De volta para o passado!

Nas últimas semanas, fiz o exame periódico anual pela empresa. O de sempre: exame de sangue completo, oftalmologista, ultrassom abdominal total e ergométrico. 

No dia do ergométrico, coincidentemente fui atendido pela mesma médica do ano passado – que em 2014 havia me dito que as minhas caminhadas de 1h/dia não têm influência sobre o meu condicionamento. Veja bem: em 2014, o meu VO2 deu 61.0, classificado como "excelente para um homem de 19 anos". Na época, eu estava fazendo caminhadas, treino funcional todo dia (alternando braços e pernas para dar tempo de descanso) e sprints na escada do prédio 1x por semana: exatamente o protocolo primal.

Voltemos a 2015. Cheguei para fazer o ergométrico, e a doutora perguntou como estava a minha atividade física. Contei a verdade: continuo fazendo as caminhadas, mas praticamente parei com o treino de força (o meu ombro operado inflamou-se em janeiro, por conta de uma sessão de escalada, e estou batalhando com ele desde então) e com os sprints (retomei há 3 semanas, para ser exato).

Novamente, ela me disse que "caminhadas, especialmente em ambientes nos quais eu precise parar (quando o semáforo está fechado, por exemplo) não contribuem para o desempenho cardiovascular" – e marcou na minha ficha que sou "sedentário". Aí ligou a esteira e me pôs para correr...

... e eu corri basicamente o mesmo que tinha corrido ano passado. O meu VO2 deu 60.8 (ou seja, diminuiu 0.2mg/kg/min) e o coeficiente MET deu 17.4 – exatamente igual ao de 2014.

Resumindo, eu estava sem treino pesado fazia 6 meses e tive o mesmo desempenho. Considerando que agora estou 1 ano mais velho que em 2014, eu diria que a performance até aumentou, mesmo que marginalmente. Detalhe: estou 1kg mais pesado do que no ano passado. A única diferença considerável foi que esse ano atingi a frequência cardíaca máxima mais rápido que em 2014 – o que não é de se espantar, dado os 6 meses praticamente parado.

A cara da médica foi impagável. "É que como você está muito magro, o desempenho cai mais devagar". "Realmente, eu esperava que estivesse pior".

Na última segunda-feira, fui ao clínico para completar o periódico, e levei todos os exames. Ele olhou o ultrassom, elogiou. Viu o ácido úrico, elogiou. Viu a glicemia, elogiou. Elogiou os rins, elogiou o fígado, e parou no colesterol.

O clínico antigo já estava "acostumado" comigo, e não aporrinhava muito. O desse ano era "novato", e já cantou logo a bola que eu precisa tomar estatinas. O diálogo que se seguiu foi assim:

– O seu LDL está muito elevado. A recomendação é de estatinas.
– Doutor, sem chance.
– Veja bem, você está em risco.
– Você reparou nas proporções triglicérides/HDL e HDL/colesterol total ? Estão ótimas.
– Sim, mas o estudos indicam LDL elevado é um fator de risco sério.
– Bem, eu tenho visto um bocado de meta-análises e o que elas contam é diferente. LDL alto e inflamação baixa não estão correlacionados com aterogênese. Além do mais, o NNH das estatinas é muito alto. Eu que não quero arriscar diabetes, impotência ou rabdomiólise.
– Estatinas são seguras, eu mesmo tomo há 8 anos
(Nessa hora, quase que eu falei "bem que você tem cara de brocha mesmo" :-)
– Bem, a informação é conflitante com a que eu tenho
– Você tem casos de diabetes na família ? Doença cardíaca ?
– Diabetes, tenho muitos. Doença cardíaca, não.
– Pois é, precisa tomar cuidado... Com esses antecedentes, vai se arriscar a ter um infarto aos 60 ?
– Doutor, sem chance de tomar estatinas. No meu colesterol eu dou jeito sem elas, não se preocupe. 
(Ele já estava exaltado nesse momento – fiquei com medo dele ter um infarto)
– Então eu vou anotar no seu prontuário que você se recusou a tomar estatinas
(Achei que ele ia me mandar ficar ajoelhado no milho e telefonar para a minha mãe me buscar)
– Ok, anote aí. Ano que vem a gente conversa de novo.

Bem, toca o barco. Praga de urubu gordo não pega em cavalo magro, certo ? :-D

Enquanto o ombro não sara (estou fazendo pilates e RPG), vou me virando com as caminhadas e os sprints. No ano que vem, pretendo já ter aprendido a voar e soltar laser pelos olhos.

Em 2016, completo 40 e espero ter o desempenho de 18. O corpitcho, já tenho.

Bem-vindos à máquina do tempo paleo!

Recomendado para você

Thanks for your comment

Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

Visualizações

Seguidores