Os assustadores riscos de viver sem carne à saúde mental

Fiquei um pouco em dúvida sobre traduzir o artigo abaixo, porque algumas das afirmações feitas, sobre uma alimentação sem carne ser boa para perder peso e para combater o câncer, me parecem pouco embasadas. Não são citadas referências, embora saibamos que o famoso Estudo de Saúde das Enfermeiras associou uma dieta rica em vegetais e pobre em carboidratos a uma chance menor de câncer de mama.

Ainda assim, acredito que é um texto importante de se ler: porque peso, risco de câncer e afins são apenas parte do estado complexo que chamamos de "saúde". E o que se passa em nossas cabeças faz parte também...

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Jill Waldbieser



Mais e mais mulheres estão se deixando de lado o consumo de carne... e isso pode ter impacto em suas mentes. Novas pesquisas sugerem que embora possa ajudar com o excesso de peso, reduzir o risco de câncer e aumentar a expectativa de vida, o vegetarianismo pode vir com efeitos colaterais menos conhecidos: ataques de pânico. Transtorno obsessivo-compulsivo. Depressão. Aqui investigamos o incômodo golpe de viver sem comer carne - e como comer apenas plantas, sem ficar ter problemas mentais.

Seus sintomas foram repentinos e graves. A paciente de Drew Ramsey, de 35 anos, sempre esteve apta e ativa, mas sua energia despencou. Quando conseguia arrastar-se para a academia, não adiantava. Sentia-se ansiosa e muitas vezes ficava à beira das lágrimas sem motivo, mesmo quando estava com amigas. O pior de tudo foram seus ataques de pânico, uma ocorrência rara no passado, mas agora tão comum que ela estava com medo de perder seu emprego porque tinha problemas para sair da cama: ela ficava aterrorizada em pegar o metrô de Nova York.

Ramsey, um professor e psiquiatra da Universidade de Columbia com 14 anos de experiência, queria colocá-la sob medicação. Sua paciente relutava. Ela estava tão consciente do que colocava em seu corpo, e tinha até mesmo desistido da carne havia um ano, tendo ouvido falar de todos os benefícios para a saúde do vegetarianismo. Então Ramsey prescreveu outra coisa: bife de gado alimentado com pasto.

Pode soar como um episódio de House, mas Ramsey teve um pressentimento. Ele já havia visto um vínculo dramático entre humor e comida (e pesquisou isso para o seu próximo livro "Eat Complete") e adivinhou que a dieta bem-intencionada, sem carne, de sua paciente, era o próprio fato causador da sua deterioração mental. Dito e feito, seis semanas depois de adicionar proteína animal de volta ao seu prato, sua energia se recuperou e seus ataques de pânico caíram 75%.

Seu caso está longe de ser único. "Eu ouço dos vegetarianos todos os dias, eles têm essa terrível depressão e ansiedade , e eles não entendem o porquê", diz Lierre Keith, autor de O Mito Vegetariano. "As pessoas pensam que estão comendo uma dieta linda e justa, mas eles não percebem que há um lado escuro potencial".

É verdade que muitos dos estimados 8 milhões de vegetarianos americanos são atraídos pela promessa da dieta de ter um peso, coração e planeta mais saudáveis. Eles deixam de lado a carne bovina, aves e suína, sem saber que um crescente corpo de pesquisas sugere uma ligação entre a alimentação sem carne e o risco elevado de transtornos mentais sérios.

Mesmo se não pensarmos em paleo, há décadas que o consumo de carne foi considerado verdadeiramente saudável. Praticamente todos os dias, parece, um novo estudo emergente mostrando que as dietas vegetarianas são a chave para tudo, desde perder peso até bater câncer. Um grupo de pesquisadores da Califórnia até encontrou evidências de que a deixar a carne pode aumentar mais de três anos em sua vida útil.

O amor a viver só de plantas foi bem além da opinião médica - tornou-se parte de uma mudança cultural. Cerca de 29 milhões de adultos dos EUA agora participam da "Segunda-feira sem carne". A Amazon apenas, tem mais de 7.000 livros de receitas veganos em seu inventário (60 deles são best-sellers). A Open Table possui dezenas de listas de "melhores restaurantes para vegetarianos", destacando chefs estelares experimentando com refeições de zero carne. Até cadeias como Wendy e White Castle têm hambúrgueres vegetarianos.

É difícil argumentar com a ciência - e com um movimento aprovado por todos de Gandhi a Beyoncé. E é natural assumir que o máximo da saúde mental e uma atitude perpetuamente brilhante são apenas mais dois efeitos colaterais do estilo de vida vegetariano brilhante.

Por isso, foi surpreendente no ano passado, quando pesquisadores australianos revelaram que os vegetarianos relatavam ser menos otimistas quanto ao futuro do que os comedores de carne. Além disso, eles eram 18% mais propensos a relatar depressão e 28% mais propensos a sofrer ataques de pânico e ansiedade. Um estudo alemão separado sustenta isso, encontrando que os vegetarianos eram 15% mais propensos a condições depressivas e duas vezes mais propensos a sofrer transtornos de ansiedade.

Mesmo os profissionais acham as estatísticas confusas, no estilo "o ovo ou a galinha". "Nós não sabemos se uma dieta vegetariana causa depressão e ansiedade, ou se as pessoas que estão predispostas a essas condições mentais gravitam para o vegetarianismo", diz Emily Deans, uma psiquiatra de Boston que estuda o vínculo entre comida e humor.

Provavelmente, diz Deans, há verdade em ambas as teorias. As pessoas com tendências ansiosas, obsessivas ou neuróticas podem estar mais inclinadas a micro-gerenciar seus pratos (em um estudo, os vegetarianos tiveram três vezes maior o risco de desenvolver um transtorno alimentar em comparação com os amantes da carne). No entanto, todos os especialistas concordam que, independentemente de onde você classificar em uma escala de 1 para o TOC, o que você mastiga e engole desempenha um papel importante no que acontece na sua cabeça.

"A alimentação é um fator na saúde mental", diz Ramsey. "Devemos falar sobre isso. Você não pode apenas fazer uma mudança radical em sua dieta e esperar que não tenha nenhum efeito sobre você mentalmente".

Nutrição arriscada


Rápido: Nomeie alguns "alimentos bons para o cérebro". Bem, há abacate. Azeite. Nozes. Carne vermelha? Não muito. No entanto, as evidências antropológicas mostram que, muito antes de podermos optar por subsistir em queijo de caju e tofu, a carne animal forneceu calorias densas em energia necessárias para alimentar os cérebros em evolução. Sem carne, nunca teríamos amadurecido além da capacidade mental dos herbívoros, como os gorilas.

Hoje, cérebros mais fortes ainda são alimentados por carne de bovino ou, pelo menos, por muitos dos nutrientes comumente encontrados em proteínas animais. No topo da lista estão vitaminas do complexo B, que o seu miolo precisa para bombear neurotransmissores como o glutamato; baixos níveis delas têm sido associados a depressão, ansiedade e TOC (soa familiar?). Da mesma forma, escassos níveis de zinco e ferro, dois nutrientes muito mais prevalentes em carnes do que plantas, podem se manifestar como mau humor ou pior. "Atendi vegetarianos que pensavam estar tendo ataques de pânico quando era realmente uma deficiência de ferro", diz Deans. Sem ferro para ajudar o sangue a transportar o oxigênio pelo corpo, o cérebro recebe menos O2, deixando-o lento e mais propenso a falhar. Depois, há o triptofano, um aminoácido essencial encontrado quase que exclusivamente em aves. Seu corpo não consegue fabricá-lo e precisa dele para produzir serotonina, um hormônio que age como antidepressivo natural no cérebro.

Alguns vegetarianos, inadvertidamente, cavam um buraco ainda mais fundo enchendo-se de pão branco, arroz e macarrão; cereais carregados de açúcar; e cookies. Esta assim chamada "dieta do carboidrato" é livre de carne mas é rica em problemas, diz o médico Vincent Pedre, autor de "Happy Gut". "A gangorra de açúcar no sangue e níveis de hormônio pode levar a mais irritabilidade, depressão e ansiedade".

A carne no meio


Naturalmente, muitos vegetarianos nunca experimentam nada nem parecido com problemas de saúde mental, e os experientes conseguem comer dietas que contornam as deficiências nutricionais acima mencionadas. Claramente, é possível ajustar-se, e até prosperar, com uma existência sem carne.

Mas deixar a carne não deve ser feito de maneira impensada, adverte Deans. Consulte previamente um nutricionista ou médico, especialmente se você é suscetível a transtornos de humor ou tem uma história familiar deles. Em seguida, corte gradualmente. "Comece a usar a carne como um enfeite em um prato e não como a principal atração", sugere Diana Rice, RD, uma nutricionista na cidade de Nova York. Outras maneiras saudáveis ​​para se encaixar em uma alimentação baseada em vegetais: reduza para apenas uma refeição carnuda por dia; coma carne apenas nos fins de semana ou certos dias da semana; ou pratique o flexitarismo - o termo para quando se come carne apenas em ocasiões especiais; ou não quando não se come carne, mas ainda se comem produtos lácteos, ovos e peixes.

À medida que você progredir, mantenha um diário sobre como se sente, física e mentalmente. "Todo mundo responde a virar vegetariano de forma diferente", diz Rice. "Alguns sentem-se fantásticos imediatamente, mas alguns podem sentir o mesmo e ainda assim perceberem que estariam melhor com um pouco de proteína animal em suas dietas, afinal".

Isabel Smith, 27, foi uma das últimas. Assim como a paciente de Drew Ramsey, ela era ativa e enérgica e pensou que uma dieta vegetariana era o complemento perfeito para seu estilo de vida consciente da saúde. Mas depois de algumas semanas, sem carne, ela se encontrou inusitadamente chorosa. "Eu estava cansada, frustrada e ficava chateada com mais facilidade, especialmente sobre coisas que normalmente não me incomodavam", diz ela. "Eu ficava triste por nenhuma razão". Pouco depois ela começou a comer carne de novo, e notou uma melhora no humor.

A pegadinha? Smith é uma nutricionista formada. Uma que agora entende pessoalmente o que estuda profissionalmente: nem todos são feitos para uma vida sem carne. Para muitas pessoas, é crucial perceber que a ênfase no conselho popular do autor Michael Pollan para comer "principalmente plantas", nem sempre deve ser na segunda palavra.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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