A conexão entre as estatinas e a perda de memória

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Deane Alban



Se você foi diagnosticado com colesterol alto, é muito provável que seu médico tenha prescrito um tipo de droga redutora de colesterol chamada estatina.

As estatinas são os medicamentos mais comumente prescritos no mundo – e estão entre os mais rentáveis (1). 1 em cada 2 homens de idade, e 1 em cada 3 mulheres tomam tais drogas (2).

Nós estamos presenciando na atualidade uma epidemia de demência, com o Alzheimer sendo a sexta maior causa de morte nos EUA (3). Há uma conexão entre tomar estatinas e perda de memória, ou entre estatinas e demência ?

E  tomar estatinas vai realmente te proteger contra doença cardíaca ? Vejamos a evidência.

O motivo pelo qual seu cérebro precisa de colesterol


  • Seu cérebro é feito de 60% de gordura, e a maioria dela é colesterol.
  • Colesterol é uma parte integral de cada célula cerebral (N.T.: na verdade, de cada célula do seu corpo!)
  • Sem colesterol suficiente, suas células cerebrais vão morrer
  • 25% de todo o colesterol do corpo é encontrado no sistema nervoso
  • Colesterol é necessário para a produção de neurotransmissores — substâncias químicas que as células cerebrais usam para se comunicarem umas com as outras

Mas as drogas redutoras de colesterol inibem a produção de neurotransmissores, o que leva a memória e outras funções cognitivas prejudicadas (4)

Colesterol total alto, na prática reduz o risco de demência em pessoas de idade – o que é contrário à crença médica convencional (5)

Efeitos colaterais das estatinas


Drogas redutoras de colesterol como Mevacor, Lipitor e Crestor estão ligadas a perda aguda de memória, raciocínio dificultado e dificuldade de aprendizado (6).

(Há muitos outros medicamentos que causam perda de memória também.)

Estatinas reduzem a produção da CoQ10, protetora do coração, levando à fadiga e dor muscular (7)

Algumas pessoas ficam muito deprimidas, ansiosas ou mesmo com tendências suicidas quando tomam essas drogas (8)

"Pessoas que consomem uma dieta pobre em gorduras, especialmente pobre em colesterol, estão em risco de depressão e suicício" — PsychologyToday.com

A conexão entre estatinas e perda de memória e outros efeitos colaterais é tão forte que essas medicações agora são obrigadas a ter alertas no rótulo, em ambos os lados do frasco.

Esse alerta deveria ser "risco aumentado de dano hepático, perda de memória e confusão, diabetes tipo 2 e fraquea muscular" (9)

Estatinas podem levar ao diabetes a uma taxa alarmante


Um estudo mostrou que 48% das mulheres que tomam estes medicamentos eventualmente desenvolvem diabetes, o que aumenta muito o risco de demência (10, 11)

E como o colesterol é uma das bases para a construção dos hormônios sexuais, o uso de estatinas leva à perda de libido (12)

É uma coincidência que tantos homens precisem de Viagra atualmente ?

Talvez não.

Nós temos feito a pergunta errada


Agora que você já viu os efeitos colaterais das medicações para colesterol, pode estar perguntando-se como reduzir o colesterol naturalmente sem essas drogas perigosas.

Mas essa pode ser a questão errada. A questão real que pede para ser respondida é...

Colesterol alto realmente causa doença cardíaca ?

Você pod eficar surpreso em ouvir a resposta. A razão pela qual te disseram para baixar o colesterol foi para evitar doença cardíaca, certo ?

Sabemos que doença cardíaca é assassina. É a causa de morte número 1 em nações industrializadas (13).

A sabedoria convencional nos diz para comer uma dieta pobre em gordura, evitar gordura saturada e manter nossos níveis de colesterol baixos, pelo bem dos nossos corações.

Mas considere isso: de todas as pessoas que são hospitalizadas por infarto, apenas 25% tem colesterol alto. Os outros 75% têm colesterol normal  (14).

Parece que o que nos disseram sobre colesterol causar doença cardíaca, está errado.

O mito da ligação colesterol-doença cardíaca


"Gordura e colesterol causam doença cardíaca" pode ser um dos maiores mitos da saúde de todos os tempos!

Comer uma dieta pobre em gordura não previne doença cardíaca ou te ajuda a viver mais (15, 16)

Acontece que não há correlação entre consumo de gordura saturada e doença cardíaca. 

Os Institutos Nacionais de Saúde reportaram que aumentar a ingestão de gorduras para 50% das calorias melhorou o estado nutricional de participantes do estudo, e não afetou negativamente os fatores de risco para doença cardíaca (17)

Dietas ricas em gorduras na prática reduzem triglicérides, normalizam o LDL ("colesterol ruim") e aumentam o tamanho das partículas de LDL – o que é algo bom. Explicamos a seguir (18, 19)

Considerando o quão entranhada na nossa cultura está a teoria de "gordura causa doença cardíaca", isso é uma revelação surpreendente!

Esse gráfico ilustra as descobertas de um estudo da OMS sobre tendências em doenças cardiovasculares (20)

Em preto: taxa de morte por doença cardíaca em homens entre 35 e 74 anos
Em vermelho: níveis médios de colesterol


Ele mostra muito claramente que não há correlação entre colesterol e doença cardíaca.

Perceba que o país com os níveis mais altos de colesterols – Suíça – tem uma das taxas mais baixas de doença cardíaca.

A "dieta prutdente" da Associação Americana de Cardiologia é uma assassina


O estudo seminal da Dieta-Coração de Lyon acompanhou 650 participantes que estavam em risco extremo para infartos (21)

Eles estavam acima do peso, eram sedentários, fumavam e tinham altos níveis de colesterol.
A metade foi posta em uma dieta mediterrânea, e aoutra foi posta na chamada dieta ocidental "prudente", recomendada pela Associação Americana de Cardiologia.

O estudo foi interrompido antes de ser completado porque foi considerado anti-ético.

A razão ?

As pessoas na dieta mediterrânea pararam de morrer, ainda que seus níveis de colesterol não tenham se alterado.

Entretanto, tanta gente na dieta da Associação Americana de Cardiologia morreu, que os pesquisadores consideraram que era anti-ético continuar a colocá-las em risco!

A falha do low-fat


Os especialistas etão finalmente se dando conta do fato de que dietas pobres em gordura não funcionaram nem para evitar doença cardíaca, nem para obesidade.

A Escola de Saúde Pública de Harvard emitiu esse pronunciamento sobre a "falha do low-fat":

Bem, é tempo de terminar com o mito do low-fat. A abordagem de comer pouca gordura não nos ajudou a controlar o peso ou nos tornarmos mais saudáveis. Por que cortar a gordura da dieta não resultou no esperado ? Pesquisa detalhada – muita dela feita em Harvard – mostra que o total de gordura na dieta não está de fato ligado com o peso ou doença. — Escola de Saúde Pública de Harvard

O gráfico abaixo ilustra como a introdução das diretrizes low-fat pelo governo americano nos anos 1970 correlaciona-se com o aumento da obesidade.


Trate o paciente, não os números


Infelizmente, a maioria dos médicos tende a preocupar-se mais com a redução dos números do colesterol do que com a saúde geral dos pacientes.

Medir o colesterol HDL ("bom") e o LDL ("ruim") é uma idéia ultrapassada. Há mais de 5 tipos de cada um desses, então essa filosofia é extremamente simplista.

Um teste que parece prover boa informação sobre o seu risco de doença cardíaca é medir o tamanho das partículas de LDL.

Moléculas de LDL grandes simplesmente movem-se pelo sangue, sem causar danos. Mas moléculas pequenas de LDL são causadas pela oxidação, e são perigosas.

Elas penetram na parede das artérias, causando inflamação e ao desenvolvimento de placas ateromatosas.

Mesma quantidade de LDL, mas tamanhos de partículas diferentes.
O lado esquerdo apresenta menor risco que o direito.


Se seus números de HDL e LDL não são bons preditores de doença cardíaca, então o que é ?

Dois marcadores importantes são o seu número de particulas LDL e a proporção entre triglicérides e HDL.

Por exemplo, se seu nível triglicérides é 100, e seu HDL é 50, isso te dá uma proporção 2. Um valor abaixo de 2 é bom.

Se a proporção é mais alta que isso, você pode baixar seus triglicérides facilmente reduzindo o açúcar e os carboidratos refinados, enquanto come mais gorduras saudáveis (22)

A causa real da doença cardíaca


Você pode estar se perguntando: se o colesterol alto não é a causa subjacente da doença cardíaca, então o que é ?

O Dr. Jonny Bowden e o Dr. Stephen Sinatra, autores de O Grande Mito do Colesterol, descobriram os que 5 piores envolvidos com a doença cardíaca são:


  1. Inflamação, que promove doença degenerativa. Ela causa microlesões nas suas artérias, estimulando a formação de placas
  2. Radicais livres atacam o LDL transformando-o de partículas grandes (e benignas) em pequenas (e malignas)
  3. Açúcar é altamente inflamatório, promovendo formação de placa. Também aumenta os hormônios do estresse.
  4. Gorduras trans aumentam o colesterol ruim, reduzem o bom, aumentam a inflamação e elevam os triglicérides
  5. O estresse aumenta a pressão sanguínea. Na prática, pressão sanguínea é uma medida do estresse aplicado à parede das artérias.

Os doutores Bowden e Sinatra oferecem essas recomendações simples de estilo de vida para evitar doença cardíaca:


  1. Reduza o açúcar, grãos e óleos vegetais ricos em ômega-6, como canola
  2. Coma gorduras saudáveis como nozes, azeite de oliva, óleo de coco e abacate.
  3. Gerencie o estresse
  4. Exercite-se
  5. Beba moderadamente
  6. Não fume
  7. Suplemente-se de maneira inteligente. Sua principal recomendação para doença cardíaca é a mesma que sugerimos para saúde cerebral: ácidos graxos essenciais ômega-3

O motivo de os médicos nos empurrarem estatinas


Toda essa nova informação pode te deixar se perguntando o porquê de os médicos prescreverem estatinas, afinal.

A resposta não é bonita.

Um estudo mostrou que 65% dos médicos não falam sobre os efeitos colaterais das estatinas porque não acreditam que haja uma correlação, ou porque  foram "influenciados" pela indústria farmacêutica (23)

Nesse estudo, médicos admitiram negar as preocupações de seus pacientes com efeitos colaterais das estatinas usando respostas difusas como "é a sua idade" ou "aprenda a viver com isso".

Companhias farmacêuticas têm um grande interesse em continuar a promover essa indústria de US$31 bilhões. Nesse exato instante, 1 em cada 4 adultos toma estatinas.

Recentemente, a Associação Americana de Cardiologia liberou novas diretrizes que, se seguidas, poderiam dobrar o número de pessoas que tomam medicação redutora de colesterol (24).

Faça as contas.

Você toma estatinas ? Como falar com seu médico.


Se você atualmente toma estatinas e tem efeitos colaterais como perda de memória, confusão mental, ou dor muscular, marque uma consulta com seu médico hoje.

Vá armado com tanta informação sobre colesterol quanto possível, como a que você acha 

Go in armed with as much information on cholesterol as possible, like the kind you find in O grande mito do colesterol: a razão pela qual baixar seu colesterol não vai evitar doença cardíaca — e o plano sem estatinas que vai.

Peça para ter a contagem de partículas pequenas de LDL (N.T.: infelizmente, esse teste ainda não é feito no Brasil). A maioria dos médicos não vai fazer esse teste. Alguns nem sabe que ele existe. A maioria ainda vai repetir a mesma ladainha sobre colesterol.

Mesmo médicos que compreendem o valor do exame não o recomendam, porque normalmente não é coberto pelo plano de saúde. Você pode pedir assim mesmo, e oferecer para pagar do próprio bolso.

Você também pode pedir o teste por conta própria em um laboratório online como o True Health Labs.

Estatinas e perda de memória: o ponto de partida


Dietas low-fat e drogas que reduzem o colesterol não são a chave para terminar com a doença cardíaca, como temos sido levados a crer.

Mas elas são sem dúvida uma causa comum da perda de memória e podem contribuir para a demência.

Se você suspeita que estatinas são a causa da sua perda de memória, fale com seu médico. Se ele não tiver a cabeça aberta a respeito de te ajudar a livrar-se da medicação, encontre um que tenha.

Não deixe seu cérebro ser vítima de um medicamento desnecessário.

Recomendado para você

Thanks for your comment

Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

Visualizações

Seguidores