
  3. Se você já tem algum tipo de transtorno alimentar (especialmente anorexia ou bulimia), antes de sequer pensar em jejuar, fale com seu terapeuta. Não é brincadeira. 

Dito isso, já faz alguns anos que introduzi o jejum intermitente na minha vida. Comecei deixando de tomar o café-da-manhã: jantava por volta da meia-noite, almoçava ao meio-dia. Isso configurava um protocolo 12/12 (ou seja, 12 horas comendo, 12 horas sem comer). Foi muito prático, pois estava bem no meio do curso de nutrição e me poupava um tempo tremendo.

Um pouco mais à frente, comecei a experimentar com outros protocolos: 14/10, 16/8, e cheguei a ficar 2 meses em 24/0 (ou seja, 1 refeição por dia - a chamada "dieta do guerreiro"). Esse ano (2017) eu encarei um protocolo de 120/0 (5 dias em jejum), depois de ter falhado no ano passado.

O plano agora é manter um protocolo 120/48 durante 4 semanas. Na prática, isso se traduz em: "não comer nada de segunda a sexta, e comer livremente no sábado e domingo". Nesse período, vou trabalhar e realizar minhas atividades diárias normalmente: cozinhar para a família (dificuldade extra: sentir o cheiro da comida e não comer :-), cuidar dos filhos, levar e buscar da escola, passear com o cachorro, etc. Infelizmente não vou poder malhar: estou tratando lesões no ombro e joelho direitos.

Embora no JI 120/0 eu tenha consumido apenas água e pitadinhas de sal, dessa vez eu vou abrir espaço para alguns chás não-calóricos (e não-adoçados): chá mate, chá verde, canela e gengibre.

No meu experimento com 120/0, alguns leitores me cobraram medições de marcadores sanguíneos – que eu acabei não fazendo. Então dessa vez eu me preparei melhor: comprei um glicosímetro. Estou à caça de fitinhas para medir cetonas na urina, mas ainda não achei.

Além disso, convidei a nutricionista Djulye Marquato e a pesquisadora Flávia Trajano para me acompanharem no processo. Se correr tudo bem com os nossos horários, vamos bater um papo rápido 1 vez por semana, e vou postar os vídeos aqui nesse post mesmo. 

Djulye e Flávia

Finalmente, para a quebra do jejum aos fins-de-semana, vou contar com o apoio da SoulFit. Trata-se de uma produtora especializada em pães e bolos lowcarb, que ontem me mandou essa delícia para a minha última refeição da semana :-D (quem é de BH, não perca!)

Pão de farinha de castanha-de-caju e queijo canastra.
2.8g de carbos por porção de 25g. Altamente recomendado :-D

Mas vamos lá! Agora são 13h30 do dia 07/08/2017. Me pesei há pouco, e a balança marcou 69.9kg. A cintura marcou 89cm. É o meu maior peso (e circunferência abdominal) desde que comecei com a dieta paleo (março/2013), e sei bem o motivo: nos últimos meses, embora nunca tenha escapado da dieta em si (ou seja, nada de lixo), eu não economizei nas frutas e mel (e nem no álcool aos fins de semana). Além disso, desde o nascimento do meu filho eu venho ganhando peso lentamente – algo que atribuo à falta de sono. Nem me lembro direito de quando tive 8 horas de sono sem interrupção – e ficar sem dormir sabidamente induz ganho de peso e perda de massa muscular.

De qualquer forma, foi dada a largada! Vou tentar atualizar esse post todo dia à noite, pelas próximas 4 semanas. Em breve começarão a aparecer as medidas de glicemia (e de cetonas, se eu achar as fitinhas para medir :-)

E antes que alguém pergunte, já vou responder: por que eu estou fazendo jejum? Não é para emagrecer, pode ter certeza. Para perder peso bastaria eu regular de maneira mais estrita as frutas, mel e cachaça. Sobre as horas de sono eu não consigo mudar muita coisa, já que o bebê é quem me acorda... 

Mas então... Por que jejuar? No meu caso, é apenas porque eu quero testar meu limite. Nos experimentos passados, ao contrário do que a sabedoria convencional insiste em dizer, não houve perda cognitiva, por exemplo. Eu não fiquei hipoglicêmico nem desmaiei, não comecei a babar, não tive convulsões ou qualquer outro transtorno por ficar 5 dias sem comer. Pelo contrário, tive uma sensação de bem-estar muito bacana – e agora quero descobrir o que acontece se praticar esse jejum longo com uma frequência maior.

Ah, mas e se você passar mal? Bem, nesse caso eu vou interromper o jejum e comer algo, uai. Foi o que fiz em setembro do ano passado...

Dia 1 - 07/08/2017 - 22h32 - 24h em jejum

Vencidas as primeiras 24 horas de jejum. Nada de novo, especialmente por eu já ter o hábito de jejuns 24/0. A fome chegou muito de leve, e está gerenciável sem muito esforço. Como eu tinha dito, dessa vez vou abrir espaço para chás não-adoçados – ao invés de ficar só na água.

Preparei o meu primeiro chá com mate, gengibre e canela. Tive então a brilhante idéia de adicionar 2 colheres de chá de sal aos 2 litros de chá que preparei – afinal de contas, ingerir pitadinhas de sal já estava previsto.

Dica: NÃO faça isso. Ficou horrível. Ainda não sei se vou tomar...

Fiz uma bioimpedância hoje, e descobri que esses últimos meses abusando das frutas, mel e álcool, e sendo abusado pela falta de sono, cobraram seu preço. Meu percentual de gordura subiu de 15 para 20%. #chatiado

Me pesei agorinha, e a balança acusou 900g a menos em relação a hoje cedo: de 69.9 para 69.2kg. É claro que essa perda foi principalmente sob forma de água. A baixada da insulina já deve estar liberando a água retida.

Pensei em medir a glicemia, mas decidi esperar mais um pouco. O glicosímetro que comprei vem com apenas 10 fitas, e as danadinhas são absurdamente caras (afinal de contas, o mercado do diabetes precisa extorquir os doentes).

O espelho não me deixou feliz...

Dia 2 - 08/08/2017 - 23h55 - 48h em jejum

Acordei totalmente sem fome, mas ao longo do dia ela deu as suas pontadas de sempre. Joguei fora o chá salgado que fiz ontem, e repus o sódio apenas com pedrinhas de sal grosso. 

Trabalhei normalmente, fiz compras e sofri uma crueldade: como você já deve saber, eu preparo carnes 2 vezes por mês. Compro uma quantidade grande, preparo e congelo para facilitar a logística da casa.

Pois bem, hoje era dia de cozinhar. E lá fui eu preparar 10kg de carne: músculo, linguiça, barriga, bacon e patinho moído. Quando entrava na cozinha para verificar se estava pronto, o cheiro me fazia querer comer o planeta inteiro. Mas era só me afastar e a fome sumia...

A balança marcou 68.3kg (ou seja, 1.7kg a menos em relação a ontem pela manhã). A cintura também encolheu 0.5cm, chegando aos 88.5. Novamente: é impossível que isso tudo seja de gordura. A maior parte certamente foi de água.

Ainda não consegui comprar as fitas para medir cetonas – mas de qualquer maneira acredito que ainda não entrei em cetose... O hálito e o suor ainda não apresentam o cheiro característico. Provavelmente estou queimando os últimos estoques de glicogênio.

Agora à noite, tive um excelente bate-papo com a Djulye e a Flávia. O resultado da conversa está no vídeo abaixo.



Se me lembro bem do último jejum 120/0, amanhã deve ser o pior dia. Então vou me concentrando por aqui :-D

Dia 3 - 09/08/2017 - 21h56 - 72h em jejum

A noite de ontem para hoje foi tensa, por conta do meu filho: estão brotando 4 ou 5 dentes, então ele praticamente não dormiu – e eu não dormi também. Aliás, tirei cochilos ao longo da noite, em posições horríveis (incrível como um bebê de 10kg consegue ocupar uma cama inteira). O resultado é uma baita dor nas costas. Bem, faz parte do processo de ser pai :-)

Sorri o dia inteiro, mas não dorme à noite :-)

O dia em si foi tranquilo. Zero dor de cabeça, e a fome continua no vai-e-vem. Acabei não fazendo chá, por conta da correria do trabalho. Comi umas pedrinhas de sal, tirei uma soneca depois do almoço para compensar a noite mal-dormida, e pronto. No jejum passado, o 3o foi o pior dia. Nesse, até agora ainda não tive dias ruins...

Na balança, 67.7kg. Isso dá 500g a menos que ontem, e 2.2kg a menos que na segunda-feira pela manhã. A cintura desceu para 87cm.

Fatos notáveis: como não estou comendo nada, obviamente não há nada para sair. Nem gases, nem o número 2. A micção que esteve aumentada nos últimos 2 dias, voltou ao normal – provavelmente porque a insulina já baixou bastante...

Dia 4 - 10/08/2017 - 21h47 - 96h em jejum

Acabou que hoje foi o dia mais difícil até o momento. Não tanto pela fome (que vai e vem), mas pelo psicológico de ver a família comendo e eu mesmo não comer :-) Engraçado que no meu primeiro jejum de 120h, o dia mais difícil foi o terceiro.

Algumas pitadinhas de sal, muita água e um dia de trabalho pesado: foi o dia de fazer a limpeza de inverno na casa, e foram para o lixo diversos quilos de papel que estavam escondidos em tudo quanto é canto. Sobe escada, desce escada, levanta caixas pesadas, e por aí vai. O resultado foi que a balança marcou 66.4kg (ou seja, 1.3kg a menos que ontem e 3.5kg a menos que na segunda pela manhã). A cintura também baixou para 86.5cm.

Uma coisa que só reparei hoje foi na ausência quase completa de placa bacteriana nos dentes. Como não estou comendo nada, as bactérias bucais não estão comendo também – então não crescem. Só tenho escovado os dentes para tirar o bafo mesmo... de sujeira não tem nada :-D


Amanhã é dia de quebrar o jejum, e estou planejando atacar aquela barriga de porco que assei na segunda. Estou pensando também em manter uma dieta cetogênica nesse fim-de-semana, para ver o que acontece - mas sinceramente ainda não sei se vou fazer isso. Hoje teve uma couve-flor ao sugo aqui em casa, e ainda sobrou bastante dela. Amanhã saberei se resisto.


De qualquer forma, o novo compromisso que quero fazer é: mesmo que eu não mantenha uma dieta cetogênica na quebra do jejum, vou continuar sem comer laticínios, oleaginosas e amendoim (que é uma leguminosa, mas que eu gosto muito :-). Além disso, vou manter o álcool a zero nesse mês do experimento.

Não tenho motivo nenhum para isso: já fiz o teste tanto com laticínios quanto com oleaginosas e amendoim, e não sou intolerante a eles. É só cisma de mineiro mesmo :-D

Amanhã tenho que correr a trás das fitinhas para medir cetonas!

Dia 5 - 11/08/2017 - 21h40 - 120h em jejum e primeira quebra

A noite foi tensa. O meu filho acordou por volta das 2h e só foi dormir de novo às 5. O "engraçado" é que apesar do pouco tempo de sono, eu não fiquei moído durante o dia. Possivelmente por conta da cetose instalada, que não deixa faltar combustível.

E por falar em cetose, má-notícia: hoje eu rodei todas as redes de farmácia de BH, e nenhuma delas trabalha com fitas para medir cetonúria (cetonas na urina). Também fui à "Casa do Diabético", mas o produto estava em falta. Resultado: não consegui medir minhas cetonas :-( Que sirva de lição: fui um gerente de projeto desleixado. Devia ter comprado isso pela internet quando o experimento começou... Vou corrigir o erro semana que vem!

O dia transcorreu tranquilo, apesar do trabalho pesado: a limpeza de inverno prosseguiu, e saíram muitos mais quilos de lixo de dentro de casa. No finalzinho do dia, joguei fora um tronco de árvore que estava entulhando um canto, e me esqueci de que o meu ombro não está bom. Deu uma fisgada das boas :-( Quero ver como ele vai estar amanhã cedo...

A balança marcou 65.9kg (ou seja, 0.5kg a menos que ontem e 4kg a menos que na segunda pela manhã). A cintura caiu para 86cm. 

Quebrei o jejum, como havia sonhado, com um pratão de barriga de porco, linguiça, bacon e ovos mexidos (e creme de malagueta). Cheguei até a pensar em começar com algo mais leve, mas fiquei matutando sobre o que aconteceria se um caçador-coletor passasse fome por 5 dias e depois conseguisse matar um bicho. Será que ele ia pensar "antes de comer, preciso me aclimatar primeiro com um caldo de legumes" ? Provavelmente não... Eu acho que ele ia comer o fígado do bicho ainda cru mesmo :-D Assim sendo, comi meus 800g de proteína e gordura feliz e contente.

Primeira quebra de jejum: o paraíso na Terra

Curiosidade: depois de comer, deu um sono arretado. Tive que deitar e dormir por 1h mais ou menos. E depois vem gente falar que se você jejuar não vai ter energia para trabalhar. É bem o contrário: quando estamos de barriga vazia, ficamos alerta "caçando comida". Depois de mandar aquele pratão para dentro é que o corpo relaxa e você vai "jiboiar" como se diz em alguns lugares: só quer se esparramar no canto e ficar como uma jibóia que engoliu um boi :-D

Medi a minha glicemia imediatamente antes de comer, e deu 98mg/dl. Medi 1h depois, quando acordei do cochilo, e deu 104mg/dl. O Luis Schütz deixou um comentário muito interessante sobre a minha media de glicemia depois de 48h de jejum, que reproduzo aqui:

Hilton,gostaria de comentar sua glicose de jejum em 110 mg/dl:

1 - Seu jejum prolongado certamente vai acarretar aumento do cortisol, pois não deixa de ser uma situação estressante para o corpo. Fora as questões do sono,que igualmente estão contribuindo para uma provável elevação forte do cortisol. Cortisol elevado gera gliconeogênese.

2 - Certamente, com insulina baixíssima, POR DEFINIÇÃO, o metabolismo muda de oxidação de glicose para beta-oxidação de ácidos graxos, como tu já bem sabes. Estes ácidos graxos passam a ser liberados em grande quantidade por ação da lipase hormônio-sensível (enzima que, nos adipócitos, é fortemente inibida pela insulina - ergo, novamente, isso acontecerá com insulina BAIXA). O aumento de Ácidos Graxos Livres na circulação é o responsável pela indução de RESISTÊNCIA à insulina, especialmente nos músculos. Isto é FISIOLÓGICO, isto é normal, e isto é necessário, pois em virtude do jejum prolongado, a quantidade de glicose disponível (produzida por gliconeogênse) é limitada, e precisa ser reservada para as células que dependem de glicose (como é o caso das hemácias, que não têm mitocôndrias, e dos neurônios do SNC, que podem ser supridos apenas parcialmente por corpos cetônicos). Então temos a clássica resistência a insulina fisiológica acontecendo.

Porém, a resistência fisiológica é transitória,normalmente (HbA1c normal).

Resumindo, tá tranquilo e favorável :-D

Algumas decisões tomadas hoje (que espero conseguir cumprir)

  1. Durante as quebras de jejum, zero carbo (ou seja, algo tendendo a cetogênico se eu não abusar da proteína)
  2. Durante as quebras de jejum, zero álcool (ou seja, nada de vinho e destilados pelas próximas 3 semanas)
Vamos ver se concretizo! 

Uma coisa que já comentei aqui em casa é que para mim é mais fácil ficar sem comer NADA do que ficar sem comer frutas depois da refeição. Acho que é um resquício do vício da minha vida passada: ter algo doce depois de mandar aquele belo pedaço de carne para dentro. Sei que cabe perfeitamente dentro do contexto paleo, mas como eu disse lá no início: o que estou fazendo é apenas um auto-experimento ;-)

Dia 6 - 12/08/2017 - 19h33 - Primeiro fim-de-semana livre

Ontem à noite, depois da refeição que descrevi (800g), ainda arrematei 4 ovos cozidos, um pouco de músculo cozido e uma fatia fina de barriga de porco. Nem era fome mesmo – só vontade de comer. Hoje acordei às 6h e me pesei: 67.8kg. Ganhei quase 2kg da noite para o dia! Depois fui ao clube com as crianças e o meu sogro, e fiquei por lá até o meio da tarde. Nesse processo, comi nada menos que 350g de lombo e 350g de peito de frango. Ao me medir agorinha, a balança marcou 68.4kg e a fita métrica, 87cm de cintura.

Lombo acebolado :-P

Uau, ganhei 2.5kg e 1cm de cintura em 1 dia!

O que pode ser isso? Calma, sem pânico! Lembra que lá no primeiro dia eu perdi 900g? Assim como é impossível perder 900g de gordura em 1 dia, também é impossível ganhar 2.5kg de gordura em 1 dia...
  1. Eu comi com força ontem e hoje, e essa comida ainda não saiu. É notório que dietas sem fibra deixam o trânsito intestinal mais lento (não que isso seja ruim. Leia aqui, aqui e aqui), e as únicas plantas que consumi foram umas cebolas e pimentões que vieram com o lombo. Na prática então, dentro do meu bucho ainda tem MUITA coisa para sair.
  2. O volume de sal que comi ontem e hoje deve ter superado de longe todo o sal que consumi durante a semana de jejum. Provavelmente isso fez reter mais água. Ou ainda: o estoque de glicogênio muscular e hepático pode ter sido restaurado a partir da proteína e gordura que comi - e como sabemos, o glicogênio no corpo fica armazenado sob forma hidratada, e portanto mais pesado.
Resumindo: ganhei peso, mas duvido que tenha sido de gordura. Se pudesse medir a minha insulina, acredito que ela mal teria se mexido.

Detalhe: mesmo não tend ido ao banheiro para o #2, tenho ZERO desconforto. Nada de dores, inchaço ou gases – sendo que esses últimos eu já esperava que não aparecessem: eles são formados a partir da fermentação de fibras. Como eu comi praticamente produtos de origem animal, não há fibras a serem fermentadas e por conseguinte não há gases.

Dia 7 - 13/08/2017 - 22h31 - Primeiro fim-de-semana livre

Para começar bem o dia dos pais, nada como seu bebê chorando :-D

Apesar disso, o dia foi bem tranquilo. Amanheci com 67.8kg, e continuei em jejum até a hora do almoço... que foi composto apenas de carne. Comprei uma peça de picanha, mais 1kg de linguiça, e joguei na "televisão". Foi praticamente tudo para o bucho, sendo que dividi com a esposa e a filha mais velha.

Tela Quente

Depois do rango, que foi acompanhado de muita água com gás, aproveitei para praticar um hobby que há tempos não fazia: marcenaria. Estou construindo uma estante suspensa para guardar meus CDs na área de churrasco – apesar de praticamente só ouvir coisas em MP3 atualmente, tenho uma ligação sentimental com meus CDs e não consigo me livrar deles... Então ao invés de deixá-los empoeirando, vou pelo menos pô-los num lugar onde fiquem visíveis e despertem a vontade de serem ouvidos.

Passei o resto da tarde trabalhando, e agora à noite comi mais outro tanto de picanha e linguiça. O resultado na balança foram 69.5kg! A cintura, por outro lado, quase não mudou: 87.5cm.

Amanhã começa a segunda semana do jejum, e quero ver como o peso vai se comportar quando esse conteúdo intestinal tiver ido embora...

Dia 8 - 14/08/2017 - 21h17 - 24h em jejum

Noite tensa, e dia cheio. A babá do meu filho entrou de férias, e como é feriado hoje e amanhã aqui em BH, a minha filha não foi à aula. Trabalhei um pouco pela manhã, fui à fisioterapia ver se dou jeito no joelho e a tarde foi dedicada às crianças.

Do ponto de vista do jejum, foi bem tranquilo. Até o momento ainda nem "precisei" consumir sal: passei o dia à base de água mesmo.

Na balança, o peso caiu para 67.4kg mesmo sem o #2. Certamente foi-se embora um monte de água que estava retida por causa do sal ingerido na quebra do jejum. A cintura encolheu também, para 86.5cm.

Depois de ler um outro comentário do Luis Schütz (mais uma aula gratuita sobre a fisiologia da cetose), desencanei bastante de medir as cetonas:

Hilton,gostaria de comentar sobre o porque acho totalmente desnecessário medir ou perseguir cetose nutricional.

1 - O custo das tiras para medir a cetose no sangue são absurdamente caras, na faixa de 3~5 reais cada. Imagina uma pessoa medindo isso por vários dias ou meses.Certamente, se todo esse dinheiro, tempo e esforço para testar as cetonas fosse direcionado a aplicá-lo para escolhas de alimentos adequados, bem como um programa estruturado de treinamento de força, teríamos muito mais "retorno".

2 - A outra forma de medir cetonas, via urina, são muitas vezes não detectáveis ​​pós-cetoadaptação, resultando em pessoas que pensam que não estão mais em cetose, quando na verdade elas estão totalmente adaptadas, "derramando" menos cetonas, ou seja,estão utilizando as mesmas como fonte de energia. Além disso, os níveis de hidratação são um fator de confusão no teste de cetonas na urina, que podem resultar em um "falso positivo" e um "falso negativo". Além disso, as cetonas da urina são aquelas desperdiçadas - aquelas que estão sendo excretadas do corpo e não aquelas que são ativamente utilizadas. Essas cetonas não são e não foram usadas pelo cérebro. Como verificar se o corpo está usando cetonas como fonte de energia se as únicas cetonas testadas não estão sendo utilizadas como fonte de energia?

3 - A outra forma de medir cetonas é pela respiração, que pelo que sei, só poderá ser feito por um aparelho (Ketonix) que fica na faixa de $180~200 dólares! Por Michel Lundel, o inventor do Ketonix:
"As cetonas do sangue e as cetonas da respiração não se correlacionam bem um com o outro. Eu confirmei isto testando sangue e respirando lado a lado. Eu tive cetonas altas de sangue, mas cetonas baixas na respiração. EM outro momento, eu tive cetonas altas na respiração, mas baixas cetonas no sangue ".
Então.......

4 - Interpretação ERRADA dos dados:
a - As cetonas no sangue tendem a ser mais baixas pela manhã do que a noite.
Então, o que acontece, muitas pessoas testam à noite e têm cetonas altas, e aí quando testam pela manhã , encontram cetonas mais baixas , aí acham que comeram muita proteína ou carboidratos no jantar do dia anterior. Sabemos que isso não é verdade .Lembrando que pela manhã o cortisol é maior e a gliconeogênese acontece!.

b - Quando as cetonas no sangue estão altas, pode significar que as mesmas estão se acumulando no sangue e não sendo usadas. Qual o objetivo de ter "altos níveis de cetona" se eles não estão sendo usados ​​de forma eficiente?

c - Muitas pessoas ceto-adaptadas a longo prazo observam baixas cetonas no sangue, mas ALTAS na respiração. Talvez este seja um sinal de adaptação em curso ainda, mas não podemos dizer com certeza porque não há dados sobre isso. Uma hipótese é que baixas cetonas no sangue com cetonas altas na respiração são meramente indicativas do metabolismo eficiente destas. Observe, se alguém estava apenas testando no sangue, ela pode pensar que "não estão mais na cetose", apesar de altos níveis de cetonas através do Ketonix indicar alto uso de gordura para combustível.

d - Os resultados do teste no sangue de cetonas indicam que o número muda para cima e para baixo substancialmente. É difícil encontrar algo concreto quando o número se move tanto. Isso leva à confusão e à necessidade de testar uma série de vezes para descobrir o que está acontecendo. Como eu disse, no entanto, o teste de cetonas de sangue é caro....e tem de estar toda hora "furando" dedo......

5 - A queima de ácidos graxos do tecido adiposo é o principal benefício de uma dieta cetogênica.
Em uma dieta cetogênica, parte da demanda energética do cérebro é alimentada por cetonas, mas o coração, os músculos, etc. são alimentados por ácidos graxos. A maior parte da energia que utilizamos em repouso e no esforço sub-máximo em uma dieta cetogênica é o ácido gordo, e não as cetonas. Citando o Dr. Ron Rosedale sobre "perseguindo cetonas ":

"Eu não quero que as pessoas tenham a mentalidade de que são as cetonas que são o benefício da dieta. Elas são um efeito "colateral " benéfico, mas o principal benefício é que você está queimando ácidos gordurosos da gordura corporal, e não glicose. E é realmente aí que você está recebendo o benefício ... Portanto, as cetonas são ótimas, mas o termo dieta cetogênica indicando que a dieta é tão boa porque você está gerando todas essas cetonas é uma má interpretação do benefício. O principal benefício é que você está queimando ácidos gordurosos e isso TAMBÉM acontece numa dieta LCHF NÃO-CETOGÊNICA. Claro, como efeito colateral da queima de ácidos graxos, você pode estar produzindo cetonas para que seu corpo também possa queimar .

6 - Pode-se ganhar, perder ou manter o peso corporal dentro ou fora da cetose. Se o objetivo PRIMÁRIO de alguém for perda de peso, há zero razão para testar a cetose. Testar cetose seria puramente mais para casos terapêuticos, como tratar epilepsia,por exemplo( eficácia comprovada).

7 - Uma das primeiras coisas que aprendemos em uma dieta cetogênica é não temer a cetoacidose. A cetoacidose é uma condição em que as cetonas (e potencialmente níveis de glicose no sangue) são muito altas(diabéticos tipo 1). A razão pela qual a maioria das pessoas não precisa se preocupar com a cetoacidose é porque a insulina modera os níveis de cetonas . Em outras palavras, as cetonas causam uma resposta da insulina (confirmada em 3.0mmol / L, mas suspeita de ocorrer abaixo desse nível). Os altos níveis de insulina, no contexto de uma dieta HIPERcalórica, poderá levar ao ganho de peso. 

O excesso de ingestão de gordura objetivando cetose lhe dará cetonas mais altas, mas a insulina irá responder para manter essas cetonas sob controle e as altas quantidades de gordura irão ao armazenamento. As pessoas podem ter leituras mais baixas de cetonas quando ingerem mais proteína, mas é mais importante comer uma quantidade adequada de proteína para preservar a massa corporal magra do que ter níveis terapêuticos de cetonas.

Em resumo,não se preocupe com a medida de cetonas. Existem poucos motivos para medí-las depois de simplesmente entender que a redução dos carboidratos (assumindo estilo páleo/primal LCHF) ou o Jejum Intermitente causa a lipoadaptação (e suas positivas consequências) e eventualmente produção e uso de cetonas.


Dia 9 - 15/08/2017 - 21h41 - 48h em jejum

Não tenho como aferir, mas imagino que a cetose esteja instalada. Acordei hoje às 6h e trabalhei sem interrupções até as 14h, sem nenhum sinal de cansaço ou fome (estive tão bem que nem sal eu precisei consumir, apenas bastante água). Depois fui tomar conta das crianças, e pus a filhota para dormir por volta das 20h15. 

Os únicos momentos de desconforto foram quando precisei preparar a papinha para o bebê: barriga de porco, ovo, abobrinha, abóbora-cabotiá, couve-flor e cenoura. O cheiro que saiu da panela fez o estômago roncar forte. No entanto, bastou desviar a atenção para outras atividades (trocar fralda, dar banho, etc) e a fome sumiu.

A balança mostrou 1kg a menos em relação a ontem. Eu meio que já esperava isso, visto que o peso subiu muito durante o fim-de-semana (pelos motivos que expliquei anteriormente). O que me espantou mesmo foi a cintura ter encolhido 1.5cm de ontem para hoje: de 86.5 para 85cm. Eu esperava que ela voltasse aos 86cm da sexta-passada. 

A maneira como o corpo libera água e queima gordura é um mistério – o Lyle McDonald tem a hipótese do "stall & whoosh" (grosseiramente traduzido como "platô e descarga"), que não tem lá grandes evidências científicas que a embasem mas que faz um certo sentido. Pela hipótese do Lyle, às vezes a perda de gordura é mascarada pela retenção de água: os adipócitos (células de gordura) se esvaziam de triglicérides mas absorvem água, de maneira que o peso e o volume totais variem pouco ou nada. Isso pode prolongar-se por tempos indefinidos (platô) até que haja uma "descarga" que libera essa água retida em pouco tempo – gerando as perdas aparentemente mágicas da noite para o dia. Essa seria uma boa justificativa para o meu 1kg que evaporou de ontem para hoje.

Medi a glicemia agora à noite, e deu 80mg/dl – bastante diferente dos 111mg/dl medidos às 48h de jejum da primeira semana. Eu atribuo isso à cetose instalada: com mais cetonas à disposição para fornecer energia, o fígado precisa produzir menos glicose para manter o corpo funcionando. Vejamos quanto vai dar na sexta-feira, quando completar 120 horas!

Tive o segundo bate-papo com a Djulye Marquato e a Flávia Trajano agora à noite, e foi muito bacana!



Dia 10 - 16/08/2017 - 21h12 - 72h em jejum

Mais do mesmo: jornada de trabalho extensa, com uma parada para levar o carro ao mecânico. Fome zero, exceto – novamente – pela hora em que fui preparar a papinha do bebê. Aí bateu uma fome forte MESMO. Pelo menos foi rápido, logo-logo foi-se.

Continuei sem ingerir sal, e ainda bebendo muita água. Zero dor de cabeça ou cansaço.

O peso caiu mais 600g em relação a ontem: 65.8kg medidos agorinha. A cintura se manteve: 85cm

Dia 11 - 17/08/2017 - 20h51 - 96h em jejum

Como eu estou sem carro por esses dias (um bonitão resolveu subir a minha rua de ré e bateu no meu carro que saía da garagem – farol quebrado, pára-lamas e capô amassados), hoje fui levar a minha filha para o colégio de Uber. Na volta, resolvi testar tanto o joelho quando a performance física, e voltei andando a passo rápido. Dá mais ou menos 2km, que cobri em 20 minutos. Nenhum sinal de desconforto, fraqueza ou tonteira. O joelho, infelizmente, chiou um pouco :-(

O dia de trabalho teve o mesmo ritmo: jornada de umas 9 ou 10 horas, com a tarde gasta brincando com a molecada.

A balança marcou 1.1kg a menos em relação a ontem: 64.7kg. Como foi um dia quente em BH, acredito que deve ter havido uma desidratação envolvida nesse processo, mesmo eu tendo bebido muita água. A cintura também encolheu: 84cm.

Amanhã será a segunda quebra de jejum, e estou curioso para medir a glicemia antes e depois. Se anteontem estava 80, quanto estará ao fim das 120h?

Dia 12 - 18/08/2017 - 21h39 - 120h em jejum e segunda quebra

Dia puxado. Acordei às 6h para levar a filha ao colégio (novamente, fui de Uber e voltei a pé - mas com cuidado para não estressar o joelho. Funcionou!), passei a manhã cuidando do bebê (andei mais alguns quilômetros empurrando o carrinho morro acima e morro abaixo) e encarei o trabalho à tarde.

Depois de ter feito as obrigações, ainda voltei a um projeto de marcenaria que estou fazendo há algumas semanas: uma estante para guardar CDs. Sim, eu ainda tenho uns 350 CDs que ficam juntando poeira em caixas. Decidi colocá-los à vista para me estimular a ouvi-los. Foram umas 4 horas de serrote, furadeira e carregar peso. 

Ao final ainda pus o filho para dormir, lavei o canil e preparei o jantar da filha. Só aí quebrei o jejum. Hoje teve músculo cozido com pimentão, ovos mexidos (váááários) e bacon. Como na quebra passada, logo após comer o estado de alerta constante baixou e deu um sono lascado. Não cheguei a dormir, mas precisei deitar por alguns minutos e curtir a preguiça.

Quase 800g de gostosura

Medi a glicemia antes da quebra, e deu 99. Confesso que foi uma surpresa: tendo dado 80 dois dias atrás, e continuando sem me alimentar, eu esperava que estivesse bem mais baixa. Por outro lado, hoje teve esforço físico bruto (empurrando o carrinho morro acima e carregando/cortando madeira) - ou seja, teoricamente os músculos precisaram de glicose e aí o fígado entrou em ação de novo produzindo combustível de queima rápida. 1h depois de quebrar o jejum a glicemia bateu 104mg/dl. Novamente, acho incrível perceber como uma refeição sem carbos praticamente não altera a glicemia.

Antes da quebra, meu peso na balança foi de 63.9kg. Ou seja, exatos 6kg a menos que 2 semanas atrás. A cintura ficou em 83cm - 6cm a menos. Curiosamente, reproduziu a regra empírica que diz que cada 1kg perdido representa 1cm a menos na cintura :-D As minhas roupas estão caindo novamente (tinham ficado justas nos últimos meses).

Outra coisa que percebi foi exatamente o efeito gordura esponjosa descrito pelo Lyle McDonald. Em alguns pontos da barriga que perderam bastante gordura, a pele ficou com um aspecto de "casca de laranja". Acredito que vai sumir com o tempo.

O balanço da 2a semana é que foi muito mais fácil que a 1a. Agora faltam somente 2 :-D

A evolução no espelho


07/08
69.2kg
08/08
68.3kg
09/08
67.7kg
10/08
66.4kg
11/08
65.9kg
12/08
68.4kg
13/08
69.5kg
14/08
67.4kg
15/08
66.4kg
16/08
65.8kg
17/08
64.7kg

18/08
63.9kg

A evolução em números





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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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