Açúcar é o Rei dos Carboidratos. Retomando a Dieta Sem Sobremesa.

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Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.
por Lara Briden

Açúcar é um carboidrato. É o pior carboidrato. Essa deveria ser uma afirmação do óbvio, eu sei, então me desculpe se você já compreende isso. Mas eu sinto realmente que precisa ser dito. Tive conversas desconcertantes com pacientes ultimamente. Eles me dizem que tomam muito cuidado para evitar batatas no jantar, mas parecem achar que está ok ter algo doce para a sobremesa. “Mas batatas são carboidratos ruins”, eles dizem.
Como chegamos ao ponto no qual acreditamos que amido na refeição da noite pode causar mais ganho de peso que a sobremesa ? Por que as pessoas temem o arroz, mas sentem-se completamente tranquilas sobre o adoçante (dito) natural nectar de agave (que é pura frutose, diga-se de passagem) ?
Acredite-me, como clínica na “batalha” com os pacientes, as mensagens de low-carb e baixo índice glicêmico causaram grande confusão. As pessoas costumavam compreender intuitivamente que as sobremesas engordam (não me lembro de sequer ter esse tipo de conversa com pacientes 15 anos atrás). Agora, com um rótulo de “carboidrato ruim” pregado nas cenouras, arroz e em várias outras coisas, as pessoas simplesmente não sabem o que pensar.
Para aqueles que podem precisar de um esclarecimento gentil, deixe-me explicar. A palavra “carboidrato” não é sinônimo de “amido”. A definição oficial de carboidrato é: um grande grupo de compostos orgânicos, incluindo açúcares simples, tais como a frutose, e polissacarídeos de cadeia longa (tais como amido e celulose).
Os carboidratos danosos, causadores de obesidade, são os açúcares simples concentrados tais como açúcar de mesa, sacarose e frutose. Isso inclui os adoçantes de frutose: agave, mel e frutas secas. Eles são os reis dos carboidratos ruins.
Os bons carboidratos são as longas cadeias de glicose (polissacarídeos) dos vegetais, batatas ou arroz. Esses são carboidratos gentis, ou “amidos seguros” de acordo com Paul Jaminet. Eu fiquei muito feliz ao descobrir seu livro depois que alguém o mencionou no meu artigo sobre Carboidratos Gentis. (Grãos cheios de glúten são outra história, e não se qualificam como carboidratos gentis).
Comido como parte de uma refeição, amido NÃO tem índice glicêmico alto. Ele só tem IG alto se for comido diretamente, sozinho (quem é que faz isso ?). Combine amido com proteína, gordura e legumes, e a absorção da glicose é retardada imediatamente.
De acordo com o pesquisador Professor Richard Johnson:

“Há uma quantidade boa de evidências de que comidas baseadas em amido não causam ganho de peso como comidas baseadas em açúcar e não causam síndrome metabólica como as comidas baseadas em açúcar. Batatas e arroz podem ser relativamente seguros comparados ao açúcar de cozinha. O índice de frutose pode ser uma maneira melhor de avaliar o risco dos carboidratos relacionado à obesidade.”

Amido tem outro benefício. O amido em geral, e batatas em particular, contem uma fibra chamada amido resistente, que promove bactérias intestinais saudáveis. O AR cria o ácido graxo de cadeia curta butirato, que é essencial para o intestino e a saúde imunológica.
Manteiga é outra fonte de butirato. Então por favor siga em frente e coma aquela batata assada com manteiga. E então pense seriamente sobre não comer a sobremesa.

Gostei muito desse artigo da Lara Briden, por tocar no quesito parcimônia. Embora eu, particularmente, não coma massas e nada feito de grãos, tenho amigos que comem um pouquinho diariamente, e não apresentam ganho de peso. Já os tubérculos e raízes, por outro lado, eu como regularmente – batatas-doces, mandiocas, inhames, e esporadicamente batatas-inglesas.

Depois que cheguei ao meu set point (63-65kg), eu migrei de LCHF para paleo de maneira indolor. Certamente não como nem 1/3 do volume de carboidratos que comia antes, e permaneço dentro das 150g diárias da curva de carboidratos primal. Minhas refeições sempre tem um pouco de amido para acompanhar as proteínas e gordura. E sempre tem um açúcar – de frutas – na sobremesa. Uma ou duas frutas por dia só podem me fazer bem – e se você não está preocupado com perda de peso, mesmo três ou quatro não vão te aborrecer.

Só não deixe que as suas três frutas sejam uma melancia inteira, uma jaca inteira e um melão inteiro 🙂

Veja bem, as frutas não são o vilão: elas contem frutose, mas em quantidades que não vão sobrecarregar um fígado saudável. Comer uma maçã é muito diferente de comer um chocolate/sorvete abarrotado de açúcar (sacarose, composta de glicose e frutose) ou beber um refrigerante cheio de xarope de milho de alta frutose (o nome já diz tudo)…

Experimente, veja o que funciona para você. Se sente AQUELA saudade do macarrão, por que não experimentar um pouco e ver no que dá ? Se o resultado não for bom, pare. Se for bom, e te deixar feliz, por que parar ? Afinal de contas, não existe uma “polícia paleo” que vai te perseguir por comer um pouco de pão francês todo dia.

Por outro lado, se você NÃO tem saudade, por que experimentar ? Se for por pressão social social somente, aí é que eu recomendo passar longe mesmo…

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