Por que eu não consigo perder peso ?

Artigo traduzido por Antônio Junior. O original está aqui.


Por que eu não consigo perder peso? Eu ouço essa pergunta o tempo todo. É geralmente seguida por algo como "meu melhor amigo utilizou esta dieta da internet e perdeu 15kg. Por que eu não consigo?"A questão básica é algo assim. Se o meu amigo usa uma dieta LCHF para perder peso, por que não funciona para mim? Ou, se alguém usa uma dieta Paleo, por que não funciona comigo?

A resposta realmente reside na natureza multifatorial da obesidade. Vamos voltar ao nosso Diagrama da Teoria da Obesidade Hormonal (HOT). 

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Se você não se lembra de todas as partes para a etiologia da obesidade, pode querer rever a parte 6 da minha série de palestras no YouTube ou rever os últimos 45 ou mais posts sobre a etiologia da obesidade. Comece com "Calorias parte 1".

Como você pode ver, a insulina é o principal motor da obesidade. Mas há muitas coisas que podem aumentar ou diminuir a insulina. Grãos refinados, carboidratos e proteínas animais podem aumentar os níveis de insulina. O cortisol também é um jogador importante em estimular a secreção de insulina. Frutose aumenta a resistência à insulina diretamente, o que indiretamente leva ao aumento dos níveis de insulina.

Há também fatores que não estão relacionados à questão "o que comemos". Esse é o papel-chave desempenhado pela resistência à insulina. Ela tanto causa quanto é causada por altos níveis de insulina – um ciclo vicioso clássico. Isso é responsável pela natureza temporal da obesidade. O gordo fica mais gordo. Quanto mais tempo você tiver obesidade, mais difícil será livrar-se dela.

Por quê? Porque quanto mais tempo você passar pelo ciclo de alta de insulina → resistência à insulina → alta de insulina, pior fica. Assim, a obesidade de longa data é muito mais difícil de erradicar do que a obesidade recente, como todo mundo já sabia.

Há também um certo número de fatores de proteção contra a obesidade. Os efeitos da incretina, vinagre e fibra todos ajudam a proteger contra o aumento de insulina e desempenham um papel protetor.

A chave para entender a obesidade é que muitas coisas diferentes podem contribuir para o desenvolvimento e o tratamento. Considere a analogia de seu carro não dar partida. Pode haver vários problemas. Por exemplo, a bateria está morta, o carro ficou sem gasolina, ou as velas de ignição estão desgastadas. Então, se o seu problema é que a bateria está morta, encher de gasolina não vai ajudar. Nem substituir as velas de ignição. Isso parece meio óbvio.

Mas em seguida, proliferam sites que falam sobre como trocar as baterias é a cura para carros que não dão partida. Eles estão cheios de testemunhos de como as pessoas mudaram as baterias e seus carros voltaram a funcionar sem fazer esforço. Outras pessoas atacam o website dizendo que eles mudaram as baterias e nada aconteceu. Em vez disso, eles se encheram de gasolina e o carro pegou, então, obviamente, a chave para ligar o carro está encher-­se de gasolina.

Isso é exatamente o que acontece no mundo maluco da perda de peso. Quando você está tentando perder peso, as pessoas assumem que há apenas um problema para todos. Se o seu problema é a resistência à insulina, então reduzir os carboidratos pode não ser a melhor estratégia (jejum intermitente pode funcionar melhor). Se o seu problema é a privação de sono/estresse, então aumentar a fibra não vai ser muito bom.

Cortar açúcar funciona bem para aquelas pessoas cujo problema é o consumo excessivo de açúcar. Eles escrevem livros e sites sobre como o açúcar é o diabo. Outros pensam que é ridículo e acham que grãos refinados (trigo) é o verdadeiro diabo porque saíram-se bem reduzindo os grãos. Outros pensam que o alívio do estresse é o principal problema na perda de peso. Outros culpam as calorias. Todos eles ridicularizam o outro e preenchem a internet com depoimentos. Pior, todos eles começam a discutir sobre como o problema real são os carboidratos, ou o açúcar, ou o trigo, ou as calorias, ou o estresse, ou a privação do sono, ou a fibra, ou as proteínas animais etc.

Você deve entender que todos eles podem estar corretos. A obesidade não é um problema único. Não há uma solução única. Uma dieta pobre em açúcar funciona surpreendentemente bem para alguns, e não tão bem para outros. Assim como substituir a bateria vai funcionar para alguns carros e não fará diferença para outros.

Então ­ por que não consigo perder peso?


Porque você deve estar mirando no caminho errado. Você deve encontrar o problema específico que está causando a sua obesidade e direcionar para essa via. 

Exemplo 1­. Vamos dizer que você sofre de uma síndrome de dor crônica, ou fibromialgia. Isso aumenta o seu nível de estresse e seu cortisol é cronicamente elevado. Isto leva a glicose elevada e estimulação da insulina. Isso faz com que você ganhe peso. Então cortisol é o seu problema, você precisa usar tratamentos que focam nesse caminho. Isso inclui tratamento médico para a dor crônica, acupuntura, massagem, meditação, yoga, etc. Isso irá ajudar a diminuir o nível de cortisol e tratar seus problemas de ganho de peso. Reduzir o consumo de calorias ou de carboidratos não vai ser particularmente bem-sucedido. Isso é porque estes não foram os problemas que aumentaram níveis de insulina em primeiro lugar.

Exemplo 2. Suponha que você é crônicamente destituído de sono. Sabemos que esta situação aumenta os níveis de cortisol e vai levar ao ganho de peso. Reduzir os açúcares em sua dieta não vai ser particularmente bem-sucedido, porque não era o seu problema. Você precisa encontrar um novo emprego, melhorar a qualidade do sono ou simplesmente dormir mais.

Exemplo 3.­ Suponha que seu principal problema é o ciclo de resistência à insulina. Este ciclo vicioso desenvolveu-se ao longo de décadas, e a resistência à insulina é agora o principal estímulo a seus altos níveis de insulina. Reduzir carboidratos pode não ser o tratamento mais eficaz. Por quê? Porque o seu problema é a resistência à insulina. Reduzir carboidratos irá diminuir insulina e reduzir o ciclo vicioso, mas este ciclo foi executado por décadas. Então o que você precisa fazer? Lembre­-se de que a questão da resistência à insulina é principalmente uma questão de 'quando para comer'. Portanto, para quebrar a resistência, você precisa de um período sustentado de baixa insulina. Isto significa que o jejum será mais eficaz aqui do que a simples restrição de carbos. Você também vai precisar de tempo, porque ela teve tempo para desenvolver-se e vai exigir tempo para ser resolvida.

Exemplo 4.­ Suponha que seu amigo toma suplementos de fibras e perde peso. Mas isso não funciona para você. Por quê? Porque o problema do seu amigo pode ser excessos de carboidratos, e fibras irão ajudar a reduzir os picos de insulina associados à ingestão de carboidratos. No entanto, se o seu problema não é esse, aumentar as fibras não vai funcionar tão bem.

Exemplo 5.­ Por que o comedor de arroz asiático da década de 1990 não desenvolveu obesidade? Naquela época, a China estava comendo dietas extremamente ricas em carboidratos (arroz branco) . Mas também comiam praticamente sem açúcar, muito pouca proteína animal, muito vinagre (legumes em conserva), rico em fibras, e não lanches. Isso significa que todos os outros caminhos para a insulina foram fechados já que eles só comiam arroz. Eles comiamm montes de fatores de proteção. Eles não comiam constantemente, portanto, não desenvolviam resistência à insulina. Eles tinham quase nenhum açúcar e, portanto, não desenvolviam resistência à insulina. O resultado final? Sem obesidade.

Exemplo 6. ­Suponha que você coma uma dieta muito rica em amidos não-refinados, como batata­doce. Ao mesmo tempo, você restringe severamente a proteína animal. Será que vai funcionar? Com certeza poderia. Isso aumenta os carboidratos, sim, mas diminui a proteína animal. Você também eleva significativamente a fibra dietética. Isto pode ser suficiente para influenciar o equilíbrio e queda de insulina o que levará à perda de peso.

Quero deixar claro que não sou anti­carboidratos. Eles são apenas uma peça do quebra­-cabeça,­ embora grãos refinados e açúcares tendam a ser a maior parte do quebra-­cabeças. Eles são certamente obesogênico, mas há outras maneiras de compensar de modo que a insulina global não aumente. Eu sou anti­hiperinsulinemia. A insulina provoca obesidade. Se carboidratos aumentam a insulina, então, carboidratos irão causar obesidade. Mas certamente você pode ajustar a sua dieta para que seja pesada em carboidratos e que baixe insulina. Afinal, os kitavanos comem uma dieta muito rica em carboidratos e ainda tinham os níveis de insulina menores do que 95% da população sueca. Os habitantes de Okinawa comiam dieta de quase 70% batata-­doce, sem qualquer obesidade. Claro, ambas as populações ainda comem praticamente sem açúcar, e não há grãos refinados (trigo).

Cortisol 


O erro de diagnóstico mais comum que vemos em nosso programa é a confusão crônica de estresse/cortisol. Vemos pessoas que entram e juram que elas não conseguem perder peso. Então, em cima de sua história, descobrimos que algum fator não­-alimentar é responsável pelo ganho de peso. Por exemplo, podemos encontrar alguém que está tomando alguns medicamentos antipsicóticos. Alguns deles aumentam a insulina. Ou encontramos síndromes de dor. Ou privação do sono.

MindfulMeditationBem, não admira que mudanças na dieta não façam qualquer diferença, já que não estava lá o problema. Era o cortisol/estresse o tempo todo. Enquanto eu gostaria de poder escrever que ajudamos a corrigi-­los, a triste verdade é que estes problemas são muito mais difíceis de tratar. Enquanto maneiras testadas de reduzir os níveis de estresse e de cortisol, a maioria dos pacientes simplesmente não seguem o nosso conselho de procurar por meditação de consciência plena / oração / religião / yoga / acupuntura / massagem. Eles chegaram a nossa clínica de dieta, recebem conselhos para meditar e olham para nós como se tivéssemos duas cabeças. Há, entretanto, boas evidências de que as coisas tais como meditação possam ter um efeito sobre a perda de peso.

Na Universidade da Califórnia, em São Francisco, um experimento foi feito com a meditação de consciência plena e mostrou que poderia reduzir os níveis de cortisol. Isso não é surpresa, já que a meditação tem sido feito há milhares de anos como um método de aliviar o estresse. Esta diminuição no cortisol foi estreitamente em paralelo com uma diminuição na gordura abdominal.

A coisa importante a saber sobre ela, é que a meditação não muda o estressor real. Por exemplo, suponha que seu chefe está te deixando louco. Você estará sob um monte de estresse. A meditação não vai mudar isso nem um pouco. O que vai mudar é a resposta do seu organismo ao estresse. No fim das contas, é isso que é importante. Ao diminuir a resposta do cortisol, há uma diminuição na gordura abdominal. Seu chefe ainda é o estúpido de antes. Você só mudou a resposta do seu organismo a este estressor.

Um pensamento final sobre o alívio do estresse. É sempre um pouco surpreendente para mim como a religião organizada está muito à frente do jogo. Pense sobre as práticas que pregam. Oração (similar à meditação). A crença em um poder superior / confissão (alívio do estresse). Cerimônias semanais, como missa (sentido de comunidade e continuidade ­ importante para aliviar o estresse). Sessão de pequenos grupos (amizade e sentimento de pertencer: alívio do estresse). O jejum. Sim, o jejum. Todas essas práticas que são tão importantes para uma boa saúde foram estabelecidas há milhares de anos.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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