Esquizofrenia

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Barry Groves

Introdução

Nos anos 1960, o Dr. F. Curtis Dohan percebeu que em regiões nas quais o consumo de glúten era comum, a taxa de esquizofrenia era substancialmente mais alta que em locais nos quais o consumo era ausente: locais onde as pessoas dependiam de batata-doce, arroz ou milhete ao invés de trigo, centeio, cevada ou aveia, por exemplo. Pesquisa subsequente, incluindo experimentos feitos por outros envolvendo biópsias, levaram Dohan a concluir que pessoas diagnosticadas como esquizofrênicas tipicamente não tinham a mesma reação ao glúten que pessoas com doença celíaca, no sentido de que elas não tinham o mesmo tipo de danos às vilosidades do intestino delgado, mas que um subconjunto de esquizofrênicos sensíveis ao glúten processavam o glúten e a caseína (dos laticínios) de maneira que expunha seus cérebros a certas substâncias psicoativas muito potentes que agora sabe-se existir nestes alimentos.

Em seu primeiro ensaio clínico publicado, realizado no Hospital dos Veteranos, Dohan experimentou remover os cereais que contêm glúten e os laticínios da dieta de pessoas diagnosticas como esquizofrênicas, enquanto eles estivessem na ala de reclusão; eles voltavam a comer uma dieta contendo glúten quando saíam desta ala.

Daqueles na dieta livre de glúten na ala fechada, 80% permaneceram nela (e na dieta livre de glúten) por 10 dias ou menos. Outras pessoas diagnosticadas como esquizofrênicas que passaram pela mesma ala foram mantidas em uma dieta rica em glúten ao invés de uma dieta livre de glúten e laticínios.

As pessoas do hospital que estiveram na dieta livre de glúten durante a estadia na ala fechada receberam alta quase duas vezes mais rápido que aquelas que estivera numa dieta rica em glúten. Dohan escreveu: "O tempo médio até a alta para os pacientes SCSL (sem cereais, sem laticínios) foi 55% do tempo até a alta para pacientes MC (muito cereal). 77 dias para o primeiro grupo, 139 dias para o segundo" [1].

Entre 1966 e 1990, mais de 50 artigos observando o papel dos grãos cereais como uma causa da esquizofrenia, foram publicados. Dr. Karl Lorenz conduziu uma meta-análise deles e concluiu que "em populações comendo pouco ou nenhum trigo, centeio e cevada, a prevalência de esquizofrenia é muito baixa, independente do tipo de influência cultural" [2].

Isso suportava estudos clínicos anteriores que tinham mostrado que os sintomas esquizofrênicos melhoravam em dietas livres de cereais e pioravam quando da sua re-introdução [3, 4, 5].

Esquizofrenia e baixa ingestão de gordura


Esta evidência também amarra-se bem com outras pesquisas dietárias paralelas. Se pessoas comem mais de um nutriente, elas necessariamente comem menos de outro. Por tal razão, uma dieta rica em carboidratos é provavelmente também pobre em gorduras, e há um corpo de dados pesquisa crescente que sugere que a esquizofrenia possa ser o resultado da composição anormal de ácidos graxos no cérebro. Em um estudo controlado de ácidos graxos em pacientes com esquizofrenia, pesquisadores do Departamento de Psiquiatria do Hospital Northern General, Sheffield, perceberam que os ácidos araquidônico (ARA) e docosahexanóico (DHA) eram particularmente baixos. Estes ácidos graxos existem comumente nas gorduras de carnes e peixes, respectivamente, mas não são encontrados em óleos vegetais. Os autores dizem que "uma correlação forte existe entre a esquizofrenia e deficiências de gorduras (...) A possibilidade de que dietas em geral pobres em gorduras possam piorar a esquizofrenia ou mesmo aflorar a condição naqueles predispostos, é difícil de ignorar" [6]. Eles seguem sugerindo que isso "abre novas e excitantes possibilidades terapêuticas" para um tratamento dietário da esquizofrenia – com uma dieta pobre em carboidratos e rica em gorduras.

Aumento do crime atribuído à esquizofrenia


Enquanto o número de crimes reportados na Dinamarca permanece inalterado desde 1987, tem havido um número crescente de delinquentes diagnosticados como mentalmente doentes naquele país. Em linha com muitos outros países, a Dinamarca reorganizou o cuidado psiquiátrico com o fechamento de metade dos leitos psiquiátricos em favor da saúde mental comunitária. Um relatório publicado em junho de 2003 descobriu que a "principal razão para o crescimento exponencial  é um número crescente de pacientes esquizofrênicos cometendo crimes. Conclui-se que a de-institucionalização é a causa principal para tal decorrência" [7]. Mas, como sabemos, a esquizofrenia pode ser afetada pela dieta. Dieta demonstradamente  influencia o comportamento social e a criminalidade tanto em crianças quanto em adultos.

Referências


  1. Dohan FC, Grasberger JC. Relapsed schizophrenics: earlier discharge from the hospital after cereal-free, milk-free diet. Am J Psychiatry 1973; 130: 685-8 
  2. Lorenz K: Cereals and schizophrenia. Adv Cereal Sci Technol 1990; 10: 435–469. 
  3. Dohan FC, et al. Relapsed schizophrenics: More rapid improvement on a milk and cereal free diet. Br J Psychiatry 1969; 115: 595–596. 
  4. Dohan FC, Grasberger JC. Relapsed schizophrenics: Early discharge from the hospital after cereal free, milk free diet. Am J Psychiatry 1973; 130: 685–688. 
  5. Singh MM, Kay SR. Wheat gluten as a pathogenic factor in schizophrenia. Science 1976; 191: 401–402. 
  6. Laugharne JD, Mellor JE, Peet M. Fatty acids and schizophrenia. Lipids, 1996; 31 Suppl: S163-5. 
  7. Kramp P, Gabrielsen G. Crimes committed by mentally ill persons in the years 1977-1999. Development, number and causes. Ugeskr Laeger 2003; 165: 2553-6.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

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Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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