Jejuns de 5 dias poderiam combater doenças e retardar o envelhecimento

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Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Mitch Leslie

O jejum está em alta. Livros de auto-ajuda prometem incinerar o excesso de gordura, enfeitar seu DNA e prolongar sua vida. Um novo estudo científico apoiou algumas alegações de saúde sobre comer menos. O ensaio clínico revela que reduzir a quantidade de alimentos por apenas 5 dias por mês, pode ajudar a prevenir ou tratar doenças relacionadas com a idade, como diabetes e doenças cardiovasculares.
“Não é trivial fazer este tipo de estudo”, diz o biólogo circadiano Satchidananda Panda do Instituto Salk para Estudos Biológicos em San Diego, Califórnia, que não estava ligado à pesquisa. “O que eles fizeram é louvável”.
Estudos anteriores em roedores e humanos sugeriram que o jejum periódico pode reduzir a gordura corporal, cortar os níveis de insulina e fornecer outros benefícios. Mas há muitas maneiras de jejuar. Um dos programas mais conhecidos, a dieta 5:2, permite que você comer normalmente por 5 dias por semana. Em cada um dos outros 2 dias, você se restringe a 500 a 600 calorias, cerca de 1/4 do que o americano médio consome.
Uma alternativa é a chamada dieta de imitação jejum, concebida pelo bioquímico Valter Longo e colegas da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles. Durante a maior parte do mês, os participantes comem o que quiserem. Em seguida, durante 5 dias consecutivos adotam um menu que inclui chips, barras de energia e sopas, consumindo cerca de 700 a 1100 calorias por dia.
O alimento, produzido por uma empresa que Longo ajudou a fundar (mas da qual ele não recebe benefício financeiro), é rico em gorduras insaturadas, mas pobre em carboidratos e proteínas, uma combinação que pode estimular o corpo a restaurar-se e queimar gordura armazenada. Há dois anos, a equipe de Longo relatou que os ratos na versão roedora da dieta viveram mais tempo e exibiram outros efeitos positivos, tais como glicemia reduzida e menos tumores. Eles também apresentaram dados preliminares sugerindo benefícios para a saúde em seres humanos.
Agora, os pesquisadores concluíram um ensaio clínico randomizado no qual 71 pessoas seguiram a dieta de imitação de jejum durante 3 meses, enquanto que os voluntários no grupo de controle não alteraram os seus hábitos alimentares. Em geral, os sujeitos em dieta perderam uma média de 2,6kg, enquanto o grupo controle permaneceu no mesmo peso, conforme relataram os cientistas na Science Translational Medicine. Os cortadores de calorias também viram reduções na pressão arterial, gordura corporal e tamanho da cintura.
Um julgamento de 3 meses não pode determinar se a dieta aumenta a longevidade em pessoas como ela fez em ratos (que raramente sobrevivem além de um par de anos). Mas Longo observa que os níveis de IGF-1, um hormônio que promove o envelhecimento em roedores e outros animais de laboratório, despencou no grupo low-cal. E os indivíduos que estavam em maior risco de doenças relacionadas à idade também viram outros indicadores de mau-funcionamento do metabolismo irem para baixo, como os níveis de glicose no sangue e colesterol total.
Longo diz que esta dieta “trata” o envelhecimento, o fator de risco mais importante para assassinos como diabetes e doenças cardiovasculares. “Parece que você pode atacar o problema subjacente ao invés de apenas colocar um Band-Aid nele”, diz. Em um ensaio de acompanhamento, a equipe espera determinar se a dieta ajuda pessoas que já têm uma doença relacionada à idade – provavelmente diabetes – ou que são suscetíveis a uma.
A dieta é muitas vezes difícil, mas 75% dos participantes low-cal conseguiram completar o teste, observa o gerontologista Rafael de Cabo, do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA, em Baltimore, Maryland, que não estava envolvido com o trabalho. O próximo passo, diz o fisiologista Eric Ravussin do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, em Baton Rouge, é determinar se a dieta também funciona em pessoas “que não são tão saudáveis ​​quanto as usadas neste estudo”.
A nutricionista de pesquisa Michelle Harvie, do Hospital Universitário de South Manchester, no Reino Unido, acrescenta que quer ver estudos mais longos confirmarem que os benefícios persistem e que as pessoas permanecem no regime. “Precisamos ajudar muitas pessoas, mas e se apenas 2% delas estiverem dispostas a fazer isso?”

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