No fim das contas, perdi 75kg em 7 meses

E então cheguei aos 160kg.




Quem é obeso (a condição mesmo), vive uma boca de sinuca constante. Diariamente, há a necessidade de comer uma comidinha especial. Muitas vezes, você já acorda pensando naquilo (se é que não foi dormir na noite anterior): naquela coxinha que só se acha em determinado lugar mas que é simplesmente irresistível. Você sabe que isso não é normal, e que o prazer associado ao consumo daquela coxinha vai ser rápido - afinal, no outro dia, já vai acordar pensando naquele sanduba daquela marca famosa. Você também é capaz de fazer associações glutônicas: eu gostava de sentir o sabor da mordida de determinado sanduiche de uma grande rede de fast food, recheado de catchup, com duas ou três batatas fritas da mesma rede, com o gosto de coca cola gelada - tudo isso, ao mesmo tempo, na minha boca. E é mesmo um vício, um ciclo: aquela necessidade vai retornar, amanhã, semana que vem, e é bom você obedecê-la, para se sentir feliz.

Eu tinha vergonha de ir a determinados lugares. Pedia a quem pudesse me ajudar que entrasse no estabelecimento, comprasse a comida e saísse de lá, para comermos no carro ou em casa. "Não quero ser o gordinho levando o lanche pra casa" e, nesse sentido, drive thru é uma bênção (ou maldição?). Ninguém lhe vê: você vai lá, escolhe, paga, pega, come e pronto! Não é ridículo escolher a pizza mais gorda com uma coca 2l e ter que olhar os outros obviamente comentando sobre como você não deveria estar fazendo aquilo. Ah, isso sem falar dos estabelecimentos cujos assentos são impossíveis... cansei de recusar determinados convites para determinados lugares porque as cadeiras do lugar não me cabiam (sabe aquelas cadeiras com braços?) ou porque os assentos poderiam quebrar. Eu desenvolvi uma técnica para ficar meio na frente, meio atrás, naquelas cadeiras de plástico que existem em qualquer churrasco, o que mitigava o risco de queda. Seria engraçado se não fosse triste, né?

Enquanto eu ia queimando as calorias juntamente com a minha personal trainer, pensava o quanto tinha perdido tempo com dietas milagrosas, shakes diet e necessidades urgentes de mudança. Dificilmente alguém em sã consciência é obeso sem saber que algo está errado e é necessário fazer algo a respeito. Só que você também está VICIADO em açúcar, e esse vício não é facil de combater. É óbvio cada pessoa funciona de uma forma, e não nego a possibilidade de tais dietas terem dado certo pra quem quer que seja. Pra mim, com elas, eu perdia 10kg em três meses e ganhava 20kg no momento em que vacilasse. Nesse vai e vem, pesei 110kg em 2004, 125kg em 2007, 135kg em 2009, 145kg em 2011 e 160kg em 1 de janeiro de 2014. Decidi procurar ajuda profissional, os quais constataram uma esteatose hepática nível 4 e diversas condições de risco à saúde associadas à obesidade: pressão alta, risco cardíaco, probleminhas na estrutura óssea...

Tais profissionais me recomendaram uma dieta básica de 1800kcal e exercícios físicos regulares. Passaram uns "remedinhos" para me ajudar no processo - o que eu temia muito à princípio. Consegui perder algum peso, mas passava muita fome. Muita mesmo. Sabe crise de abstinência, aquela pela qual passa um viciado químico em determinado droga quando decide (ou decidem por ele) que ele precisa largar? Embora não conheça o outro lado, para mim, dietas com restrição calórica só podem ser piores: você continua alimentando o seu vício, mas as quantidades são mínimas. Por isso receitam ansiolítico, se não elas não vão funcionar, ou você vai enlouquecer de vez. 

Quem é obeso e se preocupa com isso, ou com seu futuro, ou minimamente com sua alimentação, ou sua imagem, o que seja, já ouviu falar na dieta do Dr. Atkins. Eu já até tinha tentado ela uma vez, e perdi rapidamente coisa de 5kg (estava com 115, cheguei a 110, acredito), mas percebi, pelas recomendações de amigos na academia, da personal trainer mesmo e do conceito da dieta passada pela doutora, que a tendência - ao longo da dieta - era diminuir o consumo de carboidratos e aumentar o de proteínas, até achar um equilíbrio. Mesmo assim, a base era restrição calórica e isso tudo se tornaria muito complicado sem os remedinhos. Foi nesse processo que, coincidentemente, comecei a ver diversas postagens no Facebook do meu amigo Hilton e da minha amiga Sheilla, sua esposa, acerca dos benefícios da dieta paleolítica.

Daí fui ao Paleodiário (isso era coisa de março, quando eu estava no auge dos meus 148kg) e me interessei pelo conceito - especialmente pela base científica da coisa. Pra nós que somos nerds, a conversa tem que fazer sentido hehe. Li outros sites conhecidos e desconhecidos sobre o assunto, alguns artigos, algumas recomendações de dieta, comprei minha porção de bacon e ovos e decidi começar. Infelizmente, durante o início do processo, influenciado pelas refeições passadas pela médica, não removi carboidratos completamente, pelo que ingeria mandioca, batata doce, arroz e feijão esporadicamente, mesmo que em quantidades menores. Mesmo assim perdia coisa de 5 a 6kg por mês.

Chegou num ponto da dieta (125kg) que eu decidi ficar mais radical. LCHF total com uma refeição do lixo (sábado à noite, geralmente - pizza, a minha 'fraqueza', geralmente). Passei a perder 12 kg por mês. Em julho/2014 perdi 15kg (118kg para 103kg) - sem sentir fome. Ia no rodízio de carne sem problema. Pedia o sanduíche, tirava o pão e me deliciava. Passei a ficar muito mais disposto, inclusive para malhação, mais racional na minha tomada de decisão no trabalho e nos estudos, e passei a sentir melhor o sabor dos alimentos. No fim das contas, perdi 75kg em 7 meses - pelas minhas contas, poderiam ter sido 5 meses se não fosse o início mais "lento". Em setembro estava no meu peso ideal, adicionando poucas quantidades de carboidrato para bombar um pouco os músculos.

Infelizmente passei por alguns dificuldades na vida pessoal no fim do ano passado e início desse ano que me fizeram abandonar a dieta temporariamente. É natural, portanto, que nesses 8 meses eu tenha recuperado 10kg, pois eu comia tudo o que tinha direito (tudo mesmo). Mas não vejo isso como de todo ruim: me dei conta que ganhar peso, mesmo para quem passou por um processo de emagrecimento severo, o que deixa o corpo e as células adiposas pré-dispostas ao efeito sanfona, é muito mais difícil que perder, pelo menos se o emagrecimento se deu segundo uma realidade LCHF. Não tem mais desculpa para ficar acima do peso!

Mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde as coisas iriam se ajustar e eu poderia retornar à dieta, como fiz há cerca de uma semana, associando a mesma com conceitos de jejum intermitente. 

Já perdi 3,5kg – alguém duvida que volto aos 85kg rapidinho?

Rodrigo.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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