O segredo ancestral da perda de peso


Não há realmente nenhum limite superior para os regimes de jejum. Mais uma vez, vou acrescentar uma nota de advertência: Se você estiver tomando medicamentos ou especialmente se você tem diabetes, você precisa falar com o seu médico antes de começar. 

Os açúcares do sangue muitas vezes caem com regimes de jejum, mas se você estiver tomando medicamentos, pode descer muito . Esta é uma condição potencialmente fatal, chamada hipoglicemia. Isso muitas vezes se manifesta como tremores, sudorese e, por vezes, convulsões. Medicamentos muitas vezes precisam ser ajustados incluindo aqueles para glicemia e pressão arterial.

Além disso, se você não se sentir bem em qualquer momento durante o jejum, você deve parar. Você pode sentir fome, mas você não deve se sentir fraco, ou com indisposição ou náuseas. Isso não é normal e você não deve tentar "forçar". Eu não estou recomendando especificamente quaisquer regimes de jejum, apenas tento documentar vários regimes de jejum em uso generalizado.

PetRockO recorde mundial para o jejum é 382 dias (N.T.: o Paleodiário já escreveu sobre esse caso aqui). Foi um homem de 27 anos de idade na Escócia, que jejuou a fim de perder peso. Ele pesava 207kg no início do período de jejum. Durante este tempo, ele só tomou um multi­vitamínico e algo chamado "Paladac", que era vitamina C e levedura. Por que diabos alguém decidiu que comer fermento era tão importante está realmente além da minha compreensão, mas ei, isso foi no início dos anos 1970 – quando pedras de estimação e discoteca eram populares também, então você pode imaginar.

Ele podia beber tanto líquido não-calórico quanto quisesse. Afinal, você iria sobreviver menos de 3 dias sem fluidos, por causa de desidratação significativa. Em vários períodos, ele recebeu alguns suplementos de potássio e sódio, e ele foi monitorado por um médico durante todo o período de jejum para ver se houve quaisquer efeitos deletérios sobre sua saúde.

WorldRecFast ElectrolytesA constipação é um dos principais problemas que vemos em jejum. A razão parece bastante simples. Há muito pouco entrando no intestino, de modo que sai pouco na outra extremidade. Este é um problema que enfrentamos rotineiramente no nosso ambulatório. Nesse recorde mundial de jejum, este paciente apresentava evacuações aproximadamente a cada 37­-48 dias. O que é importante notar é que este é um fenômeno normal e não uma aberração. Você não precisa ter uma evacuação diária para sentir-se bem. No entanto, menos de uma vez por mês parece algo extremo.

Seu peso diminuiu de 207 para 83kg. Até 5 anos depois, ele manteve­-se com 90kg. Uma das preocupações mais persistentes sobre o jejum é o efeito sobre eletrólitos. Você pode ver no gráfico de acompanhamento que o açúcar no sangue não baixou mais, mas manteve­-se no limite inferior da normalidade. Não houve episódios de hipoglicemia. Isto é, é claro, era de se esperar, uma vez que o corpo irá iniciar o processo de gliconeogênese (produção de glicose) a fim de abastecer o cérebro e de outras peças que precisam dela (medula renal e células vermelhas do sangue). Mesmo o cérebro neste ponto está utilizando principalmente cetonas. Como mostrado anteriormente, o músculo não é consumido para fornecer glicose (gliconeogênese). Em vez disso, a estrutura de glicerol dos triglicéridos (gorduras) é reciclada em glicose, enquanto as três cadeias de ácidos graxos são utilizadas para combustível pela maior parte do corpo.

WorldRecFast MagnesiumOs níveis de cálcio e fósforo no sangue variam ao longo da duração do jejum, mas geralmente permanecem dentro dos limites normais e ficam praticamente inalterada até o final. O mesmo vale para uréia plasmática e creatinina, que são amplamente utilizados como medida da função renal. Sódio, potássio, cloreto e bicarbonato estiveram todos inalterados e na faixa normal. Neste estudo, o ácido úrico permaneceu estável, apesar de outros estudos terem demonstrado algum aumento do ácido úrico.

Níveis de magnésio sérico diminuíram neste estudo. Isto é consistente com o que vemos em nossa clínica também. Parece ser especialmente prevalente em diabéticos. É importante perceber que 99% do magnésio do organismo é intracelular e não-mensurável pelos níveis sanguíneos. Neste estudo os pesquisadores deram o passo seguinte para medir o teor de magnésio no interior das células, e os níveis de magnésio dos eritrócitos permaneceram firmemente no intervalo normal. No entanto, muitas vezes suplementamos com magnésio para ter certeza.

A taxa de perda de peso foi de 0,324kg por dia em média, em todos os 382 dias. Outros estudos do jejum além de 200 dias mostraram taxas semelhantes de perda de peso (de 0,184 a 0,301kg por dia) durante períodos de 210, 236, 249 e 256 dias. Esta média de 0,254kg/dia ((0,184 + 0.324) / 2) é realmente muito interessante.

Supomos que 1kg de gordura tem 7000 calorias. Esta é um número amplamente citado, mas não especialmente preciso. Se assumirmos que se come 2000 calorias por dia, então nós esperaríamos 2000/7000 = 0,285kg de perda de peso por dia, o que é bastante próximo ao número visto na prática. Assim, para um paciente com 50kg de gordura a perder, você pode esperar que seriam necessários cerca de 175 dias para perder tudo. 175 dias! Eu geralmente não assino embaixo da teoria das calorias pela razão de que a redução calórica resulta em gasto calórico reduzido. Em outras palavras, diminuindo as calorias que entram, diminuem as calorias gastas – resultando em uma estagnação na perda de peso.

No entanto, no caso do jejum, a teoria calórica mantém-se como prometido – resultando em uma perda de peso muito próxima do previsto se o gasto calórico permanecer estável. Em outras palavras ­ o metabolismo não diminui em jejum. Uma redução calórica prolongada, por outro lado, demonstradamente diminui o metabolismo.

O segredo ancestral


Eu às vezes chamo o jejum intermitente "segredo ancestral da perda de peso". Por que recorro a tal hipérbole no estilo Dr. Oz? Bem, porque é verdade. É uma técnica antiga de perda de peso ­ datando do tempo dos antigos gregos. Então, se você quiser falar sobre as práticas testadas pelo tempo, nada bate o jejum. Considere-­se que dietas low-carb como endossadas por William Banting também têm uma longa história, mas apenas que data de meados dos anos 1800. A obesidade foi bastante rara na época de Jesus Cristo, então o jejum era utilizado como um método de preservação de boas condições de saúde e melhorar a clareza mental.

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Mas por que o jejum é um "segredo"? Bem, porque as autoridades nutricionais passaram os últimos 30 anos nos convencendo de que precisamos comer mais para perder peso. E nós ouvimos todas essas mentiras.

Você deve sempre tomar café-da-manhã dentro de um minuto depois de sair da cama.
Você deve comer lanches constantemente, durante todo o dia ou então você vai ser consumido pela fome e encher a cara com biscoitos recheados Krispy Kreme.
Você deveria comer 6­7 refeições por dia ou então você vai ser consumido pela fome e encher sua cara com biscoitos recheados Krispy Kreme.
Você deveria comer um lanche antes de dormir ou então você vai estar com fome durante o sono e, em seguida, encher sua cara com biscoitos recheados Krispy Kreme quando acordar.
Você nunca, nunca deveria perder uma refeição. Caso contrário você vai ser consumido pela fome e encher sua cara com biscoitos recheados Krispy Kreme.
Se você perder uma única refeição, você vai desenvolver distúrbios alimentares como anorexia.

BeatAnorexiaEste último deve ser um dos mitos mais idiotas por aí. O jejum não é algo exatamente divertido. É um caminho muito longo ir da obesidade mórbida à anorexia. Além disso, a anorexia é um distúrbio psicológico da imagem corporal. O jejum não leva à anorexia mais do que lavar as mãos levam a transtorno obsessivo compulsivo. Mas essas mentiras persistirem.

No entanto, por causa de todas as preocupações, você pode ter certeza que há estudos que mostram que o jejum intermitente não leva a transtornos alimentares.

Infelizmente, o público em geral comprou essas mentiras. Você pode ver que a partir de 1977, a grande maioria das pessoas comiam 3 vezes ao dia. Por volta de 2003, a maioria das pessoas comiam 5­-6 vezes por dia. Este conselho para perda de peso foi tão útil como uma terceira narina.

Grande parte deste aumento nas oportunidades para comer foi provavelmente financiado pela indústria alimentícia. Eles querem vender mais alimentos. É mais fácil vender mais alimentos se as pessoas comem mais freqüentemente. Assim, a fim de fazer isso, eles precisavam ter certeza de que você não nunca perderia uma única refeição.

Então aqui está a conclusão.

Você pode jejuar? Sim ­ literalmente milhões de pessoas ao redor do mundo por milhares de anos tem feito isso.

É não­-saudável? Não. Na verdade, tem enormes benefícios para a saúde, que nem sequer abordamos ainda.

Você vai perder peso? Aqui é a coisa louca. As pessoas têm sido convencido de que o jejum vai fazê­las ganhar peso (o bicho-­papão do "modo de fome"). OK, Einstein se você não comer nada durante 2 semanas, você acha que você vai perder peso? É óbvio.

É difícil? Na verdade, não. Milhões de pessoas fazem isso. Mas não é exatamente divertido, também.

Assim, o jejum é eficaz, simples (uma regra principal: não coma), flexível (muitos regimes diferentes), prático (poupa tempo e dinheiro), e praticamente garantido que funcione. Então, por que as pessoas não o apóiam? Porque ninguém ganha dinheiro de você quando você jejua. Somente quando você compra coisas malucas como shakes substitutos de refeição. Ninguém quer que você descubra o segredo ancestral da perda de peso.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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