Não exercite-se para perder peso

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Eu engordei 36kg na gravidez dos meus gêmeos. Ganhei aquela quantidade insana enquanto carregava dois bebês, duas placentas, dois sacos amnióticos, e muitos hambúrgueres e milkshakes.
No entanto, caí abaixo do meu peso pré-gravidez poucos meses depois de ter dado à luz.
Muitas pessoas me disseram: “Você perdeu muito peso! Como consegue ir à academia tendo dois bebês em casa?”
E a resposta foi: eu não vou à academia. O único exercício que eu fazia era ir e voltar do banheiro, da cozinha ou dos berços dos meus filhos. Mas eu estava amamentando e comendo o melhor que pude, porque o que eu estava comendo, meus filhos estavam comendo.
… Enquanto a sua ingestão de alimentos é responsável por 100% da energia que entra no seu corpo, o exercício só queima de menos de 10% a no máximo 30%. Isso é uma grande discrepância, e definitivamente significa que apagar todas as suas transgressões alimentares na academia é muito mais difícil do que as propagandas de academia nos fazem querer acreditar.
Depois que meus filhos fizeram 1 ano e eu parei de amamentar, meu corpo mudou – o que era de se esperar. Eu perdi um pouco da gordura extra que minha barriga estava segurando para poder alimentar meus filhos, mas então os maus hábitos alimentares se instalaram. Eu corria atrás de duas crianças e minha dieta consistia principalmente de merda que meus filhos não comiam.
“Oh, você não quer o resto do seu peixinho / nuggets de frango / fatias de maçã / batatas fritas do McDonald? ENTÃO EU QUERO”: era o que eu dizia a a mim mesma enquanto empurrava o que quer que fosse para a minha boca aberta (e você não quer saber o tipo de coisas meio mastigadas que eu simplesmente enfiava na minha boca como se não fosse grande coisa).
Eu não suporto desperdício. Sendo criada por pais que haviam sido criados por pais que cresceram durante a depressão dos anos 1930, eu aprendi que um prato limpo era um prato feliz. E quem não quer um prato feliz?  E durante a maior parte da minha vida, foi assim que pensei.
Então meu empregador começou a divulgar uma iniciativa de fitness. Fomos colocados em equipes e cada membro da equipe coletava “pontos” fazendo certas coisas. 1 ponto se você mantivesse um diário alimentar. 2 pontos se você andasse 10.000 passos em um dia, etc. E enquanto eu também odeio desperdício, eu também AMO competição. Então eu registrei diligentemente minha comida no myfitnesspal, um popular aplicativo de rastreamento de calorias.
E percebi rapidamente que era muito chato rastrear coisas como “1/8 de uma porção de biscoito”. Às vezes, eu me via tentando contar quantos peixinhos dourados eu consumira para compará-lo a uma porção normal.
Sendo honesta com um diário de comida, tive que prestar atenção em todas as coisas que colocava na boca, até mesmo naquelas coisinhas, como as duas fatias de maçã que peguei no chão e mandei pra dentro, ou aquela minúscula barra de chocolate (ou 3 ou 4) que alguém deixou para a equipe na sala de descanso.
E sendo honesta e acompanhando tudo isso em um aplicativo que me dizia minha ingestão calórica, percebi que meus filhos estavam me deixando gorda. Ou, na verdade, devo dizer, meu ódio pelo desperdício estava me deixando gorda.
Como era uma baita chatice registrar todos aqueles 1/8 e 1/16 de uma porção normal, eu parei de comer as sobras. Se meus filhos não terminassem os biscoito, eu colocava o resto meio comido em um saco plástico e devolvia-o a eles mais tarde.
E comecei a perder peso.
Novamente, eu não estava indo à academia (mas carregar dois filhos e duas cadeirinhas definitivamente pode parecer um treino intenso, não é?). Eu estava apenas comendo de forma diferente.
Mas então eu engravidei. E três meses depois eu abortei. E então, três meses depois, engravidei novamente. E dois meses depois daquela segunda gravidez, aborto novamente. E a depressão em que mergulhei depois daquele segundo aborto significava que eu não estava pensando em comer bem. Eu não estava pensando muito, na verdade. Eu afundei naquela dormência que me fazia parecer um zumbi.
E um mês depois do segundo aborto, deixei meu ex-marido. Eu arrastei meus pés de zumbi e saí do casamento.
E eu com certeza não estava pensando em comer bem enquanto eu estava fazendo malabarismos como mãe solteira pela primeira vez, enquanto encarava um divórcio feio. Eu estava apenas colocando as coisas na minha boca quando estava com fome e não importava o que era – mas com certeza era frequentemente fast food.
Agora faz muitos meses desde aquilo tudo, e estou em um lugar muito mais estável e seguro. Meu divórcio completou-se. Eu me acostumei a ser mãe solteira.
No mês passado, quando eu estava olhando para o meu corpo no espelho, irritada por ter que me vestir novamente, sabia o que precisava fazer. Exatamente o que funcionou para mim antes: começar a comer bem.
Então, enquanto você considera onde está em sua resolução de ano novo de “perder X kg”, considere focar-se no que você coloca em seu corpo, ao invés de quantas horas você está gastando no ginásio. E se você for à academia, pense na ciência sobre os benefícios do exercício, em vez do que você espera que ele faça pela sua cintura.
Artigo de Tara Mae Mulroy, traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

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