Sinto que minha mente ajuda meu corpo, e o contrário também é verdade

Não sei muito bem de qual parte da vida considerar o “início” deste processo, então gostaria de demarcar algumas coisas breves sobre mim: fui uma criança magra, com episódios de alergias (de pele e alguns muito graves, com inchaços que me fizeram ainda na infância passar meses sem comer nem pão feito fora de casa), muitas faringites, e depois, com aquelas doenças consideradas “normais”. Tinha uma alimentação com boa oferta de industrializados (iogurtes coloridos, achocolatado, leite e pão diariamente, e lanchava bolachas recheadas – era apaixonada por farinha láctea) e refeições principais tipicamente brasileiras (arroz, feijão, carne e salada). Na adolescência, mantive os mesmos hábitos e fui gradativamente “piorando” esse padrão, por ter um pouco mais de acesso e autonomia de escolhas (aí entraram os salgados de cantina de escola, lanches de fastfood, brigadeiro de panela com as amigas...), e também comecei a ficar um pouco “cheinha” (mas ectomorfa, não aparentava tanto) e com uma acne severa. Só aos 16 anos menstruei pela primeira vez, e meses depois, fui diagnosticada com SOP (síndrome dos ovários policísticos), com indicação do tratamento até hoje indicado: a pílula anticoncepcional, na época, o Diane 35.

Incomodada com as minhas espinhas, fiquei muito animada com o tratamento, e de fato, rapidamente a pele ficou muito lisinha, eu agora menstruava todos os meses (passei a ter cólicas, e nos primeiros meses, estranhei as dores e enjoos – tinha muitas oscilações de humor também). Troquei algumas vezes de medicação, mas jamais de método, que continuava sendo recomendado pela minha ginecologista de confiança, e eu mesma, não considerava um problema utilizar. Tive muita sorte, considerados os riscos e casos envolvendo quem faz uso de pílulas.

Pulando para a vida adulta, fui gradativamente piorando de saúde e aumentando de peso, conforme meu padrão aquisitivo permitia, ia me recompensando com as comidas de que mais gostava, ficando mais sedentária (e cansada, afinal eu agora trabalhava como “gente grande”), e nessa jornada, identifico um ponto muito importante da parte estética: em dezembro de 2012, ao voltar de uma viagem a trabalho, o vestido novo que havia comprado em novembro, precisou da ajuda de dois amigos meus que moravam comigo para fechar nas costas! Eu não tinha muito o hábito de me pesar, mas em algum momento, numa farmácia da vida, eu encontrei o número de 73kg. Esteticamente, não me sentia mal, mas o fato é que estava usando numerações cada vez maiores, e principalmente: eu vivia gripada, com alergias respiratórias, tomava omeprazol todos os dias (sofria de azia e refluxo), e havia lesionado a lombar (de trabalhar sentada, e pelo sobrepeso na barriguinha, que sobrecarregava ainda mais a coluna).

Impactada com o efeito estético disso, comecei a controlar um pouco melhor o que comia, através do FatSecret, sem fazer dieta nem restringir grupos alimentares – no entanto, só o fato de ter aquele contador me mostrando o quanto eu já havia consumido naquele dia, me fez ir ficando mais consciente das quantidades.

Só com isso, já eliminei uns 6-7kg, ao longo de um ano. Ao voltar de umas férias muito safadas no Uruguai (cheias de empanadas e churros), procurei pela primeira vez uma nutricionista funcional, porque queria emagrecer. Só que lá, tive uma verdadeira epifania, quando ela me perguntou sobre meu estado geral de saúde e foi ficando espantada com o fato de que eu tomava há quase 3 anos omeprazol todos os dias (e mesmo assim ainda tinha refluxo e azia), usava fluconazol semanalmente (um tratamento na unha que durava meses), fora todos os outros detalhes que eu considerava “parte da vida”, como minhas crises de enxaqueca (por causa delas, troquei de pílula anticoncepcional para uma que durava 28 dias, e estava há anos sem menstruar).

Logo no primeiro mês, fiquei encantada com a disposição e energia que estava sentindo, perdi 4kg na balança e joguei fora os remédios que tomava com regularidade. A melhora foi visível, não apenas estética (que TODO MUNDO comentava), mas no meu sono, na completa ausência de alergias e gripes, e eu estava muito feliz no geral.

Alguns meses depois, no entanto, comecei com uma sequência que não acabava nunca de infecções urinárias – e vi minha recém conquistada imunidade ir embora, de tanto antibiótico que vinha utilizando. O peso (63kg) já não me incomodava, mas sabe como é – sempre fica aquela gordurinha que a gente não se conforma. Foi numa madrugada de dor que me ocorreu que uma nutricionista poderia me ajudar a recuperar a imunidade, assim como no passado uma já havia me ajudado a emagrecer.

Uma amiga minha era fissurada nos instagrams paleos da vida e assim eu descobri minha nutri querida, a Nanda Muller, naquele momento ainda quaaase anônima e atendendo exclusivamente em Jaraguá do Sul.

Com um plano alimentar inicialmente voltado para a questão da imunidade, sem interesse no emagrecimento, fiz minha primeira experiência no mundo paleo (ainda sem ser lowcarb) e fiquei bastante impactada com os resultados em emagrecimento mesmo sem querer: foram quase 5kg entre uma consulta e outra!

Para encurtar muito a história, ao longo de 12 meses, eu que já me considerava tendo emagrecido, ainda emagreci outros 5kg, chegando aos 55kg, peso que mesmo em toda a minha adolescência não lembro de pesar. Com outras vantagens: sem ter tido uma gripe sequer, me livrando dos anticoncepcionais (e estando sem cistos nos ovários desde então), com muito mais qualidade de vida e saúde física!

Vantagens que eu não esperava obter foram gradativamente aparecendo: cabelos que sempre foram ralinhos começaram a se multiplicar feito capim, as unhas finalmente pararam de descamar e se quebrar por nada, a liberdade psicológica do jejum intermitente (que passei a praticar com regularidade em minha vida, apenas para ver o quanto me sentia mais livre, voando), e os elogios das pessoas, sempre me dizendo que eu estava ficando mais bonita (não só mais magra, que isso já estava – as pessoas constantemente me dizem que estou tão bonita!).

Acho que isso se deu porque hoje estou feliz com o estado interno e externo que meu corpo tem. Sinto que minha mente ajuda meu corpo, e o contrário também é verdade, quando vou ter alguma fase mais conturbada da vida, peço para mim mesma segurar bem a barra, que vamos passar por uma turbulência (eventual falta de tempo, ou muito trabalho), e o vejo responder bem a isso. Confio na minha própria estrutura!

Sempre fui apaixonada por culinária, gastronomia e fazer a minha própria comida. Antes de todas as dietas, eu já fazia meu próprio pão e macarrão em casa, tinha a preocupação em consumir orgânicos, mas com essa filosofia de comer comida de verdade, focada em bicho e planta, minhas preparações (e meu paladar) se modificaram imensamente. Hoje eu sou mais carnívora que antes, quando consumia massas vorazmente, e enfio vegetais em todos os momentos do dia, abusando dos temperos, me beneficiando das gorduras gostosas e naturais. Hoje em dia, uso o meu instagram (@thaismacadamia) para mostrar pelo menos uma refeição dessas por dia, as descobertas culinárias que vou fazendo nas viagens e os pequenos projetinhos que me insiro (de vez em quando topo algum desafio como o #bichoeplanta que adoro, ou como agora que estou me preparando para minha primeira prova de corrida.

Thais

E você? Quer contar o seu caso e ajudar a inspirar mais pessoas? Se sim, escreva um texto, junte umas fotos de antes e depois e mande para paleodiario@gmail.com

Recomendado para você

Thanks for your comment

Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

Visualizações

Seguidores