Espondilite anquilosante

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Barry Groves

Introdução


A espondilite anquilosante (EA) é uma forma inflamatória de artrite que tende a aparecer inicialmente como dor na base das costas, de maneira similar a outras condições. Não se tem certeza da causa da EA, mas já houve alguns desenvolvimentos importantes na nossa compreensão da condição em anos recentes. O que se sabe é que ela é cerca de 300 vezes mais frequentes em pessoas que herdam um certo grupo de grupo de glóbulos brancos chamado HLA B27, do que naqueles que não herdam. Estudo também mostararam que certos químicos no corpo apresentam-se elevados em pessoas que têm a condição, e isso aponta para um micróbio intestinal agindo como gatilho através da parede do intestino. A bactéria que se acredita ser a mais provável culpada é a Klebsiella pneumoniae, pois já foram encontrados anticorpos contra ela em pacientes de EA de 10 países diferentes.

Quem desenvolve EA ?


Sabemos há tempo que essa dor nas costas, a espondilite anquilosante, "é de família" – e geralmente afeta homens, apesar de poder afetar mulheres também. Como ela afeta pessoas com um tipo de glóbulo branco específico, pode ser uma desordem genética. Tipicamente, a doença afeta homens jovens. Entretanto, ocorre em mulheres também. Como dor nas costas é comum, você pode passar sua vida inteira com a condição e nunca ser realmente diagnosticado com EA. Mas se diagnosticada cedo, ela pode ser tratada com eficiência.

Como a EA difere de outras dores nas costas ?


A aflição mais comum que atinge as costas é a "dor nas costas", que pode ocorrer em qualquer idade. Um "disco deslocado" é outro exemplo. Mas à medida que envelhecemos, nossas articulações sofrem de desgaste. Por tais razões, a maioria dos pacientes com "dor nas costas" não tem EA.

Sintomas da espondilita anquilosante que ajudam a distingui-la de outras condições:

  • Estabelecimento lento: EA aparece num período de semanas, ao invés de horas
  • Idade do estabelecimento: geralmente afeta grupos de 20 a 25 anos
  • EA surge como uma dor e desconforto matinais
  • EA persiste por 3 meses ou mais, ao invés de surtos 
  • EA tende a melhorar com o exercício e piorar se você descansa – que é o oposto da maioria das condições articulares

Apesar de eu estar falando sobre dor na base das costas, ela não está sempre confinada a esta área. Alguns pacientes têm dor no peito que piora quando inspiram profundamente. Esta dor no peito pode ser confundida com problemas cardíacos, apesar de na prática emanar das junções entre as costelas e a coluna. Por causa da dor, pode ser difícil respirar fundo. Outras articulações também podem ser envolvidas – quadris, ombros, joelhos e tornozelos são as mais comuns. Outras partes moles do corpo também podem ser afetadas: olhos podem ficar inflamados, e coração, pulmões, sistema nervoso central, intestinos e pele também podem ser afetados. Então, como você pode ver, os sintomas podem ser muitos e variados.

Quando a EA começa, geralmente causa uma dor sentida na parte baixa das costas, glúteos e às vezes, atrás das coxas. É comum que um lado fique pior que o outro. Se este enrijecimento ou dor é sentido ao acordar, e a melhora durante o dia, é outro indicativo de que a condição pode ser espondilite anquilosante.

EA é uma doença que pode ser dolorosa e debilitante, mas que também pode sintomas indistintos tais que você não necessariamente sente-se doente: apenas cansado, talvez deprimido, tem algumas dores e pode perder peso. Nos estágios iniciais, a EA pode desaparecer por si mesma, ou pode progredir. É uma condição que requer um médico para ser diagnosticada.

Tratamento para EA


O tratamento mais efetivo para EA é uma dieta LCHF.

Espondilite anquilosante é em geral vista como doença autoimune – em outras palavras, uma doença na qual o seu sistema imune ataca o próprio corpo. É um princípio comum a diversas outras condições: doença celíaca ou esclerose múltipla, por exemplo. Então provavelmente não é de surpreender que, de maneira similar, remover o amido da dieta tenha se mostrado tão benéfico [1].

Um paciente de EA foi posto em dieta low-carb para perda de peso em 1982. Quatro meses depois, quando seu caso foi revisado na clínica, não apenas ele tinha perdido peso mas sua dor nas costas tinha sumido. Isso deixou os médicos pensativos. Mais tarde, uma dieta de baixo carboidrato foi desenvolvida, com a ênfase principal sendo alertar os pacientes de EA para reduzirem significativamente a sua ingestão de pão, batatas, bolos e massas. Para compensar pela perda calórica, eles foram orientados a aumentar sua ingestão de carne, peixe, frutas e legumes – excluindo as batatas. Foi testado primeiro em pessoas saudáveis, e depois estabeleceu-se um teste clínico. Neste, pacientes de EA reportaram que a severidade de seus sintomas declinou e em alguns casos, desapareceu. Muitos pacientes também notaram que sua necessidade de analgésicos também diminuiu.

Desde 1983, a Clínica de Espondilite Anquilosante no Hospital Middlesex (Londres) tem usado dietas low-carb no tratamento de mais de 450 pacientes de EA. Mais da metade destes deixaram de requerer medicação e são tratados somente por via dietária.

Referência


  1. Ebringer A, Wilson C. The Use of a Low Starch Diet in the Treatment of Patients Suffering from Ankylosing Spondylitis. Clin Rheumatol 1996; 15, Suppl 1: 62-66

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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