Os Altos e Baixos do Estrogênio. Parte 2: Excesso de Estrogênio

Artigo traduzido por Juliana Whately. O original está aqui.

por Lara Briden

O estrogênio é um hormônio poderoso. Nós não queremos muito pouco (ver Parte 1: Deficiência de estrogênio), mas nós definitivamente não queremos muito.

Excesso de estrogênio provoca fluxosintensos, dor na mama, miomas e irritabilidade pré-menstrual. Também suprime a função da tireóide e aumenta o risco de câncer de mama.

Muitos tipos de estrogênio


A coisa complicada sobre o estrogênio é que não é uma coisa, são muitas. Tem o estradiol, o nosso principal estrogênio dos ovários. Há também a estrona, a partir de tecido adiposo, e numerosos metabólitos de estrogênio, a partir de bactérias intestinais. Além de tudo isso, há os xenoestrógenos ou desreguladores endócrinos (EDC), que são toxinas ambientais que agem como estrogênio. Há também estrógenos vegetais (fitoestrógenos) que agem como o estrogênio em algumas pessoas, mas que geralmente têm um efeito antiestrogênico em mulheres menstruadas (veja meu post sobre soja).

5 Causas de estrogênio em excesso


1) Controle de natalidade hormonal

O estrogênio no controle da natalidade hormonal é um xenoestrógeno chamado etinilestradiol. É muito mais forte do que o estradiol natural e contribui ainda mais para o excesso de estrogênio, alterando as bactérias intestinais (ver o próximo ponto).

2) Desintoxicação Prejudicada

Todos os estrogênios (incluindo xenoestrógenos) devem ser desintoxicados, num processo de dois passos, através do fígado e do intestino. A conjugação hepática requer nutrientes, como vitaminas do complexo B, selênio e o aminoácido glicina. Ela é prejudicada por xenoestrógenos e pelo álcool, e é por isso que as mulheres que consomem mais do que uma bebida por dia têm níveis sanguíneos mais altos de estrogênio e um maior risco de câncer de mama.

Após a conjugação, os estrógenos entram no intestino, onde eles devem, em seguida, sair do corpo. Problemas com bactérias intestinais (como muitas bactérias gram-negativas) fazem com que os estrógenos sejam de-conjugados (reativados) ere-entram no corpo. É por isso que os antibióticos causam TPM e aumentam o risco de câncer de mama.

3) Perimenopausa

O estrogênio é irregular durante os anos antes da menopausa. Oscila de baixo para cima, e de volta para baixo novamente. Eu chamo isso de montanha-russa do estrogênio perimenopausal, e é muito desagradável. Os sintomas da montanha-russa incluem as ondas de calor e insônia de deficiência de estrogênio, e depois a dor na mama e humor irritável por excesso de estrogênio apenas alguns dias mais tarde. A montanha-russa de estrogênio é causada pelo aumento do FSH (hormônio folículo estimulante), que estimula os ovários a produzir mais estradiol. Mulheres na perimenopausa podem ter o dobro do estradiol de mulheres mais jovens. A progesterona também é deficiente durante a perimenopausa (ver dominância de estrogênio abaixo).

Quanto é estradiol demais?

No seu ponto mais alto, o nível de estradiol no sangue não deve ser superior a 270pg/mL (1000 pmol/L), mas é difícil testar porque ela oscila muito durante todo o ciclo, e até mesmo durante o dia. O estradiol é menor no dia 3 e mais elevado cerca de 4 dias antes da ovulação (dia 10 num ciclo normal). É então elevado de novo no meio da fase lútea, que é geralmente quando se testa em conjunto com a progesterona (a qual também está no seu ponto mais alto).

4) Obesidade

O tecido adiposo produz um estrogênio chamado estrona. Em uma mulher jovem, muita estrona prejudica a ovulação e pode causar a síndrome do ovário policístico (SOP) e deficiência de estradiol. Em uma mulher na pós-menopausa, muita estrona estimula a mucosa uterina muito tempo depois de que a menstruação deveria ter parado, e pode, portanto, aumentar o risco de câncer endometrial.

5) Hipersensibilidade dos receptores

A quantidade real de estrogênio é apenas parte da história. O que realmente importa é a resposta e o que acontece nos receptores de estrogênio. Existem receptores de estrogênio em todos os tecidos, incluindo o cérebro, intestino, tireóide e muscular. Eles respondem ao estradiol. Eles também respondem a estrogênios de-conjugados do intestino (ver desintoxicação acima) e desreguladores endócrinos, como pesticidas.

Os receptores de estrogênio são mais ou menos sensíveis dependendo de outros fatores. Por exemplo, eles são mais sensíveis quando estimulados por inflamações, razão pela qual alimentos inflamatórios, como laticínios, causam problemas menstruais. Eles são mais sensíveis quando deficiente em iodo (veja meu post sobre iodo). Eles são menos sensíveis quando tamponado por fitoestrógenos a partir de vegetais.

Adolescentes

Os receptores de estrogênio são naturalmente hiper-sensíveis nos primeiros anos de menstruação, e é por isso que algumas adolescentes sofrem de fluxo intenso. “Excesso” de estrogênio na adolescência deve se acalmar depois de um ano ou dois e, nesse meio tempo, existem maneiras simples não-hormonais para reduzir fluxo intenso de adolescente. Veja o meu post sobre Fluxo Intenso.

O que é o Dominância Estrogênica?


Dominância estrogênica geralmente significa excesso de estrogênio, mas também pode descrever uma situação de estrogênio normal e deficiência de progesterona. Eu geralmente não uso o termo "dominância estrogênica" (veja aqui o motivo de eu não usar) porque eu prefiro os termos mais precisos de "excesso de estrógeno" e "deficiência de progesterona”. É comum sofrer das duas condições simultaneamente.

Endometriose

Uma palavra sobre a condição ginecológica endometriose. É uma condição inflamatória, autoimune, em que o tecido do endométrio cresce em toda a pélvis. A endometriose é agravada pelo excesso de estrogênio, mas ela não é causada pelo excesso de estrogênio. Embora os tratamentos de redução de estrogênio possa ajudar um pouco, a endometriose responde melhor ao tratamento de modulação imunológica. Por favor, veja meu post Endometriose.

Como reduzir o estrogênio

  • Não use controle da natalidade hormonal.
  • Reduza o consumo de álcool, para promover a conjugação no fígado e desintoxicação de estrogênio.
  • Coma vegetais, para promover a conjugação do fígado, alimentar as bactérias intestinais saudáveis e limpar os receptores de estrogênio (fitoestrógenos).
  • Evite antibióticos, para manter as bactérias intestinais saudáveis.
  • Mantenha um peso corporal saudável, para reduzir a estrona.
  • Evite alimentos inflamatórios, como laticínios, para reduzir a hipersensibilidade do receptor de estrogênio.
  • Minimize a exposição a xenoestrógenos, como plásticos e pesticidas.

Suplementos


  • DIM. Diindolylmethane é um fitonutriente advindo de vegetais crucíferos, como brócolis e couve de bruxelas. Ela promove a conjugação e desintoxicação de estrogênio. Eu recomendo 200 mg por dia com alimentos.
  • Cálcio d-glucarato. Glucarato normalmente é produzido pelo organismo em pequenas quantidades e também é encontrado em alimentos como laranjas e brócolis. O glucarato conjuga e desintoxica estrogênio (glucarate é a parte ativa deste suplemento – não o cálcio).
  • Iodo regula os receptores de estrogênio para baixo, tornando-os menos sensíveis. É particularmente útil para os sintomas de mama, tais como sensibilidade ou cistos de mama. O iodo é seguro até uma dose de 500 mcg (0,5 mg), mas dose superior de iodo pode danificar a glândula tiróide. Por favor, veja meu post sobre Iodo.
  • Progesterona natural. A progesterona contrabalança o estrogênio. Ela abranda a menstruação e melhora a sensibilidade mamária e irritabilidade pré-menstrual. Quando suplemento, uma boa dose de partida é de cerca 20 mg (¼ de colher de chá de um creme de 2%). A progesterona deve ser usada somente após a ovulação ou pode suprimir a ovulação e progesterona. Os progestágenos de controle de natalidade hormonal não são progesterona. Vou discutir a diferença entre progestina e progesterona no post do próximo mês.


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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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