Artrite reumatóide

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Barry Groves

Resultado de imagem para rheumatoid arthritis handsDeve haver poucas pessoas, se é que existe alguma, que nunca sofreram de dor na região inferior da lombar em algum momento de suas vidas. Problemas nas costas são algumas das reclamações mais comuns em consultórios médicos. A cada ano, cerca de 2% dos pacientes de qualquer clínico o procuram por dor nas costas.

Beverly tinha sofrido de dores intermitentes nas costas, de moderadas a severas, por mais de 10 anos. Ela me disse que em 1 semana procedendo como recomendei, descobriu que a dor tinha desaparecido completamente. Ela comentou: "A dor só retorna quando eu escorrego na alimentação. Eu a atribuo ao trigo, pois mesmo as escapadas com chocolate não parecem provocar problemas".

Este caso ilustra uma simples relação de causa e efeito, assim como à parte de estudos de povos ancestrais, testes clínicos também já mostraram que carboidratos – particularmente os oriundos de cereais – na dieta podem causar artrite [1]. Eles também podem ser responsáveis por outras condições.

A artrite, uma praga comum da sociedade moderna, existe em 2 grandes formas:

  • Osteoartrite, que é causada por desgaste e consequentemente apresenta-se em geral em pessoas de meia-idade ou idosas
  • Artrite reumatóide, que pode se apresentar em qualquer idade

A osteoartrite já foi encontrada nos mais antigos restos de humanos e animais. Mas evidência da artrite reumatóide não foi identificada antes de cerca de 2750 AC, momento no qual o consumo de grãos já tinha se tornado popular.

Osteoartrite


A osteoartrite tende a acompanhar a osteoporose. Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Wayne State em Detroit, testaram a hipótese de que mulheres com artrite tinham menor densidade óssea [2]. Eles encontrarm uma diminuição significativa na densidade óssea de pacientes do sexo feminino com osteoartrite relativamente leve no joelho, quer elas tivessem ou não osteoporose – baseado na medição da densidade óssea de ossos da coluna. A osteoartrite é conhecida por ser mais prevalente em pessoas obesas [3]. Não é surpresa que as articulações protestem por ter que suportar um corpo mais pesado.

A experiência de Vilhjalmur Stefansson


O antropólogo Dr. Vilhjalmur Stefansson, nem sempre seguia seus próprios conselhos. Como explorador, ele viveu em dieta sem carboidratos por muitos anos e acreditava nela. Entretanto, entre 1927 e 1955 ele comeu a dieta ocidental padrão. Ao longo do tempo, ganhou peso – chegando a um máximo de 83.6kg. Para controlar seu peso, Stefansson tentou reduzir as calorias por alguns anos mas perdeu apenas 2.5kg. Ele também percebeu que estava desenvolvendo rigidez em um joelho. Isso piorou gradualmente e, quando tinha 75 anos, Stefansson também teve aumento de dores no quadril e ombros. Eventualmente, 1955 ele decidiu reverter para a "dieta da Idade da Pedra", contendo somente carne e gordura, que ele tinha usado em suas explorações do Ártico. Funcionou. Não apenas ele perdeu o excesso de peso, mas a dieta curou sua artrite. A esposa de Stefansson, Evelyn, observou [4]:

À medida que seu joelho enrijeceu, ele começou a subir as escadas um degrau por vez. Um dia, alguns meses após o início da nossa dieta baseada em carne, ele descobriu – para sua surpresa – que conseguia usar novamente as duas pernas com igual facilidade, para subir as escadas. Maravilhado, ele desceu. Quando tinha chegado ao pé da escada, sem dores ou rigidez, ele gritou para eu vir ver.

Stefansson acrescentou:

Eu gritei pela Evelyn, porque tinha descoberto algo que não tinha previsto. A recuperação não apenas do meu joelho direito, enrijecido, mas de todas as minhas articulações, abençoadamente incluindo meus dedos, tinha sido "mágica".

Stefansson viveu em sua "dieta da Idade da Pedra" até sua morte em 1962, aos 83 anos, sem qualquer problema articular.

Artrite reumatóide


A artrite reumatóide nunca é encontrada em restos animais. Também nunca foi encontrada em esqueletos de povos que comiam milho, tais como os índios da América Central. Mas ela já foi encontrada igualmente em todas as culturas e raças que comiam trigo, centeio e aveia. Tais descobertas sugerem que a artrite reumatóide é uma condição induzida pelo glúten, similar à doença celíaca [5].

Atualmente, a artrite e outras condições reumáticas estão entre as doenças mais prevalentes e as mais frequentes causas de incapacitação [6]. Um relatório americano sobre mortalidade e morbidade publicado em 2001 estimou que perto de 43 milhões de americanos tinham artrite reumatóide em 1997. Isso porque eram 35 milhões em 1985 – um aumento de quase 25%. Todas as faixas etárias eram afetadas, incluindo a população em idade de trabalho, e a prevalência aumentava com a idade. A prevalência era maior em mulheres no geral e por faixa etária. Não há razão para supor que a situação seja diferente no Reino Unido e outros países industrializados.

Mas em uma pesquisa com índios norte-americanos em 1932, o Dr. Weston Price buscou especificamente pela presença de artrite em grupos mais isolados. Ele não encontrou um caso sequer, e também nunca ouviu falar de nenhum caso. Entretanto, ele comentou: "quando feito o contato com alimentos da civilização moderna, muitos casos são encontrados – inclusive 10 pessoas confinadas à cama em cerca de 20 lares indígenas" [7]. Um garoto de 5 anos de idade tinha estado em leitos hospitalares com febre reumática, artrite e comprometimento cardíaco sério por 2 anos e meio. Sua mãe tinha sido informada de que o menino nunca iria recuperar-se, tão serveras eram as complicações. Ela pediu ajuda ao Dr. Price em planejar um programa nutricional para o menino. Ele nos conta:

A mudança importante que fiz no programa dietário do garoto foi a remoção dos produtos de farinha branca, substituindo-os por trigo fresco moído e aveia com leite integral adicionado de pequena quantidade de manteiga produzida por vacas alimentadas com pasto. Pequenas doses de óleo de fígado de bacalhau, rico em vitaminas, também foram adicionadas. Nessa época, o garoto estava tão severamente debilitado pela artrite, com joelhos e pulsos inchados, e coluna rígida, que ficava confinado à cama e chorava o tempo inteiro. Com a melhora da sua nutrição, que foi a única mudança feita em seu tratamento, sua dor aguda rapidamente passou, seu apetite melhorou muito, ele dormia profundamente e ganhou peso rapidamente [8].

Artrite reumatóide é uma doença auto-imune complexa, que involve numerosos fatores ambientais e genéticos, e similar a um número de outras doenças auto-imunes, é encontrada mais frequentemente em pacientes celíacos [9].

Muitos estudos de pacientes artríticos demonstraram elevados níveis de anticorpos contra a gliadina (uma proteína encontrada no glúten) [10, 11]. Apesar de não haver grandes estudos clíncos para avaliar especificamente a efetividade de dietas livres de glúten no tratamento da artrite, há numerosos estudos de casos que reportam o alívio dos sintomas com dietas sem grãos [12-15].

A outra metade do protocolo do Dr. Price – adicionar gordura – é suportada também por um estudo recente que mostrou que melhorar a proporção entre ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 ao comer óleos de peixes e outros óleos ricos em ômega-3, é benéfico [16]. Não era necessário comer muito, entretanto. A ingestão total reportada de ácidos graxos ômega-3 era de 3.1g/dia, e desses, 1.2g eram de EPA e DHA. Isso é pouco mais que a metade de uma colher de chá no total. É importante não exagerar nisso.

Também vale a pena notar que a morbidade e mortalidade por doença cardiovascular são aumentadas em pacientes com artrite reumatóide, e muito da morbidade da doença cardiovascular parece ser devida à aterosclerose [17]. Isso poderia ser um indicador de um fator causador comum entre as duas doenças, apesar de que também poderia ser que o tratamento convencional da artrite aumenta o risco cardiovascular.

Referências


  1. Darlington LG, et al. Placebo-controlled, blind study of dietary manipulation therapy in rheumatoid arthritis.Lancet 1986; i: 236-238.
  2. Karvonen RL, et al. Periarticular osteoporosis in osteoarthritis of the knee. J Rheumatol 1998; 25: 2187-2194.
  3. National Institutes of Health. Clinical guidelines on the identification, evaluation, and treatment of overweight and obesity in adults: the Evidence Report. Bethesda, MD: US Department of Health and Human Services, 1998.
  4. Stefansson V. Discovery: The autobiography of Vilhjalmur Stefansson. New York: McGraw-Hill Book Co., 1964.
  5. Medical World News. December 18, 1964.
  6. Morbidity and Mortality Weekly Report: Prevalence of Arthritis – United States, 1997. MMWR 2001; 50: 334-336.
  7. Price WA. Nutrition and Physical Degeneration. New York & London: Paul B. Hoeber, Inc, 1939: Chap 6.
  8. Ibid: Chap 15.
  9. Lepore L, et al. Prevalence of celiac disease in patients with juvenile arthritis. J Pediatr 1996; 129: 311-313.
  10. O’Farrelly C, et al. Association between villous atrophy in rheumatoid arthritis and a rheumatoid factor and gliadin-specific IgG. Lancet 1988; ii: 819-822.
  11. Lepore L, et al. Anti-alpha-gliadin antibodies are not predictive of celiac disease in juvenile chronic arthritis.Acta Paediatr 1993; 82: 569-573.
  12. Shatin R. Preliminary report of the treatment of rheumatoid arthritis with high protein gluten-free diet and supplements. Med J Aust 1964; 2: 169-172.
  13. Williams R. Rheumatoid arthritis and food: A case study. BMJ 1981; 283: 563.
  14. Beri D, et al. Effect of dietary restrictions on disease activity in rheumatoid arthritis. Ann Rheum Dis 1988; 47: 69-77.
  15. Lunardi C, et al. Food allergy and rheumatoid arthritis. Clin Exp Rheumatol 1988; 6: 423-426.
  16. Hagfors L, et al. Fat intake and composition of fatty acids in serum phospholipids in a randomized, controlled, Mediterranean dietary intervention study on patients with rheumatoid arthritis. Nutr Metab 2005; 2: 26.
  17. Gerli R, Goodson NJ. Cardiovascular involvement in rheumatoid arthritis. Lupus 2005; 14: 679-682.

Recomendado para você

Thanks for your comment

Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

Visualizações

Seguidores