A mais antiga evidência do impacto humano na geologia da Terra foi encontrada no Mar Morto

Artigo traduzido por Rafael Araújo. O original está aqui.



Cientistas descobriram as primeiras sugestões de mudanças causadas pelo homem nos processos geológicos da Terra, e sugerem que estamos impactando o clima e os ecossistemas do planeta há 11.500 anos.

Com base em amostras de núcleo escavadas do Mar Morto, as taxas de erosão na área eram completamente incompatíveis com o que estava ocorrendo em outros lugares durante esse período e sugerem que a engenhosidade humana deixou sua marca muito mais cedo do que pensávamos.

"O impacto humano sobre o meio ambiente natural está pondo em perigo todo o planeta. Por isso, é crucial entender esses processos fundamentais", diz o pesquisador principal, Shmuel Marco, da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

"Nossa descoberta fornece uma avaliação quantitativa para o início do impacto humano significativo na geologia da Terra e nos ecossistemas".

A descoberta vem como resultado do projeto de perfuração profunda do Mar Morto, que envolveu o uso de uma broca de 1.500 pés (457 metros) para perfurar na bacia do Mar Morto. 

Ao escavar profundamente, os pesquisadores conseguiram acessar um registro de sedimentos dos últimos 220 mil anos e encontraram uma correlação marcante entre o começo da agricultura na área e anomalias nas tendências de erosão e deposição de areia.

Eles descobriram que havia aproximadamente 3 a 4 vezes mais sedimentos finos acumulados na área durante inundações sazonais do que nos milênios anteriores, e isso coincide com o primeiro povoado humano na região.

A equipe sugere que à medida que a vegetação natural foi removida e substituída por culturas, e que o desmatamento abriu caminho para pastorear animais que reduziram ainda mais as plantas e gramíneas naturais, a erosão foi facilitada de forma sem precedentes a partir de 11.500 anos atrás.

Essa alteração não pode ser observada em registros de sedimentos anteriores que remontam a 220 mil anos atrás.

"Observamos um triplo aumento da areia fina que foi levada para o Mar Morto por enchentes sazonais", diz Marco.

"Esta erosão intensificada é incompatível com os regimes tectônicos e climáticos durante o Holoceno - a época geológica que começou após o Pleistoceno há cerca de 11.700 anos".

A descoberta não é apenas importante na medida em que estende o registro da influência humana no planeta, dando-nos mais informações sobre o que poderia acontecer no futuro - poderia tambem ajudar os geólogos a descobrir se precisamos estabelecer uma nova época geológica: o controverso Antropoceno.

Há anos, grupos de pesquisa têm instado a União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) a considerar, pelo menos, como oficialmente, uma nova época geológica causada pela influência humana.

Como explicamos no ano passado, para estabelecer uma época geológica, os cientistas devem confirmar que o impacto geológico é de escala global e é suficientemente significativo para ser claramente definido no futuro registro geológico. 

Por exemplo, você pode assumir que o fim da época do Cretáceo há 66 milhões de anos foi marcado pela morte em massa de todos os dinossauros não-aviários, mas é realmente definido por um "pico" em sedimentos metálicos de irídio que podem ser vistos em estratos escavados no solo. 

Quando o meteorito colidiu com a Terra para iniciar o rápido desaparecimento dos dinossauros, enormes quantidades de sedimento de irídio metálico cobriram todo o globo, criando uma distinta assinatura geológica para um evento que mudaria o mundo para sempre.

Os pesquisadores identificaram muitas mudanças humanas no registro geológico, como o uso de armas nucleares desde a década de 1950, fazendo com sedimentos radioativos se instalarem em um novo estrato .

Outras equipes argumentaram que o Antropoceno começou como resultado da revolução industrial no final dos anos 1700, ou até o final de 1610, quando os europeus colonizaram as Américas.

No começo deste ano, os pesquisadores identificaram uma explosão súbita de diversidade mineral na superfície do nosso planeta que não existiria se não fosse pelos seres humanos e argumentou que o Antropoceno deveria ser estabelecido nos últimos três séculos.

Embora esta última evidência de impacto humano só tenha sido observada na região do Mar Morto, por isso não está perto da escala global que o IUGS está procurando, sugere que nosso impacto nos processos geológicos do planeta tem uma história muito maior do que imaginamos.


Rafael Araújo é lifter, praticante de jiujitsu e muay-thai, estudioso do mundo low-carb, moderador do grupo Pelotão Low Carb e criador do Método MCM. O caso de sucesso dele foi contado aqui no Paleodiário um tempo atrás.


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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

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Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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