Dieta e risco de endometriose em um estudo populacional com caso-controle

Dando sequência à tradução anterior, esbarrei com um artigo que fala sobre a relação entre dieta e endometriose. Foi publicado em 2010 no Jornal Britânico de Nutrição, e traz considerações interessantes.

Antes de mais nada, trata-se de um estudo observacional. Ou seja, não houve intervenção direta – apenas observaram o que os grupos comiam, e registraram os resultados. Isso tem muito menos valor que um estudo prospectivo, no qual aplica-se um medicamento/dieta/tratamento de qualquer tipo a um grupo, e não a outro. 

Embora um estudo observacional consiga determinar relações, ele não consegue determinar causa e efeito. Dito isso, utilize a informação com sabedoria :-)

Os principais pontos são:

  • Dieta plausivelmente tem um papel na etiologia da endometriose através de efeitos nos níveis de hormônios esteróides
  • Foram avaliados fatores dietários de risco para endometriose em um estudo populacional com caso-controle. 
  • Os casos foram 284 mulheres entre 18 e 49 anos, com endometriose recém-diagnosticada e cirurgicamente confirmada entre 1996 e 2001. 
  • Os controles foram 660 mulheres aleatoriamente selecionadas, com idades equiparadas, sem histórico de endometriose. 
  • Nutrientes e grupos alimentares selecionados foram avaliados usando o Questionário de Frequência Alimentar (FFQ) da Iniciativa da Saúde da Mulher (N.T.: um dos maiores estudos já feitos sobre a saúde feminina). 
  • O consumo aumentado de gorduras totais foi associado com risco diminuído de endometriose – considerando gorduras saturadas, monoinstaturadas e mesmo gorduras trans
  • O consumo aumentado de beta-caroteno e de porções/dia de frutas foram associados com risco aumentado
  • Foi encontrada também a sugestão de que a redução da endometriose está associada com o consumo de laticínios, mas tal associação não foi estatisticamente significativa para o terço superior. 
São citados ainda 3 outros artigos (aqui, aqui e aqui) com abrangências, metodologias e resultados conflitantes entre si. 

  • No primeiro, a incidência de endometriose relaciona-se negativamente com porções "altas" e "intermediárias" de óleos por semana. 
  • O segundo estudo não reportou associação do risco de endometriose com o consumo de margarina, mas apontou um risco marginalmente aumentado com o consumo de manteiga em análises não-ajustadas. Apontou também um risco reduzido de endometriose associado ao consumo de vegetais e frutas frescas.
  • O terceiro estudo não associa o total de gorduras ingeridas à endometriose. Entretanto, o quinto superior de ingestão de gorduras trans foi associado ao risco de endometriose – enquanto o quinto mais alto de ingestão de ácidos graxos ômega-3 de cadeia longa esteve inversamente associado com o risco.

O artigo encerra-se mencionando a necessidade de estudos prospectivos, que podem efetivamente detectar causa e efeito. Conhecendo o funcionamento de uma dieta paleo, especialmente não-tão low-carb, eu diria para portadoras de endometriose darem-se uma chance!

Uma busca rápida por "paleo endometriosis" ou "low carb endometriosis" revela dezenas de casos de sucesso em que mulheres conseguiram mitigar essa dolorida condição de maneira natural, sem uso de remédios.

No pior caso, tudo o que você está fazendo é comer comida de verdade. Vale o benefício da dúvida ?

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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