Por que as pessoas rejeitam as dietas cetogênicas, mesmo quando elas funcionam?

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por It's the woo

No trabalho, alguns dias atrás, eu estava sentada ao lado de uma nova enfermeira; ela é muito jovem (mais ou menos da idade que eu tinha quando comecei a usar uma dieta cetogênica para minha obesidade) e está muito acima do peso. Além de ser uma mulher jovem (portanto, o senso comum diz que ela prefere ser magra), observando seu comportamento alimentar tornou evidentemente óbvio que esta pobre menina tem tentado por anos corrigir sua obesidade. Ela sempre recusa comida se lhe é oferecida, e quando traz comida raramente a come – e é sempre comida saudável como saladas.

Eu suspeito que ela pode ter o problema comum de tentar passar fome e se abster de quase toda a nutrição, apenas para depois entrar em compulsão (e possivelmente purgar) por alimentos obesogênicos/insulinogênicos. Seu peso é simplesmente alto demais para ser produzido pelos padrões alimentares que ela demonstra publicamente. Esse tipo de comportamento, evitando alimentos e compulsão por carboidratos é bastante comum entre as mulheres jovens com excesso de peso que não entendem ou aceitam a hipótese endócrina da obesidade – que corresponde à maioria das mulheres jovens obesas. As crises cíclicas de inanição, seguidas por hiperinsulinemia exagerada causada por alimentação compulsiva, produzem hiperplasia adipocitária progressiva mediada por cortisol e insulina, aumentando assim o peso corporal, que é em grande parte permanente. Se alguém for fazer dieta, é IMPERATIVO não se entupir de comida depois! A comilança pós-fome/perda de peso é a maneira como novo tecido adiposo é criado, e via de regra ele é permanente.

As pessoas definitivamente engordam depois de cada fracassada tentativa de fazer dieta, e é por isso que é tão importante aceitar a hipótese endócrina da obesidade e manter, indefinidamente, um programa alimentar que inibe e controla a natureza e a qualidade das respostas à insulina. Diferimos em nossa capacidade de "engordar progressivamente" após uma dieta fracassada; alguns de nós têm o potencial de se tornarem muito obesos, alguns de nós não; a maioria das mulheres que são propensas a fazer dieta já estão acometidas de disfunção do metabolismo da glicose (leve excesso de peso, hipoglicemia ocasional) e, portanto, têm um grande potencial para crescimento de tecido adiposo. Infelizmente, é verdade que estas são as mulheres que correm maior risco de se induzirem à obesidade severa com surtos privação e compulsão, assim como mulheres resistentes à obesidade são menos propensas a passar por ciclos de privação e compulsão. A exceção a isso é naturalmente a anorexia nervosa, mas essa é uma condição polar e oposta, e não-relevante para esta discussão (a anorexia nervosa é freqüentemente uma manifestação do que pode ser considerado "resistência extrema à obesidade", e mesmo privação severa nunca provocará rebote de ganho de peso ou obesidade)

De qualquer forma, de volta à minha infeliz colega de trabalho. 

Já estou neste jogo tempo suficiente para saber nunca, nunca, nunca, falar sobre perda de peso com uma pessoa com excesso de peso, especialmente uma mulher muito jovem. Quando elas me vêem, pensam que eu sou algum tipo de magrela chata e desagradável que não tem idéia do que é ser gorda. Elas raramente acreditam na minha história, mesmo quando eu digo que eu costumava ser obesa, e muitas vezes elas pensam que eu sou muito jovem para saber alguma coisa (e raramente acreditam que eu sou 10 anos mais velha que elas). Mais cedo ou mais tarde, o assunto tende a surgir, porque eu vou recusar a comida cheia de glicose obesogênica que me oferecerem... o que naturalmente inspira seu ressentimento e ira porque uma vaca arrogante, magrela e egocêntrica como eu está tentando controlar seu peso.

Eu temo essa conversa. É inevitável, no entanto. Mulheres assim monitoram os hábitos alimentares de todas as outras mulheres ao seu redor, especialmente as magras/jovens. Eu me recuso a comer comida de merda para aplacar os outros, então isso vai acontecer. O que é lamentável é que meu instinto é sentar-me ali longamente e educar essas pessoas sobre insulina e açúcar no sangue; como o peso corporal é mediado pelo sistema endócrino e tudo o que lhe foi dito sobre nutrição é uma mentira religiosamente motivada.

No entanto, eu sei por experiência própria que isso é inútil, não funciona, e nossas percepções de peso e alimentação são pesadamente infundidas de dogmas religiosos emocionais e não em racionalidade ou ciência. Veja o blog da WHS (N.T.: Women's Health Study - um estudo que já dura décadas, analisando o impacto de diversas coisas - inclusive nutrição - sobre a saúde das mulheres) para mais informações sobre isso. Tentar levar essa pessoa a aceitar que seu peso corporal e comportamento alimentar é produto do sistema endócrino, padrões de crescimento de gordura corporal, leptina e adiponectina e GLP-1 e estabilidade de nutrientes sanguíneos e, acima de tudo, estimulação da insulina sobre adipócitos que determinam o crescimento de gordura? 

Eu teria mais sorte em sentar com os terroristas do Oriente Médio e fazê-los aceitar que não há virgens depois que você se explodir, que é tolice lutar uma jihad contra o ocidente, e que essas coisas podem ser tratadas de maneiras mais produtivas.

Simplesmente não vai acontecer, não de minha parte. 

De qualquer forma, aconteceu que alguém nos ofereceu algum tipo de nutrição baseada em glicose de merda e nesse ponto eu disse "não, obrigado, eu não posso comer açúcar e só consumo bebidas dietéticas" (eu estava comendo outra coisa, então não era razoável dizer "eu não estou com fome"). 

Então, é claro, minha colega de trabalho se virou para mim e disse: "Ah, você é ridícula, você é tão magra que não posso acreditar que você come comida dietética" ou algo nesse sentido. 

Naquele momento eu disse "na verdade eu costumava estar muito acima do peso..." que é quando eu sabia que essa conversa iria pisar em gelo fino. Ela me sondaria para ter mais informações e eu explicaria que costumava ser mais gorda do que ela; e então, quando ela pedisse ajuda, eu daria respostas vagas de que não me exercito e nem me privo de comer, e apenas sigo uma dieta muito restrita em carboidratos... o que naturalmente a levaria a responder com incredulidade que minha história é genuína... porque de maneira nenhuma alguém poderia ser tão magro quanto eu sem se exercitar e passar fome, certo? 

Ou, alternativamente, ela começaria a me censurar por comer carne e gordura, o que muitas mulheres com excesso de peso fazem quando você sugere remotamente que os carboidratos estão majoritariamente implicados no excesso de insulina selvagem e nos distúrbios de sinalização endócrina provocando a obesidade de tal gravidade.

Então, eu preferiria que a conversa nem sequer começasse. Esta menina está condenada a passar fome, compulsão, e talvez vomitar até que pese mais de 150kg. Não há nada que eu possa fazer sozinha para mudar suas percepções. Ela sabe de tudo, é uma nutricionista experiente, os carboidratos são saudáveis ​​e todos os veganos magros os comem, e as anoréxicas os comem, e os asiáticos os comem, e o governo + nutricionistas sugerem que comamos mais e que cortemos a gordura. Quem sou eu, senão uma pessoa mentindo sobre seu peso, mentindo sobre sua idade, mentindo sobre o fato de não usar drogas, passar fome ou fazer exercícios para ficar magra? Isso é tudo que sou; uma cadela louca dizendo para ela comer carne e gordura quando isso é obviamente insano. 

A coisa mais interessante sobre esses tipos de praticantes de dieta é que eles sempre tentaram uma dieta muito baixa em carboidratos antes! E isso funcionou para eles. Mas quando eles saíram dela (porque é perigoso, porque não pode ser sustentado, porque o governo + os médicos + indústria disseram para eles saírem) eles recuperaram todo o seu peso. Então, claramente, eu simplesmente não entendo. Tudo com moderação. 

Normalmente, o que acontece quando a conversa chega a este ponto (eu vagamente descrevendo minha história, e o que eu faço para evitar que seja minha realidade atual) é que simplesmente paro de falar quando eles começam a discursar sobre seu próprio caso (que é único!) e o que é necessário saber sobre a obesidade e como comer gordura é terrível e blá blá blá. Eu apenas sento lá, calo a boca, escuto e deixo a conversa sofrer uma morte natural.

Eu, sozinha, tenho menos de zero de poder para desfazer décadas de má-informação e lavagem cerebral e zero estruturas de apoio social/bons recursos para pessoas obesas. 

Eu apenas sento lá em silêncio, como um ateu na parte de trás de uma igreja.

Quer aprender mais sobre dieta cetogênica? É só clicar aqui. Se você precisa perder peso ou controlar a resistência à insulina, não há forma mais eficiente...

Que tal fazer parte da lista de emails do Paleodiário e receber uma versão em alta resolução da Tabela Periódica de Alimentos Paleo?

Recomendado para você

Thanks for your comment

Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

Visualizações

Seguidores