Altos níveis de arsênio cancerígeno no arroz – então por que isso não é regulamentado em nossa comida ?

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Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

Não é um artigo voltado para paleo nem low-carb, então não se assuste com a última frase do texto 😉

por Andy Meharg
O arroz tem duas faces: o grão que alimenta metade do mundo – e a fonte primária de arsênio inorgânico, cancerígeno, em nossa dieta.
Arsênio é um elemento que ocorre naturalmente, e que está presente em todo o planeta em sua forma inorgânica, que é altamente tóxica.
O que diferencia o arroz é que ele é o único produto agricultural de larga escala cultivado em alagados. É esse alagamento que libera o arsênio inorgânico, geralmente preso a minerais do solo, tornando-o disponível para absorção pelas plantas. O arroz tem, tipicamente, 10 vezes mais arsênio inorgânico que outras comidas e, conforme a Autoridade Européia de Padrões Alimentares reportou, pessoas que comem muito arroz estão expostas a concentrações preocupantes. Exposição crônica pode causar uma série de problemas de saúde incluindo problemas de desenvolvimento, doença cardíaca, diabetes e dano ao sistema nervoso. Entretanto, mais preocupantes são os cânceres de pulmão e bexiga.

Maior preocupação são as crianças

A primeira comida que a maioria das pessoas come é mingau de arroz, que se acredita saudável para o desmame porque o arroz é pobre em alérgenos, tem boa textura e gosto suave. Como os bebês estão crescendo rapidamente, encontram-se em um estágio sensível do desenvolvimento e sabidamente são mais suscetíveis ao arsênio inorgânico que os adultos.
Bebês e crianças com menos de 5 anos também comem cerca de três vezes mais comida, em relação ao seu peso, do que adultos – o que significa que relativamente, eles tem três vezes mais exposição ao arsênio inorgânico vindo do mesmo alimento.
O mercado de produtos de arroz para crianças pequenas, que inclui biscoitos e cereais, está explodindo. Se a criança é intolerante ao glúten, então pães e leites de arroz podem ser adicionados à lista. Adultos intolerantes ao glúten também são grandes consumidores de arroz, bem como pessoas originadas do sudoeste asiático.
O leite de arroz é tão rico em arsênio inorgânico que a agência reguladora de alimentos da Inglaterra emitiu um aconselhamento de que crianças com menos de 4 anos e meio não deviam tomá-lo. Apesar disso, você encontraria dificuldades para localizar o aviso nas embalagens e cartazes do produto.

Onde estão as regulamentações ?

Enquanto existe uma regulamentação rígida sobre o arsênio inorgânico em nos suprimentos de água europeus, nenhum existe para a comida – ainda que apenas 5% do arsênio inorgânico consumido na Europa venha da água, e 95% venha da comida. Água engarrafada na União Européia tem uma concentração de arsênio inorgânico cerca de 50 vezes menor o arroz. Por conseguinte, você precisaria beber 5 litros de água para obter uma dose de arsênio equivalente a comer 100g de arroz (peso seco). A falha em regulamentar o arroz é insustentável e deveria ser corrigida.
A Organização Mundial de Saúde e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura acabaram de anunciar diretrizes para o arsênio inorgânico no arroz: 200 partes por bilhão de arroz branco e 400 partes por bilhão de arroz integral. O arroz integral é mais rico em arsênio que o branco, porque o arsênio concentra-se no bran (N.T.: película que envolve o grão) que é removido durante o polimento que produz o arroz branco.
O objetivo destas limitações é garantir que o grosso do suprimento global de arroz fique abaixo delas, ao invés de focar-se diretamente no risco que o arsênio inorgânico apresenta para os humanos – os perigos específicos para crianças, por exemplo. Sem fazer isso, os limites da OMS são basicamente sem sentido. Eles certamente não protegem aqueles em maior risco, tais como crianças e os países consumidores de arroz do sudoeste asiático.
Mais pronunciamentos pela União Européia e o FDA são iminentes. Esperamos que tomem uma postura mais esclarecida que a OMS e definam padrões baseados em proteger a saúde humana. Só quando padrões apropriados forem estabelecidos a indústria do arroz poderá proativamente desenvolver planos para remover o arsênio do grão para atingi-los.
Padrões precisam ser definidos para proteger aqueles em maior risco, e 50 partes por bilhão para crianças e 100 partes por bilhão para todos os produtos à base de arroz seriam factíveis com esforços coordenados dos reguladores e da indústria, entretanto – já que cada dose de arsênio carrega risco, quanto menor, melhor.

O que pode ser feito agora ?

Há muitas soluções práticas para remover arsênio inorgânico do arroz; de gerenciamento agricultural, seleção de cultivares e cruzamentos. Obter arroz de regiões com menores concentrações de arsênio – por exmeplo, o arroz basmati tem é 2 a 3 vezes mais pobres em arsênio que o da União Européia ou dos USA. Cozinhar o arroz com grandes quantidades de água também ajuda a remover o arsênio inorgânico.
Mudar a prática dietária e o aconselhamento alimentar dos consumidores para reduzir o arroz na dieta é também uma opção. Há uma variedade alternativas sem glúten ao arroz, então repensar os alimentos para bebês é uma maneira óbvia de proceder. No topo dessa lista de alternativas ao arroz para a alimentação de bebês e para cereais matinais, biscoitos e barrinhas está a aveia, que tem uma gama de outras propriedades promotoras de saúde.

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