É preciso investir tempo na qualidade de vida

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Estou escrevendo a minha história para incentivar as pessoas que necessitam perder peso a investirem a médio/longo prazo na mudança de vida, e também para os que não necessitam perder peso a não enveredarem pelo caminho do consumo de produtos processados.
Durante minha infância, adolescência e início da juventude, eu fui magro. Não tinha problemas de sobrepeso. Me casei aos 22 anos pesando 72kg (minha altura é 1,72). A vida profissional corrida, filhos e a rotina me afastaram dessa realidade. Dois anos após casar já pesava 82kg.
Os 15 anos seguintes foram aqueles que todos já sabemos: engordei, emagreci, engordei de novo, emagreci de novo, mas o saldo sempre era para cima. Eu não sou fumante, não bebo e praticava esporte (futebol) uma vez por semana. Nesses anos todos eu tentei entrar em academia umas 10 vezes, tentei iniciar corridas de rua outras 10 e não permaneci nunca.
Finalmente, em 2008 subi numa balança numa farmácia e pesei 98Kg – e foi quando o sinal vermelho acendeu para mim. Nos dias seguintes pensei bastante sobre o assunto e dei valor também ao histórico familiar de diabetes tipo 2. Não sabia que mesmo sem o histórico familiar todo mundo está suscetível de alguma forma – aliás, nem sabia bem o que era a tal doença.
Eu tinha acabado de me mudar para um condomínio que tem academia, comecei a caminhar e então depois de um tempo comecei a dar trotes na esteira. Treinava 3 vezes por semana e então perdi bastante peso, cerca de 15kg. Fiz também contagem de calorias durante este tempo, mas percebi que não era sustentável no longo prazo. Mudei de esporte, comecei a jogar tênis no final de 2009 e abandonei a academia. Jogava tênis 3 vezes por semana regularmente, mesmo no inverno. Ao final de 2012, estava de novo com 90kg e com os todos os parâmetros de saúde comprometidos. Voltei para a esteira na estaca zero, porque perdi todo o preparo físico aeróbico com o tênis. Algumas semanas depois notei que era impossível viver nessa vida de atividade física intensa, contagem de calorias e fome.

Descobri então a dieta LCHF/Paleo através da internet. Estudei o assunto, estudei a temida diabetes, me convenci do assunto e apesar de ainda não ter resposta para todas as perguntas, encarei a mudança de vida.

Chamo de mudança de vida porque me propus a isso mesmo, não mais fazer dieta e sim mudar o estilo de alimentação. Cortei açúcar, trigo, comecei a priorizar comida de verdade (todo mundo sabe o que é isso) e abandonei comida processada. O resultado veio a galope. Hoje peso 71 Kg e voltei ao esporte porque meus níveis de energia e motivação aumentaram muito. Não é mais um peso para mim, e sim diversão. 
Para ser prático, eu posso resumir meu sucesso em tópicos, assim:

  • Como quando tenho fome, até me saciar, sem culpa.
  • Como o que é paleo/low carb. Todos aqui conhecem. Sem contagem de calorias ou carboidratos
  • Faço exercícios físicos regularmente. Obviamente não são todos os dias, mas tenho regularidade.
  • Penso numa vida sustentável e não em restrições que trarão resultados rápidos, mas que não tem condições de ter continuidade pelo resto da vida.
  • Eu também tenho recaídas ou abro exceções. Sou uma pessoa normal. Agora, minhas exceções são exceções – não acontecem todos os dias, nem todas as semanas. Minha filha se casou recentemente e eu chutei o balde na festa. Fui tentado e caí nos docinhos da festa. Normal… Continuo no estilo de vida de onde parei.
  • Tem algumas coisas nas quais sou radical: álcool, refrigerante e novela, principalmente da Globo, não entram na minha casa.
  • Minha rotina foi eliminar açúcar, farinha e comer comida de verdade. Todos aqui já sabem e estou repetindo. Eu creio muito nisso, nós não precisamos de lixo.
  • Eu não tenho cardápios pré-estabelecidos. Como o que tiver em casa. Logicamente, faço compras semanais pensando na alimentação que vou fazer. Minha família não segue rigorosamente a dieta porque eles não “precisam” (ou não identificaram ainda a necessidade)
  • Não estou orientando cardápios, mas o que eu faço de manhã é tomar leite com café (não tenho intolerância a lactose) com sucralose, como uma fruta e queijo ou então omeletes, às vezes o bolinho de caneca. No almoço detono saladas e legumes sem preocupações. Como proteína à vontade (carnes de todos os tipos), sem me preocupar com quantidade de gramas por kg, pois penso que nenhum animal em seu ambiente natural fica fazendo contagem alguma. À tarde não tenho fome, mas de vez em quando levo frutas ou castanhas para o trabalho. No final da tarde, quando chego em casa, como o que tiver na frente (dentro do esquema paleo). À noite, como de novo se tiver fome, sempre no mesmo esquema – salada e legumes preferencialmente, mas como carne também se tiver. De vez em quando como arroz também no almoço, em pequena quantidade.
  • Tem coisas das quais acho difícil fugir em virtude do mundo que vivemos. Eu abandonei produtos processados, mas vejam, de vez em quando eu como peito de peru ou até presunto. É processado… Fazer o quê?… Mesmo o queijo que como, também é… O rigor aqui só me atrapalharia, então penso que não mexendo na minha insulina já tá bom demais; não sendo a base da minha dieta e não sendo diariamente, vamos em frente.
  • Não consumimos óleo vegetal e nem margarina em casa também.
Façam tudo isso com acompanhamento medico e exames frequentes. Eu estou muito bem, com parâmetros de 18 anos, feliz da vida.
Ressalto que não estou elaborando cardápios e nem estou aconselhando ninguém a fazer nada disso. Estou escrevendo isso porque não sou médico nem nutricionista, e não posso me responsabilizar por nada. Estou compartilhando minha experiência com vocês para motivá-los a persistir. Eu li o “Barriga de Trigo” também e me motivei muito. Penso que hoje vivemos um tempo onde queremos resultados imediatos, mas isso não é a realidade. Tudo na vida tem seu tempo. É preciso investir tempo na qualidade de vida. A maioria das pessoas começa alguma coisa e não termina, não termina, fica pelo meio do caminho. Minha leitura é que não querem mudar, o que querem é um caminho fácil. Querem a fruta, mas não querem subir no pé. Querem enriquecer sem trabalhar. O mundo nos leva a essas situações, mas elas não nos levarão ao sucesso.
Estou a disposição para a troca de experiências e desejo a todos muito sucesso e que Deus lhes abençoe muito. Coloquem Deus em suas vidas como o alvo mais imediato, de retorno rápido, antes de qualquer outra coisa, pois as outras demoram um pouco mais.
Alcir

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