Por que é tão difícil comer comida de verdade no século XXI ?

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Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.
por Vlad Savov
Minha bisavó viveu mais de 100 anos. Nunca tendo deixado o interior da Bulgária, ela pode ter sido uma das últimas pessoas do plnaeta que não seria capaz de te dizer quem era Ronald McDonald. A sua dieta era feita de comidas simples, naturais: carne que não era entupida de hormônios de crescimento e antibióticos, verduras e legumes que não eram cultivados com nuvens de inseticida e frutas que não duravam semanas sem estragar. Pelo simples acidente do seu ambiente ainda-não-civilizado, ela comia melhor que a maioria de nós, pessoas urbanas civilizadas. Agora eu estou tentando fazer o mesmo e retornar a uma dieta com comida de verdade, livre de aditivos deletérios e imitações enganadoras. Mas é difícil. É muito difícil.
O poder do marketing sobre as dietas no mundo desenvolvido é assombroso. Cada gatilho cultural para comer foi ligado com “indulgências” de comida lixo: cachorros-quentes são uma tradição ao se assistir jogos de baseball; pipoca é uma instituição do cinema, e aniversários não seriam aniversários sem bolo. O Halloween transforma em fetiche a coleção de doces e a junta com a diversão de “ser social”, imprimindo para sempre na mente das crianças a idéia de que confeitos açucarados e espírito de comunidade andam de mãos dadas. A abóbora, saudável na prática, é convertida em uma imagem decorativa perversa. Por mim, posso dizer que me levou um tempo embaraçosamente longo para me livrar da crença de que o McDonald’s é um restaurante de verdade e que sua comida é de qualidade superior à da feira búlgara local.
Com tal mentalidade amplamente estabelecida no mundo ocidental, a demanda por comida-lixo começa a sobrepujar (e mesmo a diminuir) o suprimento de escolhas saudáveis. Eu não quero negar a ninguém o seu direito de comer um hamburguer com batatas fritas e tomar uma cerveja durante um jogo, mas por que eu preciso trazer um lanche empacotado se quero uma refeição fresca e nutritiva sem um “quê” de suicida ? Tentar comer tão bem quanto meus avós octogenários ainda comem é socialmente debilitante para mim na cidade grande: nada de pizzaria, nada de hamburgueria, nada de ciname e certamente nenhuma companhia aérea jamais foi capaz de acomodar inteiramente o que não deveria ser considerado um pedido desarrazoado. Não é complicado realmente: eu não quero margarina, queijo em spray ou qualquer coisa que entre na composição de um Twinkie. Manteiga de amendoim não devia ter mais que um ingrediente.
Muitos restaurantes e supermercados dizem que suportam a noção de comida saudável e que fornecem produtos orgânicos, mas quase sempre isso não é mais que um truque e questão de nova embalagem. Há incontáveis exemplo, como o guacamole da Kraft (que é feito sem abacates) que podem pegar aqueles que buscam fazer escolhas saudáveis com sua dieta.
Enquanto eu creio que o mundo pode viver alegremente (e mais feliz) mesmo na ausência de Oreos e Twinkies, compreendo as razões pragmáticas para o aumento de tais comidas altamentes processadas. Elas duram mais, custam menos e podem ser feitas aos montes em fábricas, o que torna a sua produção tanto escalável quanto rentável. Desde que elas não te matem de alguma maneira óbvia e imediata, o bom marketing pode mantê-las não apenas como meras alternativas a uma alimentação saudável, mas de alguma forma como escolhas preferenciais. A simplesm menção de marcas como Krispy Kreme, M&M’s, Pringles e Doritos faz a sua boca salivar de uma maneira que repolho e couve jamais poderiam esperar fazer igual. Eu sei disso porque passei a maior parte da minha vida desesperadamente apaixonado por tais produtos de lixo comestível, e foi apenas nos últimos anos que consegui eliminá-los da minha dieta e trocá-los por coisas que tem alguma semelhança com algo que cresça em nosso planeta.
Meu colega Dan Seifert, infelizmente ainda está sob a influência intoxicante de comidas ricas em açúcar e em marketeiros pobres em escrúpulos, recentemente fez uma revisão extensa sobre o melhor Oreo que você pode comprar. Ele provavelmente não se importa com a lista completa dos ingredientes nos Oreos e com seus efeitos, e eu não sou paternalista o suficiente para insistir que ele o faça. Pessoas como Dan devem ser livres para conseguir a sua dose de chocolate, mas ao mesmo tempo, pessoas como eu também devem ser capazes de conseguir a sua conta de comida saudável e nutritiva.
Ao invés, aqueles que desejam comer comida de verdade são na prática levados a se sentirem como esnobes, e dada a centralidade da comida nas interações sociais, frequentemente são párias em sua própria família. Eu não me vejo como mais elitista do que a pessoa mediana que pede a seu médico pelo melhor remédio possível. Você não aceitaria um placebo farmacêutico ao invés do medicamento real, então por que você tolera um placebo nutricional ?

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