Estudo mostra que dieta cetogênica melhora a memória em adultos com deficiência cognitiva

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Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.
por Jane Collingwood
Dieta cetogênica mostra-se promissora para tratar 
Alzheimer, epilepsia, autismo, depressão, enxaquecas, câncer
Descobertas recentes sugerem que uma dieta muito pobre em carboidratos pode melhorar a memória de adultos mais velhos com deficiência cognitiva leve.
Sob condições extremamente pobres de carboidratos, o corpo começa a usar compostos chamados cetonas, produzidos a partir do metabolismo de gordura ou proteína, como fonte de combustível. Este estado, cetose, ocorre naturalmente e é muito diferente da cetoacidose – que é um problema sério causado por perturbações metabólicas severas.
Um novo estudo testou a dieta cetogênica em pessoas com deficiência cognitiva leve, às vezes precursora da demência. Por 6 semanas, metade dos 23 participantes comeram uma dieta cetogênica, com 5 a 10% de calorias oriundas de carboidratos, enquanto os outros comeram uma dieta rica em carboidratos, 50% das calorias vindas destes.
Aqueles em dieta cetogênica mostraram melhoras significativas na memória verbal, comparados ao outro grupo. Quanto mais alto o nível de cetonas, medido na urina, melhor a sua memória verbal.
Robert Krikorian, Ph.D. da Universidade de Cincinnati, e colegas acreditam que as cetonas proveem combustível imediato para o cérebro, e podem melhorar a função cognitiva.
Eles reportam no Jornal de Neurobiologia do Envelhecimento  que o grupo em cetose também viu benefícios significativos em termos de perda de peso e redução da circunferência abdominal, bem como reduções na glicemia em jejum e níveis de insulina.
“Estas descobertas indicam que o consumo muito baixo de carboidratos, mesmo a curto prazo, pode melhorar a função da memória em adultos idosos com risco aumentado de Alzheimer”, eles escreveram.
“Até onde sabemos, os dados demonstraram pela primeira vez que a restrição de carboidratos pode produzir melhoria na memória desta população em risco”.
Os especialistas apontam que o efeito pode ser parcialmente devido à correção da hiperinsulinemia, ou excesso de insulina no sangue, mas que “outros mecanismos associados com a cetose, tais como inflamação reduzida e melhor metabolismo de energia também podem ter contribuído para a melhora da função neurocognitiva”.
Encontrar novas abordagems para atacar a deficiência cognitiva leve é crucial, acrescentam, pois há atualmente 5.3 milhões de casos de Alzheimer nos EUA. Estima-se que este número aumente para 16 milhões em 2050, e não há cura.
“Assim, prevenção e mitigação de risco serão essenciais para reduzir o impacto deste problema ameaçador da saúde pública”, disseram Krikorian e colegas.
Eles explicam que as intervenções iniciadas em indivíduos com condições pré-demência tais como deficiência cognitiva suave poderiam impedir o progresso do declínio cognitivo. É também o caso que taxas de obesidade e diabetes estão atingindo proporções epidêmicas.
“A co-ocorrência de demência e doença metabólica reflete o fato de que o distúrbio metabólico é um fator fundamental que contribui para a neurodegeneração”, disseram os autores.
Sabe-se que a diabetes tipo 2 aumenta o risco de demência. Alguns estudos sugerem que 39% dos casos de Alzheimer são devidos somente ao excesso de insulina, que ocorrem em respota à resistência à insulina.
No geral, o excesso de insulina no sangue pode acelerar processos neurodegenerativos via desregulação dos receptores de insulina e moléculas pró-inflamatórias. A regulação apropriada destas moléculas é essencial para a função da memória, e para evitar o acúmulo de placas beta amilóides no cérebro.
“Abordagens dietárias à prevenção da demência representam intevenções interessantes e subutilizadas”, diz o time.
Trabalhos prévios indicam que uma ingestão mais alta de frutas, legumes e verduras pode reduzir o risco de declínio cognitivo e demência. Este efeito poderia ser devido em parte à regulação da inflamação, assim como a dieta cetogênica redutora de insulina.
Eles apontam o fato de que a dieta cetogênica tem sido usada para suprimir ataques epilépticos desde os anos 1920, apesar de ter caído em desuso quando as terapias farmacológicas foram desenvolvidas.
“Há indicações de que o metabolismo de cetonas pode ser benéfico em outras condições clínicas”, disse o time, porque ele protegem contra danos neurais e desacelera a neurodegeneração, comparado ao metabolismo de glicose.
“Comparado ao metabolismo de glicose, o metabolismo central de cetonas gera níveis menores de estresse oxidativo, que também já foi identificado como fator fundamental contribuindo para a neurodegeneração”, acrescentam.
Os autores pedem por mais investigação deste tipo de dieta para medir “seu potencial preventivo e mecanismos de ação no contexto da neurodegeneração inicial”.
Descobrir os mecanismos de ação neural da dieta, incluindo os fatores metabólicos e neuroprotetores em conjunção com os efeitos neurocognitivos, “será de particular interesse e deveria ter implicações para a compreensão da etiologia da neurodegeneração”, escrevem.
Finalmente, é importnate saber se os benefícios da dieta persistem uma vez que o indivíduo retorna à sua dieta usual.
Comentário: os benefícios de uma dieta cetogênica provavelmente não permanecem uma vez que o corpo volte a usar glicose como fonte primária de combustível. Uma vez que isso aconteça, as compulsões se estabelecem e as pessoas começam a consumir mais e mais carboidratos. Dietas ricas em carboidratos sobrecarregam o corpo com açúcar, causando inflamação crônica que leva a quase todas as grandes doenças
“Caso esta abordagem prove ter benefícios além do período de intervenção, ela poderia ser aplicada breve e intermitentemente como estratégia profilática, uma abordagem que mitigaria muitas preocupações sobre a restrição crônica severa de carboidratos”, concluem.

Referências

  1. Krikorian, R. et al. “Dietary ketosis enhances memory in mild cognitive impairment.” Neurobiology of Aging, 2 December 2010,DOI.
Comentário: Como a Dra. Gabriela segura afirma em The Ketogenic Diet – An Overview:

Os órgãos e tecidos do nosso corpo trabalham muito melhor quando usam cetonas como fonte de combustível, incluindo o cérebro, coração e a parte central dos rins. Cetonas são o combustível ideal para nossos corpos, ao contrário da glicose – que é danosa, menos estável, mais excitatória e de fato reduz a expectativa de vida.

A cetose limpa nossas células de proteínas que agem como “entulho” e que contribuem para o envelhecimento ao perturbar o funcionamento apropriado da célula. Ela faz isso basicamente através do que é conhecido como autofagia, que preserva a saúde das células e tecidos ao substituir os componentes celulares velhos e danificados por outros, novos. Isso evita doenças degenerativas, envelhecimento, câncer e te protege contra infecções microbianas. Uma dieta cetogênica não apenas rejuvenesce você, ela também te faz uma pessoa menos suscetível a vírus e infecções bacterianas.

O que é considerado atualmente “uma dieta normal” é na verdade uma aberração baseada na corrupção da ciência que beneficia a agroindústria e a indústria farmacêutica. Se voltarmos no tempo, aos dias antes que a dieta moderna tivesse sido normatizada por interesses industriais e agriculturais, veríamos que a cetose era o estado metabólico normal. O estado metabólico dos humanos de hoje é aberrante.

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