Cientistas descobrem a causa das doenças autoimunes e como podemos tratá-las

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Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.
Deixei meus comentários em vermelho, ao fim do texto 😉
por Rosie McCall
A atriz/cantora Selena Gomez luta contra o lupus desde 2015
Casos de doença auto-imune aumentaram nos últimos anos, mas como ela é frequentemente invisível e apenas recentemente tem havido um grande esforço para aumentar a conscientização sobre a condição (ou melhor, as várias condições), muitos doentes passaram anos pulando de médico para médico e visitando hospitais antes de receber um diagnóstico. Como um paciente descreve no The New Yorker, “fiquei doente do jeito que Hemingway diz vai-se à falência: ‘gradualmente e então repentinamente'”.
Há, no entanto, boas razões para permanecer otimistas. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Yale pode ter encontrado a causa subjacente, bem como métodos promissores de tratamento da doença.
O artigo, publicado na revista Science, ligou reações auto-imunes a uma bactéria no intestino chamada Enterococcus gallinarum. Uma resposta auto-imune, dizem, pode ser desencadeada quando a bactéria migra espontaneamente do intestino para outros órgãos do corpo, como o baço, o fígado e os gânglios linfáticos.
Uma doença auto-imune é uma condição inflamatória crônica causada por células imunes da própria pessoa, que erroneamente acredita que o corpo está sob ameaça e assim responde atacando tecidos saudáveis. Lúpus, artrite reumatóide e tireoidite de Hashimoto são apenas três das mais de cem condições que se encaixam nessa categoria. Agora, eles podem ser adicionados à longa lista de doenças ligadas à saúde das bactérias intestinais.
Durante o estudo, os pesquisadores projetaram geneticamente ratos para serem suscetíveis a doenças autoimunes. Eles então analisaram as bactérias do intestino para identificar aqueles que causaram inflamação ou estavam envolvidos na produção de anticorpos conhecidos por promover respostas auto-imunes. O culpado foi Enterococcus gallinarum.
Os resultados foram confirmados quando compararam células hepáticas em cultura de pessoas saudáveis ​​versus pessoas de uma doença auto-imune e encontraram vestígios de Enterococcus gallinarum no último grupo.
Ainda mais emocionante, eles não apenas foram capazes de identificar a fonte, mas desenvolveram formas eficazes de reduzir os sintomas auto-imunes. Usando antibióticos ou uma vacina, os pesquisadores reduziram os sintomas suprimindo o crescimento de Enterococcus gallinarum. Espera-se que esta pesquisa possa ser desenvolvida em opções de tratamento bem-sucedidas para certas doenças auto-imunes, incluindo doença hepática auto-imune e lúpus sistêmico.
“A vacina contra o E. gallinarum foi uma abordagem específica, já que as vacinas contra outras bactérias que investigamos não impediram a mortalidade e a autoimunidade”, explicou Martin Kriegel, líder da pesquisa, em um comunicado. “A vacina foi administrada através de injeção intramuscular para evitar atingir outras bactérias que residem no intestino”.
“O tratamento com um antibiótico e outras abordagens, como a vacinação, são formas promissoras de melhorar a vida de pacientes com doença autoimune”.
Mais uma vez, a microbiota intestinal está se mostrando responsável pelo nosso bem (e mal)-estar. A bola tem sido cantada nos últimos anos, e a cada dia parece mais certeira: cuide do seu intestino, e ele cuidará de você.

Por outro lado, embora a idéia de ter uma vacina ou antibiótico que corrija os problemas descritos seja atraente, ela simplesmente replica um comportamento da medicina moderna: tratemos o sintoma ao invés da causa. 

Quando eu li que a bactéria “migra espontaneamente do intestino para outros órgãos”, apitou na hora o alarme do “por quê?”. A parede intestinal não é teoricamente fechada e intransponível? A menos que coisas como “permeabilidade intestinal” existam mesmo, certo? 😉

E quando falo em intestino permeável, me vem à cabeça imediatamente as intervenções de estilo de vida que podem ser feitas… comendo uma dieta menos inflamatória, mais rica em fibras, que não contenha glúten, etc…

Já ouviu falar de uma dieta assim? 😉

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