7 atividades da infância que podem te deixar mais saudável e feliz

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Mark Sisson

Meus dois filhos já estão crescidos, mas eu gosto de lembrar dos tempos em que eram pequenos. Ainda me lembro de vê-los cobertos de areia enquanto cavavam na praia, esperando ansiosamente pela próxima onda derrubá-los, entretidos em quaisquer jogos que suas mentes agitadas inventassem naquele dia. Apesar de eles certamente terem tido seus dias difíceis (geralmente quando cansados ou com fome), na maior parte do tempo eram pura exuberância e energia indomável – alternando entre maravilharem-se com a grande quantidade de coisas que os cercava, ou focando-se com a precisão de um laser em qualquer novo "tesouro" que achassem.

Da mesma maneira, eles ainda não tinham absorvido as respostas e expectativas convencionais. A não ser por umas poucas regras que Carrie e eu priorizávamos, eles atravessam seus dias com puro instinto. Nos diziam o que queriam (por exemplo, abraços ou comida) e provavelmente estavam em muito mais contato com suas necessidades do que nós – pais cansados e ocupados – estávamos com as nossas.

Quando adultos, adotamos tantos "filtros" que de diversas maneiras peneiram, diluem ou distorcem nossas sensações a nosso próprio respeito – que dirá a nossa compreensão das pessoas e do mundo à nossa volta. Nós deixamos de lado a diversão para deixar espaço para mais resposabilidades. Nós negamos a nós mesmos até necessidades básicas (como o sono) em nome de obrigações abstratas ou valores sociais. Ao longo do tempo, "compramos" essa definição distorcida do que constitui o "mundo real" – e acabamos diminuindo nosso bem-estar real como resultado. Talvez a idade adulta – e a saúde – não precisem ser tão amarradas e confinadoras como frequentemente as caracterizamos.

Recentemente eu referenciei alguns artigos sobre esse assunto genérico que me chamou a atenção – pesquisas que relacionam atividades típicas da infância, praticadas por adultos, e benefícios à saúde). (E nossos pais achavam que estávamos desperdiçando tempo ou caçando confusão...). Agora que estamos chegando ao final do verão, achei que era uma boa oportunidade para falar sobre como agir da maneira que agíamos todo aqueles aos (ou décadas) pode levar nossa vida primal e saúde a um novo patamar.

1 – Livros de colorir


Esse acabou virando uma boa conversa no escritório. Acontece que algumas das pessoas aqui já estavam fazendo isso em segredo, com pilhas de livros de colorir. Aparentemente, Carl Jung, fundador da psicologia analítica, dava a seus pacientes mandalas para trabalhar e colorir, mas ele não é o único que sugeriu  pegar nos lápis de cor. Outros experts recomendam colorir para redução do estresse, até mesmo para efeitos meditativoss. Um psicólogo nota que colorir tem o efeito de reduzir atividade na porção cerebral da amigdala, que ajudar a processar respostas emocionais.

Minhas fontes me dizem que você pode achar esses livros de colorir para adultos (deixe seus pensamentos maldosos de lado!) online ou na maioria das lojas de artesanado ou de arte. Só na Amazon, 4 dos 10 livros mais vendidos são, adivinhe, livros de colorir direcionados para adultos.

2 – Suba em árvores. Na verdade, suba em qualquer coisa


Provavelmente por milhares de anos, nossos precursores hominídeos subiram em árvores para caçar e por vários outros propósitos de sobreviência. Aparentemente, isso (como muitas outras práticas físicas essenciais) deixou sua marca no funcionamento do cérebro humano. É engraçado como isso funciona no esquema evolucionário das coisas.

Pesquisadores compararam grupos que fizeram uma rotina de ioga específica, ouviram uma palestra ou fizeram treinamento com atividades proprioceptivamente intensas, tais como subir em árvores e então deram a eles um teste recordatório.

Os resultados mostraram que os escaladores de árvores deixaram os demais muito para trás, em termos de memória de trabalho – aquele elemento da cognição que nos ajuda a manter e manipular diversas informações ao mesmo tempo. O benefício proprioceptivo – uma melhora assombrosa de 50% – aplica-se a exercícios dinâmicos que qtivam tanto o senso de equilíbrio sem qualquer movimento ou navegação, tais como “equilibrar-se numa trave, carregando pesos de forma irregular e navegando ao redor de obstáculos.”

Moral da história ? Trate o mundo como se fosse seu playground. Suba em tudo o que puder. Pule de onde puder (sem tornar-se um Prêmio Darwin). Equilibre-se na calçada como você fazia quando tinha 7 anos. Carregue pedras grandes pelo jardim, ou simplesmente voluntarie-se para judar seus amigos a se moverem. De uma perspectiva mais formal de malhação, MovNat, Parkour e CrossFit todos têm elementos que encaixam-se nesse modelo dinâmico proprioceptivo. Considere como um descanso cerebral enquanto estiver no trabalho – ainda que seu chefe não saiba o que fazer com você.

3 – Balance-se


Qualquer um que já tirou uns poucos minutos de uma corrida ao ar livre para balançar-se em um parque, compreende a liberação que uns poucos minutos dependurado e balançando-se pode oferecer. Um instrumento chave dos fisioterapeutas é a o elemento de integração sensorial, que entra em ação significativamente no tratamento de crianças com certas deficiências; entretanto, ele também pode ajudar aqueles entrenos que simplesmente foram bombardeas com estímulos demais (por exemplo, o dia inteiro imerson em multidões ou no tráfego) ou de menos (por exemplo, sentado numa cadeira o dia inteiro). Já foi mostrado que atividades que promovem integração sensorial são particularmente úteis àqueles com síndrome pós-traumática.

4 – Sonhe acordado


É uma das experiências quintessenciais da infância (bem, exceto para todas as crianças com agenda sobrecarregada que há por aí) – embrenhar-se em pensamentos aleatórios, não-direcionados por períodos longos. Talvez isso aconteça enquanto se está sentado em sala de aula ou olhando pela janela da sala. Não importa. O ato em si permite que a mente vagueie sem coleira por um momento – para nosso benefício.

Sonhar acordado já foi demonstrado como significativamente capaz de aumentar a criatividade e as habilidades de resolução de problemas (com melhorias medidas em um estudo ultrapassando 40%). Da mesma maneira, aqueles momentos de "cadete espacial" nos permitem sintetizar o aprendizado e a experiência – afiando tanto a integração cognitiva e a emocional, necessárias para o bem-estar sócio-emocional.

Que tal dar-se o presente do nada ? Isso é, fazer nada. Jogue para escanteio aquele senso de responsabilidade pelas coisas que você "deveria" estar fazendo como membro produtivo da sociedade. Sente-se ou espalhe-se em algum lugar confortável e inspirador (talvez debaixo daquela árvore que acabou de escalar) e deixe sua mente vagar à vontade.

5 – Crie algo. Qualquer coisa



Em que ponto das nossas vidas nós deixamos de ser inventores dos nossos mundos, para nos tornarmos consumidores das idéias de outras pessoas ? Quando foi que desistimos do poder por trás da criação ?

Enquanto crianças, parecia inato – o desejo de projetar e formular, construir e decorar. Alguns dias pintávamos e fazíamos papel-machê. Em outros, faziamos tortas de lama, "fortes" feitos de gravetos e rampas de bicicleta. O ponto nunca era o produto em si, mas o senso de excitamento e engenhosidade que o acompanhava.

Como adultos, ainda podemos acessar esse instinto, e a brincadeira da criação artística oferece mais pelo pequeno investimento, do que imaginamos. Não há necessidade de fazer arte refinada aqui. É o ato de fluir mais que qualquer coisa, acreditam os especialistas, que provoca a liberação de dopamina e benefícios emocionais reguladores. Construção, bem como a arte, em alguns aspectos reproduz os efeitos anti-estresse e de preservação cognitiva da meditação.

Há o benefício da resiliência mental, mas também de felicidade pessoal. Um estudo, por exemplo, mostrou que mais de 80% das pessoas que tricotavam e que sofriam de depressão reportavam melhor humor quando tinham a chance de tricotar. Mais de 50% afirmavam que sentiam-se "muito felizes".

Considere isso uma desculpa para ressuscitar aquele velho hobby – ou explorar um novo. Frequente aulas comunitárias de arte, ou torne-se aprendiz de algum artesanato no qual esteja interessado. Deixe irem embora as expectativas perfeccionistas que nos impedem de aproveitar nossos lados artísticos para além da escola primária. O seu bem-estar vai beneficiar-se de fazer coisas, mesmo que "mal-feitas".

6 – Abraçe mais



Essa pode ficar arquivada como "óbvia". É claro, eu me lembro que os abraços dos meus filhos variavam de um carinho gentil a um ataque selvagem. Para eles, entretanto, eram simplesmente gestos de amor e exuberância. A menos que reprimidas por regras ditatoriais insalubres, crianças naturalmente buscam aquilo que faz com que sintam-se bem – e isso é bom para elas (ok, exceto pelos doces). Abraços podem ser o ápice nesse quesito.

Abraços de pessoas nas quais confiamos pode desencadear a liberação de hormônios do bem-estar que  vão da serotonina à dopamina e oxitocina – com um efeito protetor que pode durar pela maior parte do nosso dia. Nossa pressão sanguínea cai, assim como os níveis de cortisol. Nosso sistema imune recebe uma empurrão e ficamos menos propensos a adoecer. Não é de espantar que crianças procurem esses carinhos quando estão tristes.

Garanta que você abrace mais pessoas da sua vida, e tire proveito dos efeitos que afagar o seu bichinho de estimação trazem. Ser um adulto não significa ser a humano frio, independente e isolado que muitas vezes conjuramos. Significa ser maduro em relacionamentos com outros e honestamente comprometido com nossas necessidades e inclinações. Sirva aos instintos que te servem.

7 – Tire um cochilo


Finalmente, se toda essa brincadeira te cansa, não esqueça das condições da infância: brincar com força, dormir com força.

Isso é auto-explicativo. Eu acho (mas aqui estão algumas perspectivas primais sobre essas indulgências cheias de descanso, se você quiser ler).

Acredito que posso tirar proveito dessa hoje mesmo.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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