O motivo de possivelmente o medo estar bloqueando seu caminho (e como superá-lo)

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Mark Sisson


Ficar saudável. É um empreendimento admirável, invejável, você imagina. Na prática, é o que você queria – talvez desesperadamente, por um longo tempo. E então você esbarrou com a maneira primal de viver. Você já está convencido há algum tempo, que é uma boa diretriz de como viver – lendo o blog, talvez experimentando uma bela receita paleo de vez em quando. Você até leu um livro de receitas ou outro. Você tem o conhecimento. Você tem o interesse. Talvez até tenha alguma urgência por causa de um diagnóstico recente, um medicamento adicional, ou 5, 10, 20kg extra. O próximo passo lógico seria colocar um plano primal em ação, certo ? Encarar tudo, fazer acontecer.  Mudar sua vida para uma maneira inconcebivelmente melhor. Mas, para muitos de nós, é aí que chega o medo e embola todo o processo.

Não é que o medo seja uma emoção antinatural. Ele é um dos instintos-chave. O que, afinal de contas, poderia estar mais embasado num propósito evolutivo claro ? Medo é o que possibilitou a sobrevivência por eras. Mas ninguém está encarando um predador com presas grandes aqui, enquanto considera trabalhar a própria saúde. Não há conflitos entre tribos nos quais entrar, não há terremotos sacudindo nossos pés. Nem há um precipício – ao menos não sentido literal.

Independente da evidência, e dos lados positivos a serem obtidos, para alguns de nós o medo ainda é a voz mais alta no recinto. E ele pode nos imobilizar. Pode nos manter presos a um modo de vida e a uma condição de saúde na qual não temos interesse real de permanecer.

É claro, às vezes há preocupações logísticas genuínas que ficam no caminho de perseguir nossos objetivos de saúde. Mas quando as considerações legítimas são todas cobertas até um ponto razoável, é hora de olhar diretamente para os fantasmas emocionais e colocá-los em seu lugar.

Muitos medos são medos da empreitada – enraizados em ansiedades não-embasadas e distinções falsas. Esses são os medos para os quais nos complicamos para achar soluções, ou simplesmente aqueles que minam a nossa habilidade de permanecer confiantes nas nossas capacidades. Alguns nos dizem que alguma maneira somos diferentes das outras pessoas. Outras levantam espectros de dúvida, inseguraça ou inadequação. Esses são particularmente escorregadios, e são frequentemente os medos com os quais as pessoas lidam quando avaliam adotar uma mudança significativa de estilo de vida e saúde.

Vamos dar uma olhada nos medos mais comuns que aparecem quando pessoas de diferentes corpos, idades e históricos se movimentam na direção de objetivos de saúde alinhados com o estilo primal. E me permita oferecer (e te convido a compartilhar sua opinião) algumas lições de casa para superar medos situacionais bem como alguns pensamentos para apontar o blefe do medo.

"Eu sinto que já estou velho demais para fazer mudanças significativas. E se eu simplesmente for muito velho ou muito afundado em doenças crônicas para ver alguma diferença real na minha saúde?"


O corpo é um organismo resiliente, e permanece assim mesmo durante a idade avançada. E apesar de mais cuidado ser necessário para mudar ou reverter disfunções no caso de doenças crônicas, a resiliência do corpo não é nada a se subestimar. Eu já bati os 60 e poucos anos, e também já o fizeram muitos outros dessa comunidade. Ainda que você esteja muito além dos 60 ou 70 e simplesmente tenha começado uma grande mudança de saúde, saiba que o estilo de vida primal é aplicável tanto a você quanto a qualquer pessoa.

A pesquisa suporta nossa habilidade de ficar em excelente forma e mesmo ser tão condicionado quanto aqueles décadas mais jovens que nós. Sim, o corpo beneficia-se de estar em boa saúde ao longo da vida, mas adotar um programa de exercícios ou mudar para uma dieta melhor nos anos avançados ainda pode retardar ou reverter processos de envelhecimento. O mesmo pode ser dito da mitigação ou mesmo reversão de doenças crônicas (1, 2, 3, 4, 5).

Você é mais inspirado por casos de sucesso ao invés de pesquisa ? Veja a história da Faye. Mesmo depois de um infarto e anos de diabetes, sua escolha por um estilo de vida primal mostra o que é possível aos 87 anos de idade.

"E se eu não conseguir fazer isso da maneira que outras pessoas conseguem ? Como posso igualar ao que outras pessoas da comunidade primal fazem ?"


Você ficaria surpreso com a frequência com que ouço isso. É um caso de comparação, que pode na melhor hipótese nos inspirar e na pior, nos paralisar.

Cada um está em seu próprio caminho, e pretende-se que o nosso tenha sua própria paisagem. Chegamos ao estilo primal com histórias únicas, gostos variados, interesses individuais e diferentes estados emocionais. Vale a pena ser paciente com cada um desses e experar que todos terão parte na transição para um estilo de vida primal.

Porque aqui está o que descobri: as pessoas que assumem a mentalidade do "desfazer", de trocar a si mesmos por uma versão melhorada, são aqueles que no fim das contas têm mais dificuldades. Por outro lado, aqueles que movem-se para o estilo primal com uma mentalidade "intacta" – uma premissa de que o que são e o que gostam vai encontrar um local confortável nesse estilo de vida – tendem a ser muito mais felizes e bem-sucedidos no longo prazo.

Eu prometo que não há nenhuma "polícia paleo" te vigiando. Cada um na comunidade pratica paleo/primal à sua própria maneira, e todos os que conheço não têm nada além de suporte e admiração por qualquer um que busque adotar esse estilo de vida.

Leia as histórias e artigos quando eles realmente inspirarem, mas dê a si mesmo espaço para crescer nas novas práticas. Foque-se nos artigos para iniciantes e nas discussões por um momento para deixar-se entrar em transição e sentir-se encorajado. Isso também se aplica se você é um veterano que encontrou obstáculos. Nunca é um momento ruim para voltar ao básico.

"Eu não sei se vou conseguir pagar por esse novo estilo de alimentação"


Embora seja um medo significativo e legítimo, felizmente é uma das ansiedades mais fáceis de descartar.

Vamos começar com a dieta. Aqui está o básico da alimentação primal, e há o ideal. O básico (por exemplo, ingestão baixa a moderada de carboidratos, bastante proteína e gorduras saudáveis) são o que preparam o palco (apoiadas pelos aspectos não-ligados à dieta) para um perfil metabólico saudável e queima de gordura como fonte de energia. Os ideais de alimentos orgânicos, criados com pasto, etc, são preferidos quando possível. Poucas pessoas podem pagar por todas as refeições nesse padrão. Nunca trata-se de perfeição.

Ao longo da década de existência desse blog, tivemos muitos artigos frisando estratégias para economizar custos para tudo, de idéias para legumes/verduras de baixo custo a cortes baratos de carne. Da mesma maneira, falamos sobre dicas de caça e jardinagem, comprar diretamente de produtores, e mais recentemente, beneficiar-se do poder da compra coletiva.

Mas eu seria descuidado se não te apontasse na direção do fórum também. Deixe-me dizer: eu aprendo algo lá, todo dia. Essa comunidade vai te dar resposta para qualquer questão sobre compras ou viver bem.

"Como vou explicar meu estilo de vida a pessoas fora da comunidade paleo/primal ? O que as pessoas vão pensar de mim ?"


Eu não digo que tenho domínio sobre cada pessoa que você vai encontrar. Provavelmente um bom número delas em algum momento terá uma questão ou vai achar estranhos os seus sapatos com 5 dedos, a sua comida, o seu padrão de sono ou outras características primais. Alguns vão participar daquele coral que diz "você vai se dar mal". Outros serão intratáveis e vão ficar pessoalmente ofendidos pela sua rejeição das práticas convencionais (esses são geralmente pessoas que têm dificuldade em diferenciar escolha e retidão). A coisa boa da vida (e um dos lados bons de se viver em grandes comunidades atualmente) é que você pode ignorar o que a vasta maioria das pessoas pensa de você simplesmente porque não as vê com frequência.

Para as pessoas que você precisa e/ou quer ver com regularidade, compreenda que você não é obrigado a explicar-se. Ainda que sinta que isso é difícil, aceite essa verdade e então decida se quer responder às questões ou preocupações deles. Ver isso através das lentes da escolha automaticamente te tira da berlinda e abre possibilidades. Saiba, também, que você não é responsável por como os outros se sentem.

Se quiser dizer algo a respeito da sua decisão de viver e comer de maneira primal, mantenha sua explicação simples e pessoal. É uma escolha individual que faz com que você sinta-se bem e que te ofereceu benefícios. Dê-se a liberdade de não proselitizar. Algumas pessoas estarão genuninamente interessadas em ouvir mais e podem querer elas mesmas tentarem. Nessas situações, sinta-se livre para compartilhar suas histórias, mas mantenha-as simples e encorajadoras para aqueles que estão com medo ou preocupados. Finalmente, para os realmente antagonistas, afaste-se quando puder – e quando não puder, defina um limite claro do tipo "cada um com seu cada qual". Você não tem que responder a ninguém a não ser a si mesmo.

"A sabedoria convencional parece tão diametralmente oposta ao que estilo primal representa. E se eu piorar a minha condição de saúde ou o meu peso?"


Eu compreendo esse medo. De verdade. Parece arriscado ir por esse caminho quando você ouviu mensagens opostas a vida inteira. Se a condição de saúde na qual você está já é séria, pode parecer assustador pensar sobre a idéia de piorar as coisas.

Eu posso te dar cada pedacinho de ciência que suporta a maneira como paleo/primal melhora a saúde metabólica e o bem estar, mas há diversos livros que fariam melhor trabalho do que um parágrafo escrito aqui. E nesses casos, acho que é mais pessoal do que acreditar na minha palavra ou mesmo na palavra da ciência. É um medo de perder o controle, de entregar o poder sobre a própria saúde. Porque nessas circunstâncias, já nos sentimos tão sem poder.

Mais que qualquer outra coisa, eu sugeriria que você se apegasse àquela auto-autoridade. Não estou dizendo para correr de volta para a sabedoria convencional. Estou dizendo para testar paleo/primal por conta própria, nos seus termos, com ceticismo completo. Não chegue-se até paleo/primal como se já fosse verdade. venha como um teste completamente pessoal – um exercício particular seu. Isso é tudo. Se você puder considerar 21 dias, isso é geralmente o suficiente para te dar uma boa visão do que viver de maneira paleo/primal pode mudar na sua vida quando você abraça com vontade.

Se você genuninamente seguir os princípios primais e tiver resultados negativos, simplesmente saberá que algo não está funcionando para você. Mas por agora, comece – sabendo que pode largar tudo a qualquer momento que quiser. Você sempre pode ganhar de volta o seu estado de saúde e peso anteriores, sem nenhuma questão ser feita.

Mas as chances maiores (digo isso porque já vi acontecer milhares e milhares de vezes) são de que você veja mudanças, sinta mudanças e repentinamente comece a crer novamente na mudança. Tendo experimentado os benefícios iniciais, você vai queer mais, e mais tempo com o estilo de vida. Experimentar seu caminho para descobrir o que funciona melhor para você no longo prazo vai te trazer mais mudanças, mais da vitalidade que tinha sumido, mais da vida que você achava que não era sua para viver.

Nisso, como em todos os casos, deixe o medo inspirar atenção e deliberação para o caminho no qual você procura as respostas, o suporte e a experimentação que vão te levar a tomar o plano para si. Porque há um potencial inconcebível a ser alcançado se você simplesmente continuar seguindo.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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