Vovô Cahling e os balões de Mestre Bimba

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Acabo de assistir Kung Fury, e só posso recomendar. Para quem teve a sua infância/adolescência nos anos 1980, é um caldeirão hilário de boas lembranças.
Mas uma das coisas que me chamou a atenção foi o ator que interpreta Thor, o deus do trovão. Nos créditos, vi que era um senhor sessentão chamando Andreas Cahling – e fui pesquisar um pouco sobre ele.
O tiozão é fisiculturista, na ativa desde o final dos anos 70. Provavelmente teve a sua dose de anabolizantes – como todos os grandalhões daquela era. Só que ao contrário do Schwarzenegger, por exemplo, o Vovô Cahling não se deixou amolecer pelos anos. 
Olha a marra do fulano:
Veja bem, jamais vou defender o uso de anabolizantes. Mas o que o público em geral se esquece é que anabolizantes são só uma parte da “equação do bombadão”: as outras duas partes, para variar, são dieta e exercício físico intenso.
Por mais bomba que o Vô Cahling tenha tomado, pode ter certeza de que ele gastou ANOS puxando ferro e comendo comida decente, para ficar desse jeito (além de provavelmente já ter nascido mesomorfo).
Eu não tenho esperança (e nem vontade) de ficar desse tamanho: nasci ectomorfo, e não tenho tanta disposição para malhar. Mas continuo fazendo a minha “obrigação”: diariamente dou ao meu corpo alimentos que não o detonem, e o faço trabalhar no limite algumas vezes por semana. 
O grande Mestre Bimba, criador da capoeira regional, ao ensinar aos seus alunos sobre como se comportarem ao serem projetados por um oponente (ou seja, quando “tomarem um balão”), dizia:

Se te jogarem prá cima, meu fio, contorça o corpo para cair como você quiser. Se você não fizer força para cair como quiser, vai cair do jeito que o diabo quiser.

Nós “tomamos um balão” no dia em que nascemos: somos jogados no mundo, e uma grande parte de como vamos “aterrissar” depende única e exclusivamente das nossas escolhas. Para morrer, basta estar vivo.

Não dá para escolher como morreremos (ou pelo menos, a maioria das pessoas não faz isso conscientemente), só como viveremos (dadas as nossas condições, é claro).

O que você vai ser quando crescer ? Ou vai deixar para escolher na hora de aterrissar ?

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