Você tem medo de quê ? Si oju ki o ri odi re !



O cérebro humano é ruim, por definição, com estatísticas. E a mídia não faz nada para nos ajudar com o assunto – muito antes, o contrário (já escrevi sobre isso em outra ocasião).

Tem uma imagem do Jamie Oliver que é a ilustração clássica desse fato:

"Homicídio representa 0.8% das mortes. Doenças ligadas à
dieta causam mais de 60%. Mas ninguém fala sobre isso".


Alguns dias atrás, eu estava conversando com amigos exatamente sobre "qual seria a medida de curto prazo, mais eficaz para ajudar o Brasil a sair do buraco". A maioria deles falava em pena de morte, redução de maioridade penal e ampliação/privatização do sistema prisional. Quem me conhece, sabe que não concordo com nenhum dos três – mas nesse ponto a conversa tomou outro rumo: eu perguntei (já sabendo a resposta, é claro) se eles tinham mais medo de morrer por doença ou violência.

É estranho e triste ver como o medo é fundamentado na estatística, e movido pela propaganda. Se você pára para analisar os dados disponíveis, vê que o que nos mata aos montes não é tiro, porrada e bomba. Pelo menos, não bomba de pólvora – de chocolate, quem sabe ?

Segundo os dados da Federeação Internacional do Diabetes, em 2014 o Brasil perdeu 116.383 vidas para o diabetes, com idades entre 20 e 79 anos. 

As mortes violentas nos últimos 10 anos chegam a 500.000 – ou seja, 50.000 por ano. Mortes em acidente de trânsito: 48.349.

Se você somar as duas, em 2014, ainda não chega ao estrago que o diabetes faz.

E estamos falando apenas dos mortos. O Brasil tem 11.6 milhões de diabéticos, e cada um deles custa R$3669/ano (o valor é dado em dólares, eu listei na cotação de hoje), seja a cofres públicos ou particulares. Isso totaliza mais ou menos 42.5 bilhões de reais anuais, só em cuidados com diabéticos – mas isso é assunto para outro artigo.

No entanto, não vemos a mídia anunciar essas tragédias diárias (318 pessoas mortas por dia!). Imagine o Jornal Nacional, dia após dia, anunciando: "Hoje, mais 318 pessoas morreram por complicações ligadas ao diabetes".

Nunca veremos isso acontecer, e por alguns motivos:


  1. As mortes (em sua maioria) não são abruptas, no sentido de "fulano saiu de casa para trabalhar e nunca mais voltou". Isso dilui o impacto para o público – o que faz com que a notícia não venda...
  2. As mortes não são "grupais", no sentido de que não acontecem "todas num mesmo evento". Mais uma vez, o impacto é diluído
  3. Não há interesse político-econômico REAL em combater o diabetes: Quem você acha que patrocina os congressos de diabetes ? Uma dica: são grandes empresas que vivem da doença dos outros. E que tal colocar a raposa para tomar conta do galinheiro ? Outra dica: é uma marca de refrigerante, sabidamente um dos grandes indutores do consumo excessivo de carboidratos.
  4. Qual governo, em "sã consciência", vai abertamente falar contra indústrias que movimentam o dinheiro do país ? No máximo, arriscam um tímido "coma menos açúcar".
  5. Esse motivo aqui:

Apoio:
ABESO - Associação Brasileira para Estudo da Obesidade
ABRAN - Associação Brasileira de Nutrologia
SBAN - Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição

Quem é que pode falar mal de uma empresa boazinha que fomenta 
a ciência e que conta com o apoio de organizações idôneas que
zelam pela nossa saúde ?


(No fim das contas, vai ser uma questão – para variar – de dinheiro. Só quando os custos com a saúde excederem os ganhos com a venda de lixo, é que alguma providência será tomada. Só espero que dê tempo).

Mas voltando ao assunto, você tem medo de quê ? De quem te incapacita, mata e sai impune ? Pois é... Só lembre-se de que essa entidade não necessariamente é um humano. Não necessariamente ela vai anunciar o crime. Não necessariamente vai te matar, talvez apenas deixe uma mazela pelo resto da sua existência.

Talvez ela esteja em sua casa nas ocasiões festivas, talvez a sua família reúna-se com ela à mesa, talvez incentivem suas crianças a tê-la por perto. 

Gosto muito de um provérbio iorubá que diz: "Si oju ki o ri odi re": "Abra seus olhos e reconheça o seu inimigo"

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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