O prato da princesa

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Mais de uma pessoa já me perguntou “como é que eu faço com a comida da minha filha”. A resposta é simples: em casa, ela come basicamente a mesma coisa que como. Tenho a impressão de que muito pais veem os filhos como se estes fossem os donos da casa e decidissem o que se compra ou não para comer.
Cada casa tem seus hábitos, é claro – mas aqui na minha, a regra de ouro é “não negociamos com terroristas”. A filha opina livremente, e tem todo o direito de tentar o convencimento dos pais – mas a última palavra é de quem paga as contas, sempre. Birra rende conversa e castigo em 99.99% das vezes. Em 100% dos casos, o problema é resolvido.
A minha mãe me falava sempre que “em casa que tem comida, criança não morre de fome”. Por que diabos então, em tantas casas que conheço, as crianças vivem de comer lixo ? Percebam que não estou dizendo que a Sara não come o seu lixo de vez em quando: na lancheira da escola sempre acaba tendo um biscoito “menos ruim” (maizena ou água-e-sal), e em festinhas eu a deixo comer à vontade o que quiser. Como ela já sabe que coisas doces demais fazem mal, geralmente pára bem antes de comer uma tonelada de brigadeiros.
Mas as refeições “grandes” do dia, são via de regra feitas de comida de verdade. E me espanta que tanta gente se espante quando eu digo que a Sara adora abóbora, alface, chuchu, beterraba e brócolis. O “normal” é gostar de batata frita, tomate, arroz e feijão, certo ? E chocolate/sorvete/doce de sobremesa… 
Entendo perfeitamente, principalmente porque já fui assim – só aprendi a comer verduras e legumes depois de velho (mesmo antes de adotar paleo).
Almoço de hoje: carne cozida, torresmo, abobrinha, abóbora 
paulista, cenoura, beterraba e alface: comidinha das campeãs!

O que entendo é que faltam algumas coisas, quase sempre:
  •  Exemplo dos pais. Como eu poderia cobrar da Sara que ela comesse legumes, se eu não comesse ? Como esperar que ela não goste de refrigerante ou cerveja, se me vê bebendo TODO SANTO DIA ?
  • Pulso firme. A falta de entendimento, por parte dos pais, de que quem manda na casa DELES são ELES. O que tem para comer no almoço é o almoço. Sucrilhos com iogurte não é almoço. A sobremesa acontede DEPOIS do almoço. Se não quiser o almoço, não coma nada. (É claro que é necessário ficar atento ao estado de saúde da criança: talvez REALMENTE a carne assada desça arranhando, mas um iogurte desça bem por uma garganta inflamada. Tempere seu pulso firme com bom-senso!)
  • Começar cedo. Por sorte, mesmo antes de adotar paleo, eu já era um comedor assíduo de verduras e legumes. Assim, a Sara já foi mastigando a sua carninha, cenourinha e repolhinho desde que criou dentes – mesmo antes disso, se considerarmos as papinhas
  • Desligar a TV. A televisão, camaradas, é a maior vendedora de comida-lixo que existe (isso para não falar no consumismo em geral). Quer que seus filhos peçam chocolates, biscoitos recheados, chips e afins, entra-ano-sai-ano ? Simples: deixe-os sintonizados em qualquer canal “para crianças” da TV a cabo, ou na TV aberta… É garantia de que te peçam um chocolate e um brinquedo novo TODO DIA. Sugestão: livre-se da TV, aberta ou fechada. Consuma suas notícias direto da internet. Não consegue ficar sem futebol, Big Brother ou novela ? Assista a TV só na hora, e desligue no intervalo. Programação para crianças ? Compre DVDs ou baixe conteúdo. Aproveite o tempo livre para ler para eles… Seus filhos agradecerão por uma infância mais saudável e (mais) livre de consumismo!

Saboreando o torresmo
Alface para “deixar o sangue verde”

Um copão de água para refrescar!
Faltou a foto da sobremesa: uma manga tommy, que até ardia a garganta de tão doce!

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