Adeus, pirâmide alimentar!

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No final do ano passado, o Ministério da Saúde publicou o novo Guia Alimentar para a População Brasileira – que ganhou elogios mundo afora por deixar de lado o foco nos macronutrientes individuais e concentrar-se nos alimentos. O recado é bem claro: coma o mínimo de alimentos processados possíveis, e deixe os ultra-processados para ocasiões raríssimas. A base da nossa alimentação deve ser o alimento não-processado – leia-se “comida de verdade”.
Mas afinal, o que é um alimento não-processado, um processado e um ultra-processado ? O guia dá alguns exemplos:
  • Não-processados: abacaxi, carne, arroz, leite
  • Processados: abacaxi em calda, queijo, pão, peixe enlatado
  • Ultra-processados: refrigerante, suco de caixinha, macarrão instantâneo, chips, balas, creamcheese, nugget de peixe, salsicha

Embora continue batendo na tecla “calorias são tudo o que conta” (dica: não são! Leia mais aqui e aqui) e que “grãos são saudáveis” (dica: não são, especialmente em excesso. Leia mais aqui), o guia 2014 dá um passo enorme à frente: uma dieta sem processados de qualquer tipo, ainda que seja rica em carboidratos (por exemplo, com muitas frutas e arroz) será certamente melhor (ou “menos pior”, como queira 🙂 que uma dieta rica em waffer, biscoito recheado, sorvete e refrigerante. E não é por causa das calorias excessivas somente…
Mas uma das coisas mais bacanas foi perceber que não existe mais menção à famigerada “pirâmide alimentar”. Em uma apresentação feita em Washington (EUA), o nutricionista Carlos Monteiro (da USP, um dos responsáveis pelo guia) foi taxativo: exibiu a pirâmide com um belo “X” vermelho. 
E já vai tarde!
A mensagem era: o “comer bem” não deve prender-se a nutrientes individualmente (até porque sabe-se que dar a uma pessoa nutrientes isolados não tem o mesmo efeito de servi-los sob forma de alimento), e sim à qualidade da comida.
Certamente, um grande passo!
Ainda sobre o assunto, leia esse excelente texto da nutricionista Josiane Giaretta.

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