Resistência constitucional à obesidade versus propensão constitucional à obesidade

Artigo traduzido por Juliana Whately. O original está aqui.

por Amy Berger.

Embora a atividade em minhas contas do Facebook e Twitter possa sugerir o contrário, eu não sou uma grande fã de redes sociais. Eu participo porque eu sinto que "tenho que", não porque eu particularmente gosto. Então, novamente, como eu sou extremamente introvertida, é uma ótima maneira de interagir com as pessoas sem ter que realmente interagir com elas. Posso desligar e parar de falar no segundo em que começar a me sentir desinteressada, cansada ou esgotada. Dito isto, uma das grandes coisas sobre o Twitter é que eu comecei a interagir com algumas pessoas muito brilhantes que eu nunca teria "conhecido", e sou regularmente apresentada a ideias que derretem a minha mente. (É assim que me deparei com o material sobre ensaios de insulina do Dr. Kraft, que inspirou a série insulina). Muitas vezes, estas são ideias e conceitos que deveriam ser bem óbvios para mim, e a única razão pela qual não são é que eu apenas nunca parei para pensar sobre elas. E não só são bastante óbvias, mas muitas vezes são colocadas lá ou twittadas casualmente, como se o escritor estivesse dizendo algo relativamente simples. Um post ou um par de linhas sobre algo que parece que não é grande coisa e é um trivialidade total para eles, mas que, após reflexão, acaba por ser um grande negócio para mim.

Por exemplo: a enfermeira que atende pelo username de "Woo" frequentemente lança bombas de conhecimento que me colocam em um furacão de pensamentos. Ela não ameniza os golpes nem tem paciência com idiotas. Seu estilo de escrita leva algum tempo para se acostumar, mas ela é realmente uma das pessoas mais inteligentes e perspicazes atualmente escrevendo sobre metabolismo, endocrinologia, caloriascetoseadaptação à gordura, regulação do peso corporal, SOP e um monte de outras coisas nas quais muitos de nós estamos interessados. De tempos em tempos, ela posta algo que me faz ver as coisas sob uma nova luz. Tanta luz, na verdade, que ela deveria comprar ações da General Electric, Phillips, ou alguma outra empresa que fabrica lâmpadas, porque é assim que muitas dessas coisas vão na minha cabeça quando eu leio seu trabalho.

Caso em questão: há poucos dias, Woo fez a observação correta de que, em muitos casos, as crianças que são colocadas em uma dieta cetogênica (KD) para epilepsia podem realmente parar a dieta depois de um par de anos e permanecem livre de crises pelo resto da vida. Algo sobre permanecer em KD em algum período de tempo durante os anos de formação parece, na realidade, corrigir permanentemente o problema subjacente, de tal forma que a dieta pode ser abandonada mais tarde, e as convulsões não retornam.

Adaptando este fato com algumas observações sobre as pessoas em dietas low-carb e Paleo, ela chegou a algumas conclusões bastante fascinantes, e propôs um estudo observacional. Primeiro, vou falar sobre o estudo, e então vamos trabalhar com a razão para isso, explorando algumas coisas intrigantes sobre o peso corporal e por que alguns de nós são tão incrivelmente propensos a acumular excesso de tecido adiposo, enquanto outros são não.

O estudo observacional seria destinado a testar a seguinte hipótese:

  • Crianças em uma rigorosa dieta cetogênica para epilepsia (ou alguma outra condição) que, eventualmente, são capazes de voltar para uma dieta mais "normal" e permanecer livre de crises, estão protegidas de desenvolver obesidade mais tarde na vida. (Eu arriscaria dizer que é provável observar o mesmo resultado, mesmo entre crianças que seguem uma dieta Atkins modificada [também conhecidos como "MAD"], e que não era estritamente cetogênica.)
O estudo poderia ser efetuado de duas formas:
  1. Coorte retrospectivo. Encontrar tantos adolescentes e adultos quanto possível, que estiveram em dietas cetogênicas quando crianças, mas que já não seguem uma KD. Avaliar parâmetros antropométricos. (Peso corporal, percentual de gordura corporal, etc.) Quanto mais velho pudermos encontrar e quanto mais tempo eles estiveram fora da dieta, melhor.
  2. Coorte prospectivo. Inscrever tantas crianças possíveis que estão atualmente em KD estrita ou MAD para gerenciar algum tipo de condição médica, e segui-las por tanto tempo quanto possível depois de abandonar a dieta especial. Avaliar parâmetros antropométricos. Novamente, quanto mais pudermos segui-las nas suas vidas, melhor.
Para reiterar, a hipótese é que essas crianças vão permanecer magras por toda a vida adulta, mesmo depois de voltar ao dieta típica, estilo ocidental, de indução de obesidade. Eles vão ser o que Woo (fabulosamente) chama de "constitucionalmente resistentes à obesidade." (Eu amo essa frase. Ser "constitucionalmente magros" é uma coisa, mas "constitucionalmente resistente a obesidade" realmente martela o ponto de que é basicamente impossível para essas pessoas se tornarem gordas, mesmo após a exposição às mesmas coisas que fazem o resto de nós assim.) Eu não posso especular se eles iriam permanecer livres da miríade de outros efeitos da porcaria da dieta americana de indução de síndrome metabólica, mas faz sentido para mim que, no mínimo, eles não se tornariam obesos.

Aqui está a lógica:

Como todos sabemos, há pessoas que podem comer quantidades absurdas de açúcar refinado e comida-lixo sem ganhar 1kg, enquanto há outros que precisam comprar calças maiores após apenas olhar para um cupcake. O que acontece? Poderia algo na infância ou adolescência ter nos "programado" para estes destinos mais tarde? Quanto é que a paisagem dietética – e, portanto, hormonal – na infância influencia a regulação do peso corporal por todo o resto de sua vida?

Estes pensamentos vieram para a Woo por causa de observações que ela fez sobre algumas figuras proeminentes dos mundos low-carb e Paleo. Algumas pessoas podem ficar muito bem com uma dieta de 100-200g de carboidratos por dia, enquanto outros – pelo menos com o único propósito de atingir e manter uma perda significativa de gordura – precisam permanecer abaixo dos 50g (ou menos!) para sempre. (Lembre-se, neste post, eu estou me referindo apenas aos problemas de peso. Eu não estou falando sobre a função cognitiva, saúde neurológica, diabetes ou alguma outra condição que possa beneficiar de uma dieta muito baixa em carboidratos ou dieta cetogênica por razões que nada têm a ver com peso corporal ou massa gorda. Essas são questões distintas, às quais essa lógica pode não se aplicar). Aos low-carbers e cetogênicos por aí, 150g de carboidratos por dia pode parecer muito, mas em comparação com a dieta americana padrão, é na verdade relativamente baixo. (São 600 calorias, o que seria apenas 30% de uma dieta de 2000 calorias por dia. Em comparação com uma dieta de 50-65% de carboidratos, 30% é baixa). Se você tiver o hábito de ler as histórias de sucesso e depoimentos no Mark's Daily Apple, ou o site do Robb Wolf, então está familiarizado com a ideia de que algumas pessoas podem comer batata-doce, arroz branco, feijão, pão sem glúten e pizza, e talvez até mesmo ter um "refeição lixo" semanal ou mensal ou jacada, sem recuperar qualquer parte da gordura que perderam fazendo Paleo ou Primal. Quem são esses ninjas que entre um bolo um bife, podem comer ambos?

Bem, na maioria das vezes, essas histórias de sucesso – aquelas em que as pessoas comem muito carboidratos do que o resto de nós – parecem ser escritas por pessoas cujas o peso extra/excesso de gordura corporal era uma situação temporária. Talvez fosse o calouro, ou peso pós-gestação, ou alguns quilinhos a mais que vieram em decorrência de eventos de vida muito estressante: um divórcio, uma morte na família, perda de um emprego. Estas são as pessoas que eram, em sua maior parte, para a maioria de suas vidas, magras. Estar com sobrepeso foi um ponto no radar, causado por algo bastante fácil de identificar: muitas sessões de estudo além de fim de noite com bar e cerveja; alguns meses afogando os medos e preocupações em um litro de sorvete e um saco de tamanho família de chips. Ser mais pesado não era o estado padrão dessas pessoas. Assim, quando elas limparam sua dieta – mesmo que apenas 80% do tempo – seus corpos facilmente retornaram ao seu estado naturalmente magro. Desde que ter sobrepeso não era a norma, voltar para um tamanho menor é fácil, porque é o que o corpo queria. (Talvez até mesmo o que o corpo foi programado.) Para voltar a um peso e percentual de gordura corporal menores, tudo o que tiveram que fazer foi remover os estímulos que moviam as coisas para fora da norma, e é quase como se o corpo automaticamente voltasse.


Nunca na minha vida eu fiquei tão ridiculamente
 feliz por causa de uma maçã.
Woo observou que muitas das histórias de sucesso Paleo como essas envolvem indivíduos que foram vegetarianos ou veganos em alguma parte da sua juventude. Algumas também vêm de pessoas com antecedentes de transtornos alimentares de longo prazo, principalmente na forma de restrição calórica grave e/ou dependência de exercício. Agora, as dietas vegetarianas e veganas não são necessariamente baixas em insulina. Se alguém vai de pão, massas, batatas e arroz, então, com certeza, eles podem acabar com problemas de insulina e de açúcar no sangue. Mas muitos vegetarianos e veganos não são "amido-tarianos" e "grão-tarianos". Para aqueles que comem principalmente vegetais sem amido, frutas, nozes, e talvez até mesmo feijão, esta é realmente uma dieta muito baixa de insulina. (Ainda mais se for uma dieta vegana crua, pois os grãos e amidos densos devem ser cozidos, a fim de serem comestíveis. Exceto por mel cru, quase não há alimentos em uma dieta vegana crua que daria pico de insulina em qualquer grau significativo.) Os efeitos sobre a quebra do combustível são ainda mais profundos levando em conta ​​que também é tipicamente uma dieta extremamente baixa em gordura e baixa em caloria. (Que é possível mesmo em uma dieta onívora, de modo que isso não se limita a vegetarianos e veganos. Poderíamos estar falando de qualquer um que seguiu uma dieta extremamente baixa em caloria/gordura). Veja, mesmo que essa pessoa tenha um grande pico de insulina, se não há um monte de energia do alimento que entra para começar, então não há um monte de insulina para influenciar o armazenamentoindependentemente da composição de macronutrientes da dieta. (Para ser simples: Se você comesse uma dieta de 100% de folhas verdes, que é quase 100% de carboidratos, você não iria engordar. Mesmo se você comesse algumas batatas ou um pouco de arroz junto com isso, você não engordaria. A densidade de energia total da dieta é muito baixa. Você não pode armazenar qualquer coisa quando não há o suficiente entrando para ser armazenado. MAS, tenha em mente, eu estou falando aqui sobre pessoas sensíveis à insulina. Eu não estou falando sobre pessoas constitucionalmente resistentes à insulina, ponto ao qual vou chegar em 1 minuto.)

Parece que essas pessoas, as que viveram durante muitos anos em um estado de baixa insulina – particularmente se este estado de baixa insulina foi durante os anos de formação, quer na primeira infância ou talvez ao longo da adolescência – são quase "imunes" a tornar-se obesos. Seus corpos simplesmente não os deixam chegar lá. Claro, elas podem ganhar alguns quilos aqui e ali após algum período de tempo comendo exageradamente. Talvez ganhemr, digamos, cinco, dez ou, no máximo, quinze quilos. Mas seus corpos simplesmente não vão permitir que eles acumulem 90, 130, mais de 150kg de excesso de tecido adiposo. No seu máximo, essas pessoas nunca serão candidatos à cirurgia bariátrica. (Talvez elas estejam ainda protegidos contra a doença cardíaca, doença de Alzheimer, zumbido, nefropatia, e algumas das outras condições associadas com causadas por [pelo menos em parte] hiperinsulinemia, mas, novamente, não posso especular sobre isso.)

Como os efeitos da regulação de peso hipotética de longo prazo nas crianças em dieta cetogênica, ter passado pelo menos alguma quantidade significativa de tempo em um estado de baixa insulina pode conceder a essas pessoas algum grau de proteção contra acumular gordura corporal tão facilmente como as outras pessoas.

OK. Então, e as outras pessoas?

Eu sou uma dessas outras pessoas. Eu sou uma das que adquire um queixo adicional depois de apenas passar por uma padaria. Eu sou alguém que poderíamos chamar de "constitucionalmente propensa ao sobrepeso", ou "constitucionalmente resistente a permanecer magra." Agora, eu não sou obesa. Eu não sou obesa, mas estou muito longe de magra. (Na verdade, pela tabela de IMC, estou diretamente na categoria sobrepeso. O IMC é uma medida horrível e pouco confiável, mas ainda assim.) E é minha certeza de que a única razão pela qual eu não sou obesa é que estou mantendo controlada a minha propensão biológica para o acúmulo de enormes quantidades de tecido adiposo através de uma dieta baixa em carboidratos. Se eu fosse voltar a uma dieta de >50% de carboidratos, não há dúvida em minha mente de que eu seria obesa. Ah, eu ganho peso com facilidade, mesmo ficando só um pouco descontraída com minha dieta agora, e ela não passa nem perto de um nível "normal" de ingestão de carboidratos.

Então a pergunta é, por quê? O que há comigo – e com as outras pessoas que são constitucionalmente sobrepesadas ou propensas à obesidade – que difere das pessoas que estiveram gordinhas apenas um curto período de tempo e cujo acúmulo de peso foi facilmente revertido?

Bem, eu não posso falar pelos outros, mas aqui está o que aconteceu comigo. Quando eu olho para as minhas fotos de bebê, e até algum tempo na escola primária, eu era magra. Nenhum sinal iminente de problemas de peso. Mas não muito tempo depois, meus pais abriram uma sorveteria. Eles vendiam sorvetes caseiros, doces, bolos, etc. Esta loja esteve presente na minha família por dez anos. O sonho de toda criança, certo? Sim... Se quiserem lutar contra o seu peso para o resto de sua vida, é sim.

Eu tomo a responsabilidade 100% para os meus hábitos alimentares durante essa década. Talvez meus pais pudessem ter ficado de olho melhor em mim, mas o meu pai estava trabalhando em dois empregos, e minha mãe estava na loja, 7 dias por semana. Em última análise, a pessoa que me alimentou com todos esse lixo fui eu. Talvez, aos 9 anos de idade, eu não entendesse que estava preparando o terreno para consequências metabólicas que enfrentaria pelo resto da minha vida, mas a ignorância da juventude não me absolve da responsabilidade pessoal. Então eu não culpo ninguém além de mim. Honestamente, porém, isso não importa. Não importa o como ou por quê da bagunça metabólica que eu sou agora. Eu estou nela e não há nenhuma maneira de sair. Nenhuma maneira permanente, de qualquer forma. (Mais sobre isso em 1 minuto).

Mesmo depois de a sorveteria ser uma memória distante, minha dieta era high-carb (alta em carboidratos). Não high-lixo, mas ainda high-carb. Eu era principalmente amido-tariana na escola e na faculdade. Pão, cereais, pretzels, massas, biscoitos, granola – ei, alimentos ricos em amido são baratos e pobres em gordura! É dupla pontuação para uma menina da faculdade! Porque eu passei tantos dos meus anos de formação num estado de alta insulina, sou quase o oposto da resistência à obesidade. Não, não é "quase". Eu sou o oposto. Sou propensa à obesidade. Ao contrário das pessoas que ganharam alguns quilos na faculdade, ou devido a uma situação de vida estressante e desagradável, mas de curta duração, a norma do meu corpo não é ser magra. Meu estado-padrão é gordinho. Enquanto é (relativamente) fácil para o constitucionalmente magro perder peso, é (extremamente) fácil para o constitucionalmente propenso à obesidade ganhar peso. Quando uma pessoa constitucionalmente magra ganha peso, o corpo quer se livrar dele. Ele quer voltar ao seu "lugar feliz" com um peso menor. Quando uma pessoa constitucionalmente propensa a obesidade perde peso, o corpo quer recuperá-lo. Ele quer voltar ao seu lugar feliz de maior peso.

Eu disse anteriormente que não há nenhuma maneira permanente de reverter a tendência de meu corpo a acumular gordura. Mas há, dependendo de como você olha para ele. Posso gerir a minha propensão à obesidade através de uma dieta permanente low-carb, relativamente baixo estresse, bom sono e exercício. Mas eu não o posso reverter. Eu não posso voltar no tempo e apagar o fato de ter passado a maior parte da minha adolescência e início da idade adulta inundada de insulina. Esses efeitos são permanentes, ou, pelo menos, parecem ser. É por isso que aqueles de nós que, por qualquer motivo – seja a sorveteria do pai e mãe, ou um monte de junk food em casa, ou a dieta materna/diabetes gestacional expondo-nos à hiperinsulinemia no útero ou outra coisa – agora parecem "programados" para ser mais pesados e têm que lutar arduamente para manter o peso e ser tão diligentes sobre nossas dietas. Sim, nós podemos jacar aqui e ali e não ganhar de volta 25 ou 50kg, mas podemos facilmente ganhar pelo menos alguns. E a verdade é que, se não formos cuidadosos, e essas indulgências saírem de controle por um período de tempo suficientemente longo, vamos ganhar de volta 25 ou 50kg.

Há uma razão para ser tão difícil!
Nós somos o que a Woo chama de pessoas "obesas de peso reduzido" (ou com sobrepeso). Somos pessoas gordas que por acaso estão, agora, neste momento no tempo, mais magras do que as normas biológicas dos nossos corpos. Que a gordura está esperando para voltar assim que nós dermos a oportunidade. É por isso que é muito mais difícil manter uma perda de peso significativa do que perder o peso inicialmente.

Aqueles de nós que estiveram acima do peso ou obesos por um longo período de tempo – especialmente se este inclui a infância – são capazes de se tornarem magros. Nós podemos nos tornar magros, mas nós nunca seremos tão magros, nem manteremos a magreza tão facilmente, quanto alguém que nunca foi obeso na vida. Eu acho que ser inundado de insulina durante a juventude é especialmente problemático e, provavelmente, torna as pessoas especialmente propensas ao sobrepeso. Mas mesmo se você fosse magro durante seus anos de formação, se você for obesos na idade adulta por um longo período de tempo – décadas, talvez – então provavelmente vai lutar tão poderosamente quanto aqueles que tinham sobrepeso na adolescência. Isto é especialmente preocupante para os jovens de hoje, que estão, como diz o Dr. Ted Naiman, "marinando em insulina no útero." Essas crianças estão com problemas desde o primeiro minuto. Literalmente antes mesmo de nascerem, seus corpos estão sendo condicionadas por um ambiente hiperinsulinêmico. Se você acha que a epidemia "diabesidade" é ruim agora, apenas espere. (Para não mencionar o câncer, o Alzheimer e muito mais.)

POR QUE isso é tudo tão difícil? POR QUE é possível "gerir", mas não reverter completamente a propensão biológica no sentido de acumular tecido adiposo em excesso?

Mais uma vez, Woo, com suas idéias brilhantes. (Gostaria de vincular ou incorporar tweets relevantes dela aqui, mas a conta é fechada, por isso não posso fazer isso. Ela é extremamente protetora de sua identidade na vida real. Parafraseando e dando-lhe o crédito terá de ser suficiente.) ela postou esta foto:


Esta é uma fotografia de um homem de tamanho normal em pé ao lado de um homem que teve um tumor secretor de hormônio de crescimento (GH) mais cedo na vida. Um tumor que secreta quantidades excessivas de GH antes do fechamento/fusão das placas epifisárias fará com que os ossos (especialmente ossos longos, fêmur, úmero, tíbia, cúbito, etc.) serem muito mais longos e maiores do que o normal. (As placas epifisárias são os tecidos entre os ossos longos que permanecem moles e flexíveis durante o crescimento, mas que no fim – em algum momento no final da adolescência ou com vinte e poucos anos, se fundem e se solidificam, parando um crescimento maior. Uma vez que suas placas epifisárias fecham, você pode parar de esperar um surto de crescimento. Você é tão alto quanto nunca vai ser sem saltos em seus sapatos. [Eu tenho que admitir, porém: tenho 37 anos, mas apenas 1.57m. Estou confiante de que meu surto de crescimento está vindo a qualquer momento!])

O ponto da imagem é demonstrar que algumas das influências endócrinas no início da vida são irreversíveis. Seus efeitos são permanentes. Pegue a cara com o tumor GH: depois que os médicos removem o tumor, esse cara não vai encolher para um tamanho normal. Ele é enorme e sempre vai ser enorme. Você pode tirar o excesso de hormônio de crescimento, mas ele ainda vai ter 2 metros de altura. Ele ainda terá enormes mãos e uma voz muito grossa. Você não pode fazer essas coisas desaparecem. Você remover o tumor e a patologia é curada (ou seja, ele não vai ficar ainda mais alto), mas os efeitos dessa patologia não são reversíveis. Esse cara não pode ser "curado" da sua altura excessiva simplesmente porque nós removemos o estímulo que o fez ficar muito alto. No mesmo sentido, nós podemos remover a hiperinsulinemia crônica, mas isso não nos torna automaticamente sensíveis à insulina. Ele não "desfaz" magicamente todos esses anos de insulina elevada. O constitucionalmente propenso à obesidade não pode ser curado deste propensão. (E se você está planejando ter filhos ou já tem crianças pequenas, você pode fazer o seu melhor para impedi-los de ter essa propensão em primeiro lugar. Esse é provavelmente o melhor lugar para começar).

Vou parafrasear alguns dos tweets de Woo, já que não posso compartilhar com você diretamente:

  • Mesmo que o protocolo de redução de insulina aja exatamente como cirurgias de tumores em outras doenças endócrinas (na medida em que detém a patologia), os crentes nas "calorias que entram, calorias que saem" são muito cabeça-dura para entender e reconhecer a eficácia de dietas low-carb e outras medidas de redução de insulina.
  • Quando vemos este fenômeno na obesidade, ignorantes acham que isso é prova de que a insulina não deve causar obesidade porque as dietas low-carb não são uma "cura".
  • A insulina não altera simplesmente o uso de combustível de forma aguda e impulsiona o crescimento ou encolhimento dos adipócitos (célula de gordura). A insulina é, para o tecido adiposo, como o hormônio do crescimento é para o resto do corpo. (Ou seja, alguns dos efeitos serão permanentes, especialmente se a insulina cronicamente elevada estiver presente por um longo período de tempo e mais ainda, se ela estava presente durante os anos de formação.) Portanto, mesmo se você executar o equivalente a uma cirurgia de remoção do tumor GH na obesidade, colocando alguém em uma dieta para baixar a insulina, ainda não é uma "cura".
  • Dependendo da natureza do problema – em que ponto na vida a obesidade se desenvolveu e por quanto tempo permaneceu – talvez uma dieta "ancestral" funcione. Por outro lado, talvez nem mesmo uma dieta cetogênica funcionaria. Ou seja, para as pessoas que estavam apenas um pouco acima do peso e talvez apenas por alguns anos, uma dieta de "ancestral" funcione como mágica. Feijão, frutas, grãos sem glúten, batatas – é tudo de bom! Sem recuperação do peso, sem síndrome metabólica, sem nada. Mas para outros, que estiveram muito acima do peso por um longo período de tempo, talvez nem mesmo uma dieta low-carb resolva. Talvez nem mesmo uma dieta cetogênica funcione! (Não sozinha, de qualquer maneira). Talvez essas pessoas precisem de uma dieta cetogênica, mais jejum, mais exercício, mais metformina, mais, mais, mais. E são essas pessoas – as que lutam a mais – que irão lutar suas vidas inteiras.
Então, novamente, depende do que queremos dizer com "luta", certo? Certamente, comer deliciosas costelinhas de porco, carnes, brócolis, couve de Bruxelas e queijo, não é exatamente "lutar", certo? ("Problemas de Primeiro Mundo", como se diz). E talvez ser "forçado" a conseguir dormir o suficiente, gerenciar os níveis de estresse e se envolver em atividade física mais do que a média das pessoas como única forma de prevenir recuperação peso não seja bem uma luta, também. Mas você sabe o que eu estou tentando dizer: a batalha ao longo da vida para evitar a recuperação da gordura pode não ser a procura de um herói digno de mitologia grega, mas para as pessoas que são constitucionalmente propensas ao excesso de peso ou obesidade, é uma batalha ao longo da vida. Nós nunca seremos capazes de comer tão casualmente ou sem pensar em proteína/gordura/carboidratos quanto aqueles que são constitucionalmente resistentes à obesidade.

Uau. Então esse foi o caminho [muito] longo para oferecer pelo menos uma explicação de por que algumas pessoas vão muito bem com carboidratos mais elevados e outros, não. E também por que, para muitas pessoas, uma dieta low-carb, por si só, não é suficiente para perder peso e manter essa perda. (Também: apenas para que fique claro, quando falo de "carboidrato mais alto" e uma "dieta ancestral" em oposição a low-carb ou dieta cetogênica, eu não estou falando de montes e montes de cereais matinais açucarados, bolos e outros tipos de lixo. Estou falando de comida de verdade, não processada, tais como arroz, batata, beterraba e lentilha, que são alimentos saudáveis ​​e nutritivos que alimentaram populações saudáveis ​​e robustas ao longo dos séculos, mas que coincidentemente são ricas em carboidratos. As pessoas às quais me referi nos casos de sucesso no MDA e site do Robb Wolf – os que prosperam no 80/20 – com certeza, às vezes, talvez eles caiam de cabeça num sorvete ou batam o seu prato favorito de costelinha no molho barbecue e um grande pedaço de broa de milho, mas mesmo eles não fazem isso todos os dias. De vez em quando, sim. E eles podem, pelas razões discutidas aqui hoje. Na maior parte, porém, os seus carboidratos "mais elevados" ainda vêm de comida de verdade.)

Isso é tudo. Apenas um pouco mais de nuance para explicar por que as pessoas são tão diferentes no que diz respeito ao ganho de peso, perda e manutenção.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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