Compreendendo a obesidade

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Compreendendo a obesidade
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Digestão Normal

Todos os alimentos são compostos de uma combinação de três componentes principais, chamados macronutrientes:

  1. Carboidratos
  2. Proteína
  3. Gordura

Cada um desses macronutrientes é composto por unidades funcionais menores. Os carboidratos são cadeias de glicose e outros açúcares. Proteínas são cadeias de aminoácidos. Gorduras (triglicerídeos) são cadeias de ácidos graxos. 

Existem também pequenas quantidades microscópicas de vitaminas (A, B, C, D, E, K, etc.) e minerais (ferro, cobre, selênio etc.), conhecidos como micronutrientes.

A estrutura primária de uma proteína é a sequência de cadeias de aminoácidos

A digestão decompõe os macronutrientes para absorção na corrente sanguínea. Isso fornece energia (calorias) e as matérias-primas necessárias (proteínas, gorduras) para construir células. Certos macronutrientes devem ser obtidos de nossa dieta porque não podemos fazê-los nós mesmos. São chamados aminoácidos essenciais (como arginina e leucina) e ácidos graxos essenciais (como as gorduras ômega 3 e ômega 6), mas não há carboidratos essenciais. Sem esses nutrientes essenciais, ficaríamos doentes.

Cada um dos três macronutrientes é metabolizado de forma diferente. Carboidratos, cadeias de açúcares como glicose e frutose são quebrados em açúcares individuais para absorção. Os carboidratos refinados (por exemplo, farinha) são absorvidos muito mais rapidamente na corrente sanguínea do que os carboidratos não-refinados que ainda podem conter quantidades significativas de proteínas, gorduras e fibras.

A digestão quebra as proteínas da dieta em suas partes componentes, chamadas aminoácidos. Estes são enviados para o fígado, onde são usados ​​para reparar e reconstruir proteínas celulares. O uso primário desses aminoácidos NÃO é para uso como energia. Estes são usados ​​para construir proteínas como células sanguíneas, ossos, músculos, tecido conjuntivo, pele, etc. No entanto, se você comer proteínas excessivas, o corpo não tem como armazenar esses aminoácidos extras. Em vez disso, estes são transformados em glicose pelo fígado. Estima-se que 50 a 70% da proteína ingerida seja transformada em glicose em uma pessoa média norte-americana.

A gordura é composta por moléculas chamadas triglicerídeos. A digestão de gordura requer a bile que mistura e emulsifica a gordura da dieta para que seja mais facilmente absorvida pelo corpo. A gordura é absorvida diretamente no sistema linfático, que então deságua na corrente sanguínea. Os triglicerídeos são absorvidos pelas células de gordura (adipócitos). Como a gordura dietética não requer o fígado para o processamento inicial, ela não requer insulina como hormônio de sinalização. Assim, a gordura dietética quase não tem efeito sobre os níveis de insulina. Gordura dietética é absorvida mais ou menos diretamente para a nossa gordura corporal.

Armazenamento de energia alimentar

O corpo tem dois métodos complementares de armazenamento de energia. Pode armazenar energia como:

  1. Glicogênio no fígado
  2. Gordura corporal

Quando você ingere carboidratos ou proteínas (em excesso às necessidades corporais), a insulina aumenta. Todas as células do corpo (fígado, rim, cérebro, coração, músculos, etc.) servem-se deste buffet de glicose à vontade. Se sobrar alguma glicose, ela deve ser armazenada. Moléculas individuais de glicose são “amarradas” juntas em longas cadeias chamadas glicogênio. Este é um processo relativamente simples. O processo inverso, quebrando glicogênio de volta em glicose componente individual para fornecer energia quando não estamos comendo (jejum) também é bastante fácil.

Pontes glicosídicas – o glicogênio é um polissacarídeo formado pelo excesso de glicose no corpo

O glicogênio é produzido e armazenado diretamente no fígado. Quando a insulina sobe, o corpo armazena energia alimentar como glicogênio. Quando a insulina cai, como acontece no jejum, o corpo quebra o glicogênio de volta em glicose. O glicogênio hepático dura aproximadamente 24 horas se não comermos nada. O glicogênio só pode ser usado para armazenar energia alimentar a partir de carboidratos e proteínas, e não de gordura dietética, que não é processada no fígado e não se transforma em glicose.

Quando os estoques de glicogênio estão cheios, o corpo usa uma segunda forma de armazenamento de energia – gordura corporal. A gordura dietética e a gordura corporal são compostas de moléculas chamadas triglicerídeos. Quando comemos gordura dietética, ela é absorvida e enviada diretamente para a corrente sanguínea para ser absorvida pelos adipócitos. O excesso de glicose no fígado que não pode ser colocado no armazenamento completo de glicogênio deve ser transformado em triglicerídeos através de um processo chamado de “lipogênese de novo”.

O fígado cria nova gordura a partir desse excesso de glicose, mas não pode armazená-la. Gordura deve ser armazenada em células de gordura, não no fígado. Assim, o fígado exporta a gordura como lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL), que a transporta ao adipócito para armazenamento a longo prazo. O fígado transforma essencialmente o excesso de glicose em gordura e a transporta para os adipócitos para armazenamento a longo prazo. Este é um processo muito mais trabalhoso que o armazenamento de glicogênio. A vantagem de usar gordura corporal como armazenamento de energia alimentar é que não há limite quanto ao quanto pode ser armazenado.

Comer > Aumento da insulina > Armazena açúcar no fígado, Produz gordura no fígado

Estes dois sistemas diferentes para armazenar energia alimentar complementam-se bem. O glicogênio é fácil e conveniente, mas limitado em espaço de armazenamento. A gordura corporal é mais difícil e inconveniente, mas ilimitada no espaço de armazenamento.

Pense em glicogênio como uma carteira. O dinheiro está facilmente disponível, mas o espaço de armazenamento é limitado. Pense em gordura corporal como dinheiro no seu banco. É muito mais difícil mexer no dinheiro, mas há uma quantidade ilimitada de espaço de armazenamento. Para atividades diárias regulares, é mais simples usar sua carteira. É a melhor solução a curto prazo. No longo prazo, no entanto, usamos um banco para manter as economias da sua vida.

O estado em jejum

No estado de jejum, quando você não come, os níveis de insulina caem, já que a comida é o principal estímulo à insulina. Embora a palavra jejum possa parecer assustadora, ela se refere apenas a qualquer momento que você não esteja comendo. 

É o outro lado ou lado ‘B’ de comer. Você está comendo ou jejuando. Quando você dorme, por exemplo, você está em jejum. A palavra “desjejum” refere-se justamente à refeição que quebra o nosso jejum, indicando que o jejum é verdadeiramente uma parte da vida cotidiana. 

Nossos corpos só existem em um dos dois estados – o estado alimentado (insulina alta) ou o estado de jejum (insulina baixa). Nosso corpo está armazenando energia alimentar ou está usando-a. No estado de jejum, devemos confiar em nossas reservas de energia alimentar para sobreviver.

Queima o açúcar do fígado, Queima gordura no fígado < Reduz a insulina < Jejuar

Insulina alta diz ao nosso corpo para armazenar energia. Insulina baixa sinaliza ao nosso corpo para usar a energia armazenada dos alimentos, porque nenhum alimento está chegando.

Primeiro, nós quebramos o glicogênio em glicose para energia. Isso dura aproximadamente 24 horas. 

Se passarmos mais tempo sem comida, precisaremos usar as reservas de energia alimentar mais difíceis de serem acessadas na gordura corporal. Se você usar o dinheiro em sua carteira, precisará obter o dinheiro na conta bancária mais difícil de acessar.

Um corpo saudável existe em um equilíbrio entre alimentação e jejum. Às vezes nós armazenamos a energia da comida (o estado alimentado) e às vezes nós a queimamos (o estado de jejum). É difícil queimar gordura corporal, porque é naturalmente mais difícil obter acesso a ela. Quando a insulina está alta, seu corpo quer armazenar energia alimentar, não queimá-la. A insulina bloqueia a queima de gordura.

Armazenando a energia dos alimentos (estado alimentado) x Queimando a energia dos alimentos (estado de jejum)

A insulina alta nos diz para fazer depósitos no nosso “banco de gordura”. Insulina baixa nos diz para fazer retiradas do nosso “banco de gordura”. 

Se você quer perder peso, você precisa fazer duas coisas. Ao fazer depósitos, você quer fazer depósitos menores (comer alimentos com baixo nível de produção de insulina). 

Esta é a questão de “o que comer”. Carboidratos refinados e açúcar tendem a causar os mais altos níveis de insulina. Portanto, reduza o consumo desses alimentos. 

Em segundo lugar, você quer gastar mais tempo fazendo retiradas (passar mais tempo no estado de jejum). Esta é a questão de “quando comer”. Se você passar mais tempo em jejum, queimará mais energia armazenada, também conhecida como gordura corporal.

Toda a perda de peso se resume a essas duas coisas – o que comer e quando comer. 

Enquanto obcecamos pela primeira questão, quase ignoramos a segunda. É melhor comer 6 vezes ao dia ou uma vez por dia? Se você comer 6 vezes ao dia, está dizendo ao seu corpo para armazenar gordura 6 vezes ao dia. Essa é uma receita para engordar e ter azia. 

A combinação mágica de comer alimentos com baixo estímulo de insulina, que são praticamente todos os alimentos naturais não-processados ​​e o jejum intermitente (lembre-se de que o jejum faz parte da vida cotidiana) é o melhor e mais simples método de perda de peso a longo prazo.

A insulina é um dos principais reguladores hormonais do peso corporal. A obesidade é um desequilíbrio hormonal, não calórico. 

Simplificando, a insulina provoca obesidade, portanto, a redução da insulina é o principal trampolim para a perda de peso. O foco perigosamente equivocado nas calorias não necessariamente se refere ao desequilíbrio hormonal subjacente.

Artigo de Jason Fung, traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

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