O bater do martelo

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A bola já tinha sido cantada, mas chegou depois da hora marcada: acabou que a matéria do Fantástico detonando o Dr. Rocha só saiu ontem – e veio a mais apelativa possível. 
Bastante típico da TV e da mídia de massa em geral: tome um depoimento, depois edite e re-edite ao extremo, até que ele diga exatamente o que você quer.
O Brasil amanheceu hoje com mais uma dúvida idiota, fomentada pelo eterno FUD da TV: o Programa Diabetes Controlada funciona, ou é “charlatanismo baseado em ciência obscura” ? Para variar, não adianta apresentar pilhas e pilhas de estudos científicos de alto nível… O que vale é sempre a palavra do doutor que quer te empurrar remédios, e não a do que quer te fazer não precisar deles. 
Para mim, que estudo a história da medicina, é impossível não fazer paralelos com os casos dos doutores Semmelweiss, Yudkin, Banting (esse nem médico era!) e obviamente, Atkins. Todos, dentro do seu tempo, foram atacados, vilipendiados, cuspidos, escarrados, caluniados… por dizerem a verdade. Uma verdade que o status vigente não gosta, diga-se de passagem.
“Ah, Hilton! Mas quando a reportagem da Record falou bem do programa do Dr. Rocha, você não disse que era mentira!”. Bem, vamos lá: independente da veracidade, o que estamos vendo aqui é uma guerra de emissoras que pegou mais uma notícia qualquer como frente de batalha.
A Record só se interessou em mostrar o ponto de vista real porque a Globo escolheu mostrar o irreal (a reportagem da Globo foi gravada antes, e só não tinha sido veiculada ainda porque a emissora tinha outras tragédias e fatos irrelevantes para noticiar). Mas não se engane: o contrário poderia ter perfeitamente acontecido: Globo falando bem, e Record detonando… Se uma é a favor, a outra sempre será contra. Isso não torna a verdade mais ou menos verdadeira, mas as nuances pintadas pelas notícias variam muito…
A máxima persiste: a verdade não vende. Se ela está estampada nos jornais, revistas e TV, é porque está servindo a algum interesse. Nunca se esqueçam disso, ao assistirem ou lerem notícias. 
Ou, se puderem, façam como eu fiz 9 anos atrás: desliguem a TV, assinem banda larga (com Netflix, para as horas vagas 🙂 e gastem o que sobrar com comida de verdade (e um bom vinho de vez em quando).

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