Câncer de próstata e gorduras ômega-3

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Robb Wolf


Olá, pessoal!


Prostate Cancer and Omega-3 FatsEsse vai ser um artigo rápido e provavelmente cheio de erros de digitação. Eu queria postar logo e nem sequer vou pedir uma revisão, então por favor aceitem, com ortografia ruim e tudo. Tenho trabalhado para conseguir o meu diploma de nutrição e a única maneira de conseguir fazer qualquer outra coisa é saindo de cena. Fazer muitas tarefas de uma vez parece um caminho certeiro para a produção de cortisol e para PARECER ocupado, mas não para conseguir terminar qualquer coisa!

Ok, então há um burburinho sobre artigos recentes (N.T.: esse artigo foi publicado originalmente em julho/2013) que implicam gorduras ômega-3 e risco aumentado de câncer de próstata. Aqui estão dois artigos que cobrem basicamente o mesmo assunto, e aos quais me referirei à frente (sácidos graxos séricos e risco de  câncer de próstata, ácidos graxos plasmáticos e câncer de próstata). Felizmente, algumas outras pessoas já compraram a briga, então eu não preciso re-examinar qual tipo de estudo é esse, e um dos principais desfechos da pesquisa: isso é uma correlação, não uma demonstração de causalidade. Verifique esse texto do Examine.com que desdobra tudo de maneira bem acessível. A principal lição disso tudo é típica de como a mídia joga loucamente com a pesquisa: as manchetes estão dizendo que óleo de peixe te dá câncer de próstata. Como o Examine.com aponta, mesmo SE esse for o caso, o volume de literatura atual não está nem perto o suficinete de fazer tal afirmação – tenha isso em mente.

Esses artigos envolvem UM MONTE de análise de dados... Eu vou olhar para parte da metodologia usada na análise dos ácidos graxos, mas vale a pena observar primeiro esse trecho dos resultados do primeiro artigo:

A tabela 1 dá características demográficas e de estilo de vida dos casos de estudo e dos controles. Comparados aos controles, os casos mais graves eram significativamente mais velhos e mais prováveis de terem sido sorteados para o tratamento com finasterida. Casos menos graves tinham menor probabilidade de ter diabetes do que os controles

Eu não tenho tempo para voltar e re-calcular os dados (talvez a Denise Minger ou o Chris Masterjohn possam fazer isso ?) para observar como tais fatores foram abordados. O que o trecho diz é: os piores cânceres aconteceram nas pessoas mais velhas, os cânceres menos severos ocorreram em pessoas com menor frequência de diabetes. Sabemos que a idade aumenta o risco de câncer, e também sabemos como a resistência à insulina e o estresse oxidativo (como aqueles vistos no diabetes tipo 2) são um potente estímulo para cânceres derivados do endoderma epitelial – como os vistos em mamas, cólon e próstata. Então eu honestamente coço a minha cabeça sobre como tais vetores foram endereçados no panorama geral. E novamente, como o texto do Examine deixa claro, não sabemos se níveis elevados de ômega-3 estão: causando aumento do câncer de próstata, uma consequência do câncer de próstata ou simplesmente uma correlação que não tem nada a ver com o caso. Dado o que sabemos sobre os efeitos dos ômega-3 (e ômega-6) e inflamação, estresse oxidativo e modulação imune, eu não fico nada surpreso se tiverem algum papel em tudo isso (seja ele positvo ou negativo, dependendo da situação) mas esses artigos são no melhor caso trabalho preliminar e precisam de mais trabalho.

Alguns pensamentos e preocupações sem qualquer ordem:

  1. Não parecemos ver os efeitos "negativos" do consumo de ômega-3 a partir de alimentos não-processados. Na prática o consumo de o-3 é chamado de “Dieta Redutora de Câncer” em outros cantos do mundo da pesquisa e da internet. Entretanto, é outro estudo correlacional.
  2. Suplementar ômega-3 é potencialmente danoso em uma população doente, inflamada e resistente à insulina ? Parece uma aposta segura, mas pelo meu ponto anterior, não tenho certeza de que os pesquisadores fizeram um trabalho completo de contabilização por esses fatores. Talvez tenham feito... Eu não fiz e não tenho o tempo para destrinchar os dados... Espero que alguém o faça. Mas essa uma questão realmente importante.
  3. Nenhuma correlação entre câncer de próstata e gorduras saturadas apareceria (sinto muito, veganos). As manchetes parece igualmente capazes de dizer "gorduras saturadas NÃO aumentam o risco de câncer de próstata".
  4. Uma coisa que realmente me preocupa é quando os pesquisadores olharam as gorduras trans, eles agruparam gordura trans industrial hidrogenada com aquelas derivadas da atividade de ruminantes, especificamente os muitos isômeros do ácido linoleico conjugado (CLA). CLA sabidamente tem atividade anti-tumoral, e ainda assim os pesquisadores o colocaram na mesma categoria que os óleos vegetais hidrogenados. CLA existe na nossa biosfera há um looongo tempo e mostra uma variedade de benefícios… O fato de os pesquisadores terem deixado isso passar me faz questionar um pouco outras premissas.
  5. Esse estresse oxidativo vem de cápsulas de óleo de peixe rançosas ? Eu não compreendi, pela literatura, como eles delinearam a origem dos ômega-3 – mas isso certamente poderia ser um problema. O que os fabricantes de óleo de peixe fazem para mitigar o caso é adicionar antioxidantes como vitamina E às cápsulas. mas... todos os estudos parecem implicar os suplementos de vitamina E como aumentadores do potencial de câncer (o betacaroteno em fumantes também). Novamente, eu gostaria realmente de cavar os dados para ver como ou se isso foi levado em consideração.
  6. A diferença entre risco alto e baixo de câncer parece resumir-se ao equivalente de 1 versus 2 refeições semanais contendo salmão. Isso é um artefato completo da análise de dados ? Só é importante para indivíduos doentes, inflamados ? Não sabemos, mas parece uma linha muito tênue a se seguir.
  7. Toda essa história me lembra um pouco do "Estudo da China". naquele caso, ratos foram alimentados com caseína, uma ração de laboratório ruim (que já se sabe que causa doença em nossos amigos roedores), e aflatoxina – um potente carcinogênico. Em outras palavras, uma dieta completamente divergente do que ratos comeriam na natureza. Agora, esperamos e vemos quais as taxas de câncer nos bichinhos, em comparação com um grupo controle que consome pouca proteína. O que é reportado é que o grupo da alta proteína não vive tanto; o que não é reportado é que o grupo de alta proteína levou mais tempo para desenvolver cãncer, mas uma vez que o fizeram, foi jogo rápido. E a partir DISSO nos dizem que "proteína animal causa câncer". Não, a aflatoxina causou o câncer, a ingestão de proteína protegeu contra o câncer por um período de tempo mas quando os ratos TIVERAM câncer, o consumo mais alto de proteína parece ter acelerado a doença.

Meu ponto:  o quanto QUALQUER dessas coisas tem a ver com indivíduos "normais" e saudáveis ? E por normal/saudável eu estou falando sobre a pequena (mas crescente) percentagem de pessoas comendo algo que aproxima-se de uma dieta paleo, dormem bem, exercitam-se razoavelmente. O que extamente nos aprendemos ao observar nossa população ? Eu diria uma coisa: é confuso. Isso se aplicaria a okinawanos ? A kitavanos ?

Algumas lições


  1. Reduza a inflamação sistêmica (você já sabe como), durma, brinque, tome sol, mantenha sua sensibilidade à insulina. Esses fatores parecem funcionar bem para evitar a maioria dos cânceres
  2. Suplemente com sabedoria, se suplementar. Eu fiz umas recomendações pesadas sobre óleo de peixe em meu livro, com a idéia de que poderia mitigar a inflamação em pessoas doentes e acima do peso. Eu diria que as minhas (e de muitas outras pessoas) premissas sobre o assunto estavam/estão erradas. Tive que modificar as recomendações para o nível de 2-4g e em geral frisei que o melhor é obter de alimentos não-processados.
  3. Mantenha alguma perspectiva. Para mim a vida é mitigar riscos... tentar encontrar o melhor retorno sobre o investimento que puder em felicidade, trabalho significativo, etc. Tenho certeza de que comer algo na linha paleo, exercitar-se de maneira inteligente, viver em comunidade e montes de amor são nossas melhores defesas contra os desconhecidos de coisas como câncer. É uma garantia completa ? Não, nada é garantia – mas há apostas melhores e piores.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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