Cara de Alface

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Ontem, conversando com a May Ishii, ela me falou de uma técnica milenar: a cara de alface. Basicamente, é aquela cara que você faz quando queria dizer “f*da-se”, mas já não tem paciência mais nem para isso.
É uma técnica simples de executar, embora requeira controle absoluto dos músculos da língua. A cara de alface preconiza silêncio. No máximo, o “ã-hã”…
… e hoje já foi dia de aplicar: levei os meus exames periódicos para o médico do trabalho avaliar. 
  • Nenhuma medicação controlada: “Ah, que bom”
  • Não-fumante: “Excelente!”
  • Pequenas quantidades de álcool esporadicamente: “Muito bem, isso é raro hoje em dia”
  • Exercício físico 5-6 vezes por semana: “Continue sempre assim”
  • Pressão 12×8: “Excelente”
  • 66kg: “Muito bom [para um quarentão de 1.76m]”
  • Triglicérides: 39 – “Abaixo de 150 está bom”
  • Glicemia em jejum: 93 – “Abaixo de 100 está bom!”
  • Ácido úrico: 4,9 – “Abaixo de 9,2 está bom”
  • Gama GT: 7 – “Uau, está abaixo do mínimo que é 10 – que fígado bem-cuidado!”
  • Creatinina: 0,84 – “Rins excelentes! Abaixo de 1,30 está bom”
  • Ausência de quaisquer cristais na urina: “Rins de aço”
  • HDL: 69 – “Isso é raro! Maior que 40 está bom”
  • VLDL: 8 – “Muito bom mesmo! O melhor é ficar abaixo de 40”
  • Colesterol total: 266 – “Oh-oh! O máximo é 230. Você precisa tomar cuidado!”
  • LDL: 189 – “Socoooorro! Zumbis! Praga de gafanhotos! Guerra nuclear! Tá muito alto! Coma menos gordura e volte aqui em 3 meses. Se não abaixar, vai ter que tomar remédio”.
Vocês já devem imaginar em qual momento fiz a cara de alface, certo ? No ano passado, uma conversa desse mesmo teor desencadeou uma discussão que quase infartou o doutor (e no ano anterior, idem). Esse ano, preferi evitar a fadiga. 
Assim, olhei bem nos olhos do médico e disse “ã-hã”. Ano que vem, volto lá – ou não.

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