O seu desejo por carboidratos imita a dependência de drogas em seu cérebro

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Andrew Fiouzi



Como a personagem "Fat Bastard" da série Austin Powers já resmungava, "Carbos são o inimigo". É um mantra que muitas pessoas que tentam perder alguns quilos adotaram, e com bom motivo: há anos, o pensamento convencional, tal como defendido por um grande proporção dos muitos pesquisadores e clínicos que estudam o tema, é que a obesidade é causada pelo excesso calórico, principalmente sob forma de carboidratos. Isso às vezes é referido como um transtorno do "equilíbrio energético", com o tratamento, é claro, de consumir menos calorias e gastar mais. "A coisa é vista como uma questão psicológica ou mesmo uma questão de caráter", Dr. David Ludwig, um professor de Harvard Medical School e pesquisador da obesidade, disse ao New York Times em julho.

Mas de acordo com a pesquisa publicada no American Journal of Clinical Nutrition, está se tornando cada vez mais evidente que os carboidratos, como drogas ou outras substâncias formadoras de hábitos, podem realmente ser viciantes, com os carboidratos de digestão rápida (como pão e açúcar) estimulando regiões do cérebro envolvidas em compulsões e vícios.

Houve muitas pesquisas no passado para mostrar que alimentos açucarados podem desencadear liberação de dopamina nos centros de prazer do cérebro. O aspecto surpreendente da pesquisa de Ludwig, no entanto, é que mesmo quando as pessoas não estão necessariamente conscientes de que estão comendo carboidratos, a ingestão de grandes quantidades de carboidratos de rápida digestão ainda ativa os centros de prazer do cérebro de uma maneira que não é diferente para drogas.

Em outras palavras, não é a delícia de uma sobremesa que "acende" o nosso cérebro – são os próprios carboidratos.

Mas o que há nos carboidratos que pode ser tão viciante?

De acordo com Laura Schmidt, professora da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Francisco, "O caso é que, se você tiver altos picos de glicose no sangue [causada pelos carboidratos], eles serão seguidos por quedas bruscas, o que fará com que você anseie por mais". Mas vai além do seu sangue: 85% de toda a glicose que você ingere vai para seu cérebro, e quando ele entende que está sofrendo um déficit de glicogênio (na realidade, apenas uma queda seguindo o pico de açúcar no sangue), simplesmente desejará mais – com urgência.

Outra razão tem a ver com o efeito da insulina (o hormônio produzido pelo seu pâncreas e usado para transformar o açúcar dos carboidratos em energia) no metabolismo dos carboidratos. "Eleve os níveis de insulina, mesmo um pouco, e o corpo deixa de queimar gordura como combustível, para queimar carboidratos por necessidade", disse o Dr. Robert Lustig, um endocrinologista pediátrico da Universidade da Califórnia em San Francisco, ao The New York Times no início do verão. E quanto mais insulina você produzir, mais você anseia por carboidratos.

Ainda assim, a noção de que certos alimentos – especificamente carboidratos de absorção rápida – podem ser literalmente "viciantes" não é sem controvérsia. "[O estudo] não diz se esta é a razão pela qual eles obtiveram obesidade", disse Lustig à NPR . "Ou se isso é o que acontece uma vez que você já está obeso".

Basicamente, não está claro se a relação de causa e efeito de comer carboidratos e desencadear certas respostas no cérebro é realmente um vício, como drogas ou álcool, ou uma compulsão, como o sexo. "Há uma diferença entre compulsão e dependência", explicou o psicólogo neurocientista Jim Pfaus em 2016 . "A dependência não pode ser interrompida sem grandes consequências, incluindo a nova atividade cerebral. O comportamento compulsivo pode ser interrompido; é apenas difícil fazê-lo".

No entanto, Schmidt desenvolveu uma estratégia para pacientes que afirmam serem viciados em carboidratos. "A estratégia padrão é semelhante a qualquer outra forma de dependência: mude seu ambiente, altere sua rede social e observe cuidadosamente o padrão de suas ânsias, mantendo um diário".

"Uma vez que você sabe quando seus gatilhos disparam, você se prepara para eles de forma proativa", diz ela. "Você vem com substitutos".

Então, embora possamos ainda não estar prontos para começar a frequentar os "Carboidratos Anônimos", é reconfortante saber que é mais do que falta de força de vontade que nos faz destruir um pacote de chips tamanho familiar em uma única sentada.

Que tal fazer parte da lista de emails do Paleodiário e receber uma versão em alta resolução da Tabela Periódica de Alimentos Paleo?

Recomendado para você

Thanks for your comment

Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

Visualizações

Seguidores