La dolce vita

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Na semana passada, a minha sogra foi para o sítio na quinta-feira. Me ligou na própria quinta, dizendo que a minha casa havia sido invadida (gelei!)… por abelhas!
As danadas acharam uma fresta no forro, e como ficamos sem visitar a casa por 3 semanas, se sentiram donas do pedaço.
Quem olhava de fora achava que era só um punhado de abelhas…
Mas quem entrava na casa, tomava um susto 🙂

Eu falei para a minha sogra não se preocupar, que eu ia dar jeito de ir ao sítio no final de semana seguinte e tirava as inquilinas. Ela foi bem mais valente que a maioria das pessoas, improvisou uma armadura com uma capa de chuva, acendeu tochas e encarou o desafio.
O resultado foram milhares de abelhas mortas, o chão besuntado de mel e cera, e roupas de cama defumadas.
Acabei indo eu mesmo ao sítio no domingo, para tentar dar jeito no pós-guerra. Ainda tinha muitas abelhas por lá, e a guerra continuou. Eu fui munido de casaco, luvas, touca e óculos de natação, e não tomei nenhuma picada (mas elas bem que tentaram). Uma pena não ter tirado foto do quão ridícula a minha roupa estava 🙂
O resultado do combate foi mais de 1kg de mel em favo, que derreti  e guardei. 

Como eu nunca tinha derretido favo antes, errei a mão e 
ficou um bocado de cêra misturado. O jeito é cuspir 
um “chiclete” de vez em quando…
A casa continua caótica – acho que vai precisar de mais umas duas visitas para limpar – e estou contando que as formigas não tenham aparecido nesse meio tempo para lamber o mel do chão…
O mel extraído é MUITO mais claro e gostoso do que o que tenho hábito de comprar. Provavelmente porque foi feito a partir das flores locais (bem variadas) ao invés de 100% flor de eucalipto, como é o padrão.
Fiquei realmente sentido pelo mundaréu de abelhas mortas, mas o risco era grande – se tivesse sido a minha filha a entrar na casa e a esbarrar com a colméia, nem quero pensar no que poderia ter acontecido.
Em resumo, posso imaginar o motivo de o mel não ter sido um alimento constante no cardápio dos nossos ancestrais paleolíticos… Gostoso ? Sem sombra de dúvida! Agora vá lá buscar uma quantidade capaz de te fazer mal (que é o que tenho em mãos agora, por exemplo), e veja se é fácil. Ou brigava com um enxame, ou com um urso…

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