Comer laticínios não aumenta o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Denis Campbell

Os meus comentários estão em vermelho.

 

O consumo de queijo, leite e iogurte - mesmo em versões integrais - não aumenta o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral, de acordo com pesquisas que desafiam a crença generalizada de que os produtos lácteos podem prejudicar a saúde.

Os resultados, publicados por uma equipe internacional de especialistas, contradizem a visão de que os produtos lácteos podem ser prejudiciais por causa de seu alto teor de gordura saturada. Os especialistas descartam esse medo como "um engano, uma crença equivocada". (Devagarinho e à custa de muita evidência, a verdade vai aparecendo)

Os resultados vêm de uma nova meta-análise de 29 estudos anteriores sobre se os produtos lácteos aumentam o risco de morte por qualquer causa e de problemas cardíacos graves ou doenças cardiovasculares. O estudo concluiu que tais alimentos não aumentaram o risco de nenhum desses eventos e tiveram um impacto "neutro" na saúde humana. (Só relembrando, em 2014 saiu a maior meta-análise da história feita sobre gorduras, e uma das conclusões foi que "não há evidências de que a gordura saturada apresente risco à saúde humana)

"Esta metanálise mostrou que não havia associações entre o consumo total de produtos lácteos, de lácteos integrais, de lácteos desnatados, leite e os resultados de saúde incluindo mortalidade por todas as causas, doença coronariana ou doença cardiovascular", diz o relatório, publicado no Jornal Europeu de Epidemiologia. (Obviamente, isso não quer dizer que não haja outros problemas com o consumo de laticínios. Algumas pessoas simplesmente não toleram lactose ou reagem mal à caseína)

Ian Givens, professor de nutrição na Universidade de Reading, que foi um dos pesquisadores, disse: 

"Existe uma ampla – mas errada – crença entre o público de que os produtos lácteos em geral podem ser ruins para você, mas isso é um equívoco. Embora seja uma crença amplamente difundida, nossa pesquisa mostra que isso está errado". (Traduzindo: "O Rei está Nu". Hahahaha)

"Tem havido muita publicidade nos últimos 5 a 10 anos sobre como as gorduras saturadas aumentam o risco de doenças cardiovasculares e cresceu a crença de que laticínios devem então aumentar o risco, mas eles não o fazem".

No entanto, os conselheiros de saúde do governo instaram os consumidores a continuarem a ter cuidado em comer demasiados produtos com alto teor de gorduras saturadas e a aderir a versões com baixo teor de gordura. (Aqui entra a dissonância cognitiva, também conhecida como confirmation bias ou tendência à confirmação. Não adianta mostrar que quase 1 milhão de pessoas não tiveram problemas de saúde ao comer laticínios. A crença estabelecida é que faz mal sim, então não há provas que bastem)

"Os produtos lácteos formam uma parte importante de uma dieta saudável e equilibrada. No entanto, muitos são ricos em gordura saturada e sal. Estamos consumindo muito de ambos, aumentando nosso risco de doenças cardíacas", disse um porta-voz da Saúde Pública Inglesa. "Recomendamos a escolha de variedades de baixo teor de gordura de leite e produtos lácteos ou comer quantidades menores para reduzir a gordura saturada e sal na dieta." (Traduzindo: "o método científico que se f*da". Dá vonta de de chorar, né?) 

Givens e colegas da Reading, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e da Universidade de Wageningen, na Holanda, analisaram 29 estudos envolvendo 938.465 participantes de todo o mundo realizados nos últimos 35 anos, incluindo cinco realizados no Reino Unido.

"Não foram encontradas associações entre o consumo de leite e laticínios (de alto ou baixo teor de gordura) com os resultados de mortalidade, doença coronariana ou doença cardiovascular", disseram. Na verdade, acrescentaram, produtos lácteos fermentados podem potencialmente diminuir ligeiramente o risco de ter um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral. (E já foram associados a um melhor controle do diabetes. Inclusive, laticínios eram recomendados como alimentos de grande valor para diabéticos no início do século XX, antes da insulina ser descoberta e da metformina ser inventada)

Médicos, especialistas em saúde pública e diretrizes oficiais de alimentação saudável têm identificado há muitos anos as gorduras saturadas como potencialmente prejudiciais para a saúde cardíaca e cardiovascular e aconselham os consumidores a minimizar sua ingestão. (Independente do monte de evidências dizendo que elas NÃO fazem mal).

Isso levou os consumidores a comprar cada vez mais versões de baixo teor de gordura de produtos lácteos. Por exemplo, 85% de todo o leite vendido no Reino Unido é agora semi-desnatado ou desnatado. (E tome-lhe carboidratos refinados!)

Givens disse que os consumidores estão evitando versões integrais de queijo, leite ou iogurte na visão equivocada de que eles poderiam prejudicar sua saúde. Os jovens, especialmente as mulheres jovens, estão agora bebendo muito pouco leite como resultado dessa preocupação, o que poderia prejudicar o desenvolvimento de seus ossos e levar a condições mais tarde na vida, incluindo osteoporose, ou ossos frágeis, disse ele. Consumir muito pouco leite pode privar os jovens de cálcio. (Aqui já entra o outro lado da moeda: o lobby da indústria do laticínio. Produtos lácteos NÃO SÃO ESSENCIAIS para ninguém. Leite, muito menos. Se você comer uma dieta paleo estrita – que não inclui laticínios – terá TODOS os nutrientes de que precisa. O fato de laticínios não fazerem mal ou fazerem algum bem JAMAIS deve ser motivo para comê-los. Nossa espécie passou milhões de anos sem comer queijo ou tomar iogurte. São gostosos, são saudáveis, mas não são obrigatórios)

As mulheres grávidas que bebiam muito pouco leite poderiam estar aumentando o risco de seu filho ter dificuldades de desenvolvimento neurológico, o que poderia afetar suas habilidades cognitivas e prejudicar seu crescimento, acrescentou Givens. (Esse comentário vai em inglês mesmo: bullshit. Como eu disse antes, excetuando-se as crianças em amamentação, laticínios são desnecessários para ter boa saúde)

A mais recente Pesquisa Nacional de Dieta e Nutrição (NDNS), que é o panorama ocasional colhido pelo governo sobre os hábitos alimentares da população, descobriu que os produtos lácteos, incluindo a manteiga, representaram a maior proporção de consumo de gordura saturada na dieta britânica - 27%, em comparação com os 24% da carne. Mas mesmo se a manteiga for desconsiderada, os demais produtos lácteos juntos são a segunda maior fonte de gordura saturada, com 22%.

Gordura saturada é uma parte vital da dieta. O NDNS descobriu que os adultos tipicamente obtêm 34.6% da sua energia total vinda das gorduras como um todo, logo abaixo dos 35% recomendados pelo governo. No entanto, enquanto o consumo total de gordura estava apenas dentro do alvo, as gorduras saturadas ainda constituíam uma proporção pouco saudável de energia alimentar total - 12,6%, contra o máximo recomendado de 11%.

Givens disse: "Nossa meta-análise incluiu um número muito grande de participantes. Estamos confiantes de que nossos resultados são robustos e precisos". (Pronto: voz da razão falando)

A pesquisa foi parcialmente financiada pelos três grupos pró-laticínios - Global Dairy Platform, Dairy Research Institute e Dairy Australia -, mas não tiveram influência sobre ela, disse o jornal. (Isso é que é tenso. Qualquer estudo financiado pela indústria será tendencioso. Se fosse a Coca-cola dizendo que açúcar não faz mal, eu seria o primeiro a gritar "truco, ladrão!". Mas o efeito da gordura saturada - vinda de laticínios ou não - já foi confirmado por muitos outros estudos independentes. Então eu dou meu voto de confiança para esse, tirando a parte de "ah, laticínios são essenciais". Que fique claro: NÃO SÃO) 

Givens é um conselheiro da Food Standards Agency.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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