A dieta das festas

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por Danilo Balu

A piada do dia: “o problema não é o que comemos entre o Natal e o Ano Novo, mas o que comemos entre o Ano Novo e o Natal”. Faz sentido? Há estudos que mostram haver muita verdade nesse raciocínio de que nosso exagero ao final do ano sabota nossa silhueta. Os americanos, por exemplo, ganhariam muito peso entre o Dia de Ação de Graças (a quarta 5a feira de novembro) até 01 de Janeiro. Ou seja, um período de 6 semanas de engorda. Veja abaixo que este é um padrão em outros países e suas celebrações de final de ano e/ou religiosas.
É um efeito “universal”: Natal, reveillon, datas festivas, Páscoa… geram ganho de peso considerável na população. Cuidado!
Um levantamento americano, além de confirmar o ganho de peso entre essas datas, traz algo muito mais importante: entre o final das férias e o pré-festas do ano seguinte as pessoas NÃO se livraram do que ganharam em 6 semanas! Seria mais ou menos assim: a pessoa engorda no final de ano, porém bem menos do que se imagina. Mas essa pessoa NÃO perde o que ganhou e vai assim acumulando peso, ano após ano.
Especula-se que anualmente cerca de 60% de nosso ganho de peso seria assim resultado de um descuido que ocorre em períodos muito restritos! Obviamente há enormes limitações por ser um estudo observacional com uma população que está no inverno, enquanto nós estamos no verão, justamente quando mais expomos nossos corpos em praias e ruas, por exemplo.
E não é só isso, como era esperado, para combater os excessos as pessoas correm para as academias! Repare abaixo no comportamento das pessoas que nas festas exageram no fast-food e tentam compensar com atividade física. *do Ano-Novo até meio de Janeiro é o único momento no qual academia ultrapassa o fast food. **quem acompanha este blog sabe que atividade física é uma péssima ferramenta para perda ou controle de peso!

Outra regra: a pessoa se esbalda no final do ano e corre para academia tentar compensar!
Então o que fazer nesses casos? *E isso serve também para Páscoa, festinhas de criança, casamentos…
– Primeiramente, tenha juízo, pois isso nunca faz mal a ninguém. Coma como se HOUVESSE amanhã;
– (Esta dica vale também para os que não param de perguntar o que comer ANTES de fazer jejum intermitente) Talvez valha priorizar ovos e/ou proteína na refeição anterior. Veja abaixo que as pessoas que comeram ovos, comeram menos na refeição seguinte. ATENÇÃO: muito possivelmente não há nada mágico no ovo! O resultado foi PROVAVELMENTE uma questão de macronutrientes (mais de um e/ou menos de outro), não do alimento em si. Não sabemos ainda se foi comer mais proteína, se foi comer menos carboidrato ou se comer ovos. Não sabemos!
Quem comeu mais ovos (proteínas), na refeição seguinte estava mais saciado do que quem comeu mais carboidrato.
– Por fim, treinar pode não fazer perder muito peso, mas melhora a resistência à insulina. Ou seja, ajuda! Exercício quase nunca fará mal! Se quiser treinar antes, ótimo! Quer treinar (LEVE!) depois? Melhor ainda! Por que não andar um pouco em vez de deitar e dormir? Mas reforço: não há exercício no mundo que compense você comer um pernil e tomar um balde de sorvete.
28072016-aracaju-swimming-camp-29Danilo Balu é paulista, bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP, 2001), acadêmico de Nutrição na mesma instituição (FSP-USP), Engenharia Civil (POLI) e Ciências Atuariais (FEA-USP).
É corredor desde 1990, e durante sua carreira profissional dedicou-se ao estudo do assunto sendo colaborador e consultor de nutrição esportiva para veículos (revistas e sites) de esporte e corrida.
Seus livros, “O treinador clandestino” e “O nutricionista clandestino”, podem ser adquiridos clicando na imagem abaixo.

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