O estranho caso das formigas lowcarb e o poder da mídia

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Uns dias atrás eu estava respondendo perguntas de uma das turmas da AldeiaZAP, quando um dos alunos perguntou: 
“Hilton, comprei um azeite de oliva artesanal, mas percebo que a garrafa está atraindo formigas. O que pode ser?”
A minha primeira resposta foi: você tem certeza que o azeite não está saborizado com mel? Eu já vi azeites com alecrim, alho, pimenta… Por que não haveria azeite com mel?
Mas o aluno me disse que o azeite não era adocicado. Eu perguntei então, brincando, se não eram formigas praticantes de low-carb 😀 
Mas fiquei com a pulga formiga atrás da orelha, e fui pesquisar. Acabei caindo em um site só para… criadores de formigas. 
Em nota paralela: era um sonho que eu tinha quando criança, ter uma colônia de formigas só minha. Antes de pensar em estudar nutrição e ciência da computação, eu queria ser biólogo com especialização em entomologia – além de oceanógrafo, botânico, arqueólogo e astronauta, é claro.
E estava lá a explicação, óbvia: formigas são animais, portanto precisam comer seus nutrientes… Carboidratos, proteínas e gorduras. Alguns criadores, quando dão ração viva às suas colônias (grilos, larvas, etc) às vezes precisam suplementar com óleo – para dar a seus bichinhos a gordura necessária para seguirem vivendo. Provavelmente quando os grilos são muito magrinhos 😀
Quando vemos as formigas domésticas, que estão sempre rondando os açucareiros e os farelos de biscoito e pão, tendemos a acreditar que é somente disso que elas gostam – e a mídia reforça isso o tempo todo: formigas gostam de açúcar e ponto. Provavelmente essas formigas urbanóides equivalem a nós, humanóides urbanóides: comem os migalhas do lixo que nós deixamos cair.
Eu me lembro de, lá no interior, passar horas brincando com formigueiros quando criança. Literalmente QUALQUER coisa orgânica que você coloque na boca de um formigueiro, será picotada e transportada para dentro (eu brincava muito com saúvas (Atta sp.) e lava-pés (Solenopsis sp.), mas ficava mais distante das mata-cobras (Pachycondyla sp.) e das braúnas (Odontomachus sp.) porque aprendi a duras penas que elas tinham ferrão no traseiro e não eram manipuláveis como as saúvas).
Atta: tem cara assustadora, mas esse cabeção é 
facilmente manipulado e não oferece risco de picada
Solenopsis: boas para desmembrar grilos e baratas, mas não 
tente manipulá-las diretamente com as mãos – são frágeis.
Pachycondyla: Uma ferroada equivale 
a uma martelada no dedo
Odontomachus: habitam o seu 
quintal e os seus pesadelos
O que ficou do caso das formigas low-carb?
  1. Nunca é tarde para aprender!
  2. Atenção à maneira da sabedoria convencional te manipular. Eu já sou um cara calejado com lowcarb, com nutrição evolucionária (não foi à toa que abri um programa de coaching em dietas paleo/lowcarb que já congrega mais de 80 alunos) e com formigas – e ainda assim, quando o aluno me fez a pergunta eu só consegui pensar em “colocaram açúcar no azeite” porque fui condicionado a pensar que formigas gostam de doce. Não, amiguinhos… Formigas gostam de comida. Não subestimem o poder da mídia!
No mais, refaço o convite a juntar-se ao meu grupo de alunos: falamos sobre lowcarb praticamente o dia inteiro, e seguimos trocando receitas, histórias, piadas, artigos e esclarecendo dúvidas – tudo via WhatsApp, no conforto do seu lar 🙂
Te vejo no zap!

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