Projeto Pé no Chão: Huaraches v1.0

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Pouco mais de uma semana sem usar sapato fechado, e meus pés já estão muito mais felizes. Durante a semana passada, fui trabalhar de sandália e a melhora foi boa – mesmo ela tendo um drop (desnível entre o calcanhar e a frente do pé) considerável, sendo feita de borracha macia e uns 2cm de altura.
Só de não apertar o pé por inteiro, já melhorou…
Ao longo da semana, andei pesquisando sobre calçados minimalistas, e esbarrei com as huaraches – sandálias usadas pelos índios tarahumara do México, feitas tradicionalmente de couro e pneu (ao que tudo indica, antes da chegada do Colombo, eram feitas inteiramente de couro – inclusive a sola).
Os tarahumara são conhecidos pelas longas corridas disputadas pelos membros das tribos, nas quais a sandálias são usadas: nada de amortecimento artificial para o calcanhar, é tudo na ponta dos pés mesmo – como a natureza nos selecionou.
Ay caramba! Huaraches autenticos de Mejico!
Uma busca rápida na internet me achou diversas maneiras de se fazer um huarache. No domingo, resolvi construir o meu primeiro par. O material usado foi:
  • 1 placa de piso emborrachado (4mm de espessura)
  • 3m de corda de nylon (3mm de espessura)
  • Caneta
  • Papel
  • Tesoura
  • Furadeira (um furador de couro teria sido muito melhor, mas eu não tinha à mão)

Acabou que não usei a corda azul (era muito espessa)
Não vou ficar recontando os passos de como fazer, porquê tem tutoriais muito bons internet afora (usei esse aqui). O resultado foi um par de sandálias toscas, mas extremamente confortáveis:
Depois que experimentei e ajustei o tamanho certo, removi esse monte de corda excedente

Isso tudo aconteceu no domingo à noite. Ontem foi o dia de estrear os novos “sapatos”, na caminhada para o trabalho e depois para a faculdade.

Chique no úrtimo!
Na ida para o trabalho, perfeito: a sandália é fina o suficiente para que você “sinta” o chão, mas não tanto. Cacos de vidro maiores ou pedras pontiagudas provavelmente fariam um estrago, mas vai da atenção de cada um… Andei os 3km para o trabalho sem problemas – e olha que eu tinha previsto calos/assaduras nos pontos de contato entre a corda e os pés. Nadica de nada.
Um bocado de gente ficou me olhando esquisito no percurso – provavelmente tentando entender como/porquê alguém que não tem a aparência de morador de rua (roupas limpas, penteado, mochila, óculos escuros, fone de ouvido) pode escolher “andar descalço”. Eu mesmo tive que me policiar algumas vezes para não cair na armadilha de achar que estava “errado”: é muito fácil perder-se nas convenções sociais e acreditar que você está errado por não condizer com a norma 🙁
À noite, no caminho para a faculdade, a sandália direita arrebentou… Não sei se furei muito próximo à borda, ou se o material é que era fraco, ou se o furo não foi exatamente circular (se ficarem imperfeições, rasga mesmo – isso eu já sabia). Fato é que arrebentou, e não tive ânimo para fazer outra de madrugada. 
Valeu a experiência, e agora é melhorar o design. Vou voltar para a sandália convencional até ter um novo huarache implementado.
Ao longo dos últimos 10 dias, também comecei a fazer exercícios para os pés, conforme as sugestões do Sisson. Acho que ainda não teve efeito significativo, mas pelo pouco tempo, era de se esperar que não houvesse mesmo. Por outro lado, percebi que o meu tornozelo direito, que torci ano passado, não está bento. Para correr em linha reta (fiz alguns sprints no domingo), sem problemas. Mas basta começar a flexioná-lo para os lados, e o danado reclama. Preciso de um ortopedista para olhar melhor isso…
Veredito: o Projeto Pé no Chão continua. Tem barreiras técnicas e sociais, mas há de valer a pena.

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