Tirando o chapéu para os japoneses

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Malcolm Kendrick

(Colesterol elevado é bom para você).

Jacobson Hat Company Men's Deluxe Coolie Hat, Natural, AdultPor muitos anos, tenho dito a qualquer um que escute, que se você tiver colesterol alto, viverá mais. Igualmente, se tiver colesterol baixo, morrerá mais jovem. Isso, senhoras e senhores, é um fato. Quanto mais velho você fica, mais benéfico é ter um colesterol alto.

Este fato tornou-se mais difícil de demonstrar recentemente, porque como muitas pessoas foram postas para tomar estatinas, a associação entre níveis de colesterol e mortalidade foi distorcida e remodelada nas formas mais estranhas imagináveis. Entretanto, o Japão provê alguns dados muito interessantes. O Japão sempre teve taxas muito baixas de doença cardíaca, uma expectativa de vida invejável e... geralmente, níveis de colesterol baixos. Aha! Certamente isso significa que níveis baixos de colesterol são bons para você ? Bem...

Bem, aqui está a introdução de uma revisão de 116 páginas sobre a hipótese do colesterol publicadda nos Anais de Nutrição e Metabolismo. Ela foi publicada em 30 de abril de 2015. Eu acabo de lê-la pela primeira vez. Pensei em compartilhar a introdução, na íntegra:

Níveis altos de colesterol são reconhecidos como uma grande causa da aterosclerose. Entretanto, por mais de meio século alguns têm desafiado esta noção. Mas qual lado está correto, e por que não chegamos a uma conclusão definitiva após todo esse tempo e com mais e mais dados científicos disponíveis ? Nós acreditamos que a resposta é muito simples: pelo lado dos defensores desta chamada teoria do colesterol, a quantidade de dinheiro em jogo é muito grande para que a luta possa ser perdida.

A questão do colesterol é uma das maiores da medicina, na qual a lei da economia governa. Além disso, advogados da teoria assumem a noção como um "fato" simples, irrefutável e auto-explicativo. Eles podem pensar que aqueles que discutem contra a teoria do colesterol – na prática, a hipótese do colesterol – são meros excêntricos.

Nós, pertencendo ao lado que se opõe à hipótese, compreendemos o seu argumento muito bem. De fato, o primeiro autor deta edição suplemnetar era um crente forte e advogado da hipótese do colesterol até alguns anos atrás – quando o Estudo Escandinavo de Sobrevivência com Sinvastatina reportou os benefícios da terapia de estatinas em 1994. Para ser honesto com os leitores, ele costumava persuadir pessoas com colesterol alto a tomar estatinas. Ele até mesmo deu uma ou duas palestras para médicos promovendo os benefícios das estatinas. Terríveis, imperdoáveis erros dado o que viemos a saber, e sabemos claramente agora.

Nesta edição suplementar, exploramos o pano de fundo da hipótese do colesterol usando dados obtidos principalmente do Japão – o país no qual as campanhas da teoria anti-colesterol podem ser conduzidas mais facilmente do que em qualquer outro país. Mas por que é assim ? É por que os pesquisadores japoneses que defendem a hipótese recebem menos suporte das companhias farmacêuticas do que os demais ? De maneira alguma. Porque os pesquisadores japoneses são indolentes e fracos ? Não, é claro que não. Porque o público japonês é cético sobre os benefícios da terapia médica ? Não, eles geralmente aceitam tudo o que os médicos dizem; infelizmente; isso é também complicado pelo fato de que os médicos não tem tempo suficiente para estudar a questão do colesterol por si, fazendo com que simplesmente aceitem a informação provida pela indústria farmacêutica.

Lendo esta edição suplementar, vai ficar claro o motivo de o Japão poder ser o ponto de partida para teoria anti-colesterol. A relação entre a mortalidade por qualquer causa e o colesterol sérico no Japão é muito interessante: a mortalidade na prática diminui níveis mais altos de colesterol total ou LDL, conforme reportado pela maioria de estudos epidemiológicos na populaçõe. A relação não pode ser tão facilmente observada em outros países, exceto em populações mais velhas – nas quais a mesma relação é reproduzida mundo afora.

A mortalidade por doença coronariana no Japão foi responsável por apenas 7% das mortes por qualquer causa, por décadas; uma taxa muito mais baixa que a vista em países ocidentais. A teoria de que "quanto mais baixos os níveis de colesterol, melhor", está completamente equivocada no caso do Japão – na prática, o oposto exato é verdade. Como o Japão é único em termos de fenômenos relacionados ao colesterol, é fácil achar falhas na hipótese do colesterol.

Baseados nos dados do Japão, nós propomos uma nova direção no uso dos medicamentos para colesterol, para a promoção da saúde global; especificamente, reconhecendo que o colesterol é um fator de risco negativo para mortalidade por qualquer causa, e re-examinando nosso uso de medicação para colesterol. Isso, acreditamos, marca o ponto de partida de uma mudança de paradigma não apenas em como compreendemos o papel que o colesterol tem na saúde, mas também em como provemos tratamento para colesterol.

As diretrizes para o colesterol são por conseguinte outra área de grande importância. De fato, a maior porção desta edição suplemnentar (do capítulo 4 em diante) é dedicada ao nosso exame e crítica detalhados das diretrizes publicadas pela Sociedade de Aterosclerose do Japão. Nós dedicamos uma grande parte deste trabalho às diretrizes porque elas são em geral muito bem consideradas no Japão, e o mecanismo de administração da saúde pública do país adere a elas sem questionamento. Médicos também, tendem a simplesmente obedecer as diretrizes; sua carga de trabalho geralmente não lhes permite explorar a questão com rigor suficiente para aprender a verdade subjacente, e eles frequentemente tem medo dos litígios caso não sigam as diretrizes em sua prática diária.

Este capítulo claramente descreve algumas das falhas nas diretrizes – falhas tão sérias que torna-se claro que as coisas precisam mudar e as diretrizes precisam ser atualizadas. Nosso propósito ao escrever esta edição suplementar é ajudar todo mundo a compreender a questão do colesterol melhor que antes, e esperamos ter apresentado o porquê de uma mudança de paradigma no tratamento do colesterol ser necessária, e o mais cedo possível. Gostaríamos de esteressar o fato de que não recebemos financiamento na escrita deste suplemento, e que nossos conflitos de interesses estão inteiramente descritso ao final.

Aqui está a introdução ao capítulo sobre colesterol e mortalidade:

Mortalidade por todas as causas é o desfecho apropriado a ser usado quando se investiga fatores de risco para doenças que amecem a vida. A seção 1 discute a mortalidade por todas as causas de acordo com níveis de colesterol, conforme determinado por grandes estudos epidemiológicos no Japão. No geral, uma tendência inversa é encontrada entre a mortalidade por todas as causas e o colesterol total (o mesmo vale para o LDL): a mortalidade é mais alta no grupo com o colesterol mais baixo, sem exceção. Se nos limitamos a indivíduos de idade avançada, esta tendência é universal. Conforme discutido na seção 2, pessoas mais velhas com os níveis mais altos de colesterol tem a maior taxa de sobrevivência, independente de onde vivam no mundo.

Eu não acho que realmente queira dizer algo mais, a não ser repetir esse fato. Se você tem colesterol alto (ou LDL), você vai vier mais. Isso é especialmente verdade para o idoso.

Ann Nutr Metab 2015;66(suppl 4):1–116 DOI: 10.1159/000381654

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

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Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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