Como a indústria farmacêutica joga com o sistema

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Farron Cousins

Quando se trata de influcenciar a política de Washington, cada indústria tem seus métodos prediletos. As petroleiras armam campanhas populistas para espalhar desinformação e pressionam o Congresso para terem o que querem. Os banqueiros de Wall Street preferem operar nas sombras, jogando dinheiro para os membros do Congresso que acreditam serem influentes. Mas quando se trata de afetar a política de Washington, nenhuma organização ou indústria joga com o sistema melhor que as farmacêuticas.

Com uma renda anual conjunta que ultrapassa os 110 bilhões de dólares (e isso apenas das drogras prescritas – a renda vinda de aparelhos médicos fica perto dos 350 bilhões), a indústria farmacêutica é uma das mais poderosas – tanto financeira como politicamente – do país. E uma vez que não pode se mover sem que haja aprovação governamental, ela criou uma infraestrutura que vai beneficiar suas companhias por gerações.

Diferente de outras empresas que focam todo o seu tempo em doações políticas ou lobby indireto, a Grande Farma tem uma abordagem "tudo e mais um pouco" quando se trata de truques sujos. É claro, elas distribuem uma quantidade generosa de financiamento de campanha, mas dinheiro só pode comprar o bastante se o retorno da política for forte. Então, para ultrapassar as limitações das cédulas de dólar, a indústria decidiu ler uma página de uma história de espionagem – ela opera com homens infiltrados no sistema.

Os crimes dos quais a Grande Farma já conseguiu se safar como resultado dessa abordagem de duas frentes fariam mesmo o gangster mais durão corar: aumento abusivo de preços, negligência, mentir para oficiais do governo e mesmo homicídio involuntário. E ainda que a Suprema Corte dos EUA nos diga que corporações são "pessoas", nenhum dos executivos da indústria farmacêutica está atrás das grades. Eles estão jantando em restaurantes caros de Nova York; desfrutando coquetéis com oficiais do governo; e inventando novas doenças que podem "curar" mediante um lucro gordo. Eis coom fazem isso:

Primeiro, e mais importante, dinheiro é sempre rei em Washington. Diferente das petroleiras, que dão a maior parte do dinheiro para os Republicanos, ou dos sindicatos que favorecem os Democratas quando preenchem os cheques de financiamento, a Grande Farma doa dinheiro a qualquer candidato ou político estabelecido que tenha um bolso aberto. Ao doar indiscriminadamente, ela garante que suas necessidades serão atendidas, independente de qual partido esteja no poder. Por exemplo, durante as eleições de 2010, 54% do dinheiro das farmacêuticas foi para os Democratas. Em contraste, suas doações nas eleições de 2012 fluíram para os Republicanos (55% das contribuições totais). Mas uns poucos percentuais para um lado ou para outro não são suficientes para mostrar que a indústria favorece um partido ou outro. Mostra apenas que elas jogam em ambos os lados do tabuleiro, ganhando vantagens sobre outros interesses especiais a cada eleição.

Então... o que é que a Grande Farma compra exatamnete, com esse dinheiro ? Ela compra, literalmente, congressistas e oficiais de administração.

É quando a fase 2 do plano entra em ação. Se o dinheiro injetado nas eleições não for suficiente para conseguir o que deseja, ela simplesmente adiciona ex-oficiais do governo à sua folha de pagamento. Isso é o que se chama de "porta giratória" entre o governo e a indústria farmacêutica.

Nas eleições de 2014, a Grande Farma distribuiu 32 milhões de dólares em financiamentos de campanha, mas para cada dólar doado como contribuição direta, ela gastou 7 dólares em lobby.

Graças a Martin Shkreli, a questão do aumento abusivo dos preços pelas farmacêuticas está finalmente nas cabeças do público americano e do Congresso, e Shkreli está sendo compelido a testemunhar perante o Congresso essa semana para explicar o motivo de ele ter achado uma boa idéia aumentar o preço de uma droga anti-parasitária em 5000%. Sem dúvida vamos vê-lo jogar o resto da indústria farmacêutica debaixo das rodas do ônibus por fazerem exatamente o mesmo – e esperamos por isso.

A indústria farmacêutica salva vidas, não há dúvida sobre isso. Mas ela também é uma das mais gananciosas e sorrateiras indústrias do mundo, e é hora de suas atividades serem expostas ao público.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

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Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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