Com vocês, o babaçu!

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Até poucos meses atrás, eu achava que babaçu era apenas uma palavra que o Sarney usava para fazer longos discursos populistas na década de 1960, e que o Glauber Rocha usava para fazer chacota desse mesmo Sarney 🙂

Vai cuidar do seu povo, Sarney!
Durante as férias de janeiro, na Bahia, eu encontrei um tio que não via há bastante tempo. Ele está morando no Maranhão, e quando eu falei sobre dieta paleo, farinhas e óleos, ele me citou os produtos do babaçu (Orbignya speciosa). Falou sobre como era gostoso, usado na culinária tradicional pré-colonização e elogiado por suas qualidades.
Na época, corri para o Mark’s Daily Apple para ver se o babaçu entrava na lista dos produtos aceitos numa dieta primal. Não achei nada do Mark em pessoa, mas alguns comentários citavam o uso do óleo de babaçu como uma boa gordura. Não satisfeito, fui verificar…
E para minha surpresa, não é que o negócio é bom mesmo ? Observe a comparação com o óleo de coco:
 Óleo de babaçu   Óleo de coco 
Gordura saturada 87.1% 91%
Gordura monoinsaturada 12.5% 6%
Gordura poliinsaturada 2% 3%


Fonte: Wikipedia e Aromarte

O que perde em gordura saturada, recupera em monoinsaturada! 

O sabor é adocicado, e lembra um pouco o óleo de coco, mas ao mesmo tempo tem um gosto final de fumaça. Talvez porque o óleo que eu consegui não seja extraído a frio. De qualquer maneira, é extremamente saboroso e fez sucesso aqui em casa no preparo de ovos mexidos e de “brigadeiros” (passas + macadâmias + coco ralado + óleo de babaçu, processados e enrolados em bolinhas).

Enquanto o óleo é extraído das amêndoas do babaçu, a farinha é feita com o mesocarpo do coco. 

A análise bromatológica informa que a farinha tem 54% de carboidratos não fibrosos – ou seja, não é low-carb. Achei até um alerta para diabéticos não abusarem dela! No entanto, muita gente elogiava a “elasticidade” que a farinha dá às massas – o que é uma coisa bacana, quando se trata do nosso mundo sem glúten.

Tratei rapidinho de conseguir amostras tanto de óleo quanto de farinha, e pus mãos-à-obra. O primeiro teste foi usar a receita do bolinho genérico (infelizmente, não tirei fotos). Ficou excelente, extremamente macio – mas não cresceu quase nada, mesmo tendo fermento.

Lição #1: a massa fica densa, parecida com o “bolo solado” que resulta quando uma massa de trigo cozinha ao invés de assar (por exemplo, porquê a porta do forno foi aberta antes da hora). Só que apesar da “densidade”, ela não sola de verdade. Fica com a consistência de um brownie.

O sabor é muito sutil, quase nulo – ou seja, ideal para usar como base para outros sabores mais marcantes. Experimentei fazer panquecas também, e ficaram muito boas: 2 colheres de farinha para 1 ovo, e 1 pitada de sal. Como a farinha dá uma certa liga, a panqueca ganha consistência rapidamente.

Panqueca de babaçu com mel

O próximo passo foi mandar um bocadinho de farinha para quem sabe cozinhar de verdade 😀

O resultado final disso tudo é que gostei tanto que, assim como foi com os torresmos, decidi vender 🙂

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