Meu filho foi a minha maior inspiração

Tenho 39 anos, formada em Administração. Atualmente dirijo uma corretora de seguros, sou casada e mãe de 2 filhos: Lucas de 21 anos e Gabriel de 16. Há 1 ano e meio mudei totalmente minha alimentação e meu estilo de vida. Hoje vejo que não sabia nada sobre nutrição e que estava sempre fazendo tudo errado.

Venho de uma família de obesos, mãe, tios e avós. Até os 17 anos nunca tive problemas com sobrepeso: com 1.63cm pesava no máximo 55kg. No entanto, aos 18 engravidei do meu primeiro filho e a coisa mudou. Hoje, após estudar muito sobre insulina acredito que provavelmente desenvolvi um diabetes gestacional não-diagnosticado e como consequência engordei 30kg durante a gravidez. 

Desde então não parei mais de lutar contra a balança, sempre fazendo dietas restritivas em calorias porém ricas em carboidratos e os resultados não poderiam ser piores: efeito sanfona, depressão, dores nas articulações, retenção de líquidos, entre outros.

Em minha rotina anterior eu fazia 6 refeições ao dia, seguindo os padrões da nutrição atual. Começava o dia com café com leite desnatado, pão integral e queijo branco, barrinha de cereal de lanche ou fruta. Almoço e jantar, arroz integral, feijão carne e salada – e nunca obtive resultados favoráveis durante 20 anos da minha vida, mesmo malhando 3h por dia, 6 dias por semana. Fazia aulas seguidas de spinnig, jump e muay thai. Não fazia musculação nesta época, sempre dando ênfase aos exercícios aeróbicos – afinal eram os indicados pelos médicos e nutricionistas como melhor tática para emagrecimento!

Outro problema com o qual sofria muito eram dores articulares no quadril e nos joelhos – adquiridas na época em que malhava 6x por semana, 3h por dia. Em 2012 fiz uma viagem de 10h em vôo direto para os Estados Unidos e quando cheguei quase precisei ir para o hospital, tanta era dor que sentia por ficar sentada durante muito de tempo. (É inacreditável como isso tudo desapareceu!!!)

Em 2014 estava obesa, pesando 96kg. Estava doente com resistência insulínica e esteatose hepática – mas só fiquei sabendo disso no final daquele ano, quando passei em consulta com uma endocrinologista. Minha glicemia sempre deu normal, mas quando fiz os exames de insulina, hemoglobina glicada, triglicérides, TGO e outros, veio a bomba: meu filho Gabriel e eu fomos diagnosticados com pré-diabetes. Meu filho apresentava os mesmos problemas que eu (a genética e a má-alimentação explicariam isso), mas para minha surpresa o caso dele ainda era um pouco mais grave. Desde então comecei a estudar as causas do problema e não parei mais. Precisava de mudança e principalmente precisava ajudar meu filho!

Ao pesquisar sobre resistência insulínica o Google me levou a um artigo no blog do Dr. Souto (neste dia minha vida mudou completamente). Entendi primeiramente o que me fazia ganhar peso e qual a metodologia do low-carb; comecei a aplicar o método em mim, seguindo criteriosamente as indicações do blog. Nesta época o Dr. Souto e sua equipe me ajudaram muito com as dúvidas... Serei eternamente grata por isso.

No início confesso que tive medo da gordura natural dos alimentos – afinal evitei isso a vida toda e a mídia sempre colocou gorduras, carnes e ovos como vilões em nossa alimentação. Mas mesmo assim resolvi dar um voto de confiança ao método e pagar para ver. Meu filho foi a minha maior inspiração: eu precisava descobrir algo que pudesse nos ajudar, então segui em frente. Pratiquei durante 3 meses e neste período emagreci 12kg. Quis fazer  primeiro para testar que o método daria certo antes de aplicar em meu filho: no fundo a dúvida ainda existia.


Um belo dia meu filho Gabriel me pediu que eu o ensinasse a fazer também (nunca quis forçá-lo a nada). Aos poucos fui ensinando a ele o porquê de engordarmos, os principais alimentos culpados disso e o que eles faziam com a nossa insulina. Desde então nossas vidas mudaram. Gabriel emagreceu 22kg em 6 meses e hoje, após 1 ano, já se foram 30kg. Ele adotou a dieta facilmente e foi super disciplinado, chegando a ir em festas e eventos de amigos e me enviando mensagens para saber o que ele poderia comer (tenho muito orgulho disso). Depois de 6 meses de iniciar a dieta refizemos nossos exames e tudo estava normal, sem diabetes e sem esteatose hepática!!!

Adotamos também o jejum intermitente, no entanto não tive a mesma resposta satisfatória que meu filho. Ele consegue fazer JI de 16 a 24 horas até 2x por semana; já eu faço de 16h uma vez por semana.

No início da dieta low-carb, o único sintoma que me lembro foram dores-de-cabeça, mas isso passou logo! Gabriel nunca me reclamou de nada. Hoje não sinto nenhum desconforto, faço exercícios de musculação e HIIT 4x por semana e no outro dia está tudo bem: sem dores. Nem consigo expressar minha felicidade!!!

Hoje em dia meu filho leva a dieta naturalmente e inclui alguns alimentos que não fazem parte da dieta – mas sempre com controle, não precisa mais de minha orientação. Ele já conhece os alimentos que fazem mal à nossa saúde, e também consegue fazer atividades físicas que antes não conseguia devido a obesidade. Ele faz musculação 3x por semana e pedala até 200km por semana.

Uma coisa que me ajudou muito no início foi entender a evolução de nossa espécie, entender quais alimentos fomos feitos para comer e o motivo de, no mundo moderno, acabarmos evitando muitos desses alimentos.

Estudar sobre a metodologia paleo e low-carb também foi muito importante. Então pesquise, conheça e faça o teste em você. Esse conhecimento nos dá força e sabedoria para seguir em frente!

Meu esposo sempre confiou em mim e me deu força, já os "de fora" estavam sempre me atacando com frases do tipo "Ninguém pode viver sem carboidratos, isso não é saudável!" (como se não comêssemos NENHUM carboidrato, o que não é verdade), "Isso é dieta da proteína?", "Nosso cérebro precisa de açúcar!", blábláblá... 

No início eu ainda ficava tentando explicar o método, mas por fim desisti e não mais debati sobre o assunto com ninguém. Tenho consciência absoluta do que é bom para minha saúde, seguirei em frente mesmo que muitos não estejam de acordo e sinto um enorme prazer em ajudar as pessoas que me pedem ajuda!

Não entendo porque ninguém te pergunta se pode tomar uma lata de Coca-Cola e comer um pedaço de torta de brigadeiro, mas perguntam se faz mal comer no café-da-manhã 2 ou 3 ovos fritos na banha ou na manteiga de leite. Para mim hoje é muito simples: como comida de verdade, sem rótulos e não venha me dizer que isso está errado!!!

Me curei do diabetes; da esteatose hepática; de várias alergias (seriam provenientes do glúten?); me sinto mais disposta; diminuí minha compulsão por doces e derivados do açúcar; não tenho mais aquela fome que tinha antes; aprendi a ouvir meu corpo e me alimento apenas quando tenho fome; consigo fazer atividade física normalmente sem dores nas articulações do quadril e joelho que sentia antes (o glúten também ?) e de brinde emagreci até hoje 29kg de gordura, ganhando massa muscular no processo.

Experimentei uma energia vital nunca sentida antes, liberdade de comer sem horários, conseguir ouvir minhas necessidades de comer, beber, dormir, malhar e descansar – nosso corpo sinaliza todas essas necessidades e não precisamos de relógios despertadores para isso, basta ouvir os instintos fisiológicos.

Uma experiência boa que aconteceu comigo foi em relação a comer no pré e pós-treino. Antes de conhecer a dieta, criteriosamente eu fazia uma refeição antes do treino e outra depois. O que pude perceber é que quando não como antes do treino tenho muito mais ânimo e força pra malhar – sendo que antes, quando fazia refeições antes do treino, sempre me dava preguiça e estafa durante a malhação. 

Então é isso: fico sempre atenta a tudo que meu corpo responde e sigo em frente com o que é melhor pra mim – por isso fico cada vez mais apaixonada por conhecer e testar o que aprendo, estudando os artigos científicos sobre assuntos de nossa saúde!

Hoje me sinto livre, vou ao supermercado e faço minhas compras rapidamente pois vou direto ao açougue e ao hortifruti. Lá em casa a despensa vive vazia, mas a geladeira tenho que rebolar para fazer caber os alimentos. Antes fazia compras para o mês todo pois não tinha tempo, hoje faço compras toda semana e rapidamente; gosto de dar preferência a legumes e frutas da época: assim além de fazer economia diminuo a chance de ingerir agrotóxicos e pesticidas.  

Para quem está pensando em começar e tem medo ou acha que não consegue, eu diria que na vida estamos sempre tomando decisões – mesmo sem saber ao certo se elas serão bem-sucedidas. O que vale é tentar, o que vale é a fé. Eu trago para minha vida como lição, que vivemos contra o tempo e que jamais quero me arrepender de algo que não fiz.

É simples, TENTE!!!

Adriana

PS: Hilton eu não poderia deixar de agradecer a você todos estes artigos ricos que você disponibiliza para nós aqui no blog. Não fico sem ler nenhum, pois todos agregam valor à minha vida. Você me ajuda muito! Parabéns pelo seu trabalho e que Deus abençoe você!



E você, quer contar a sua história ? Se sim, escreva um texto, junte fotos e mande para paleodiario@gmail.com.


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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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