Índice insulinêmico

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Mark Sisson

O leitor Pete me pediu alguns comentários sobre o "índice insulinêmico", um gráfico similar ao índice glicêmico. Enquanto o índice glicêmico calcula o aumento relativo da glicemia induzido por algumas comidas, o índice insulinêmico avalia a resposta insulínica gerada por 38 diferentes alimentos.

O índice, que fez sua estréia em um artigo do Jornal Americano de Nutrição Clínica de 1997, foi primariamente uma criação de Susanne Holt, estudante na época e atualmente médica. Curiosamente, Holt, seus orientadores e outros pesquisadores escolheram não conduzir mais pesquisa para atualizar os resultados "preliminares" do seu estudo sobre o índice insulinêmico desde a sua criação anos atrás.

Enquanto Holt e co-autores encontraram uma alta correlação entre as medidas do índice glicêmico e do insulinêmico, esbarraram com uma exceção intrigante. Comidas ricas em proteínas, virtualmente sem carboidratos, como carne e ovos, apesar de baixos em índice glicêmico, figuravam altos no índice insulinêmico. Em outras palavras, apesar de a carne e ovos não causarem um pico na glicemia da maneira que a maioria dos carboidratos fazem, eles resultavam em um aumento inesperadamente alto da insulina (produtos de padaria, com seu alto nível de carboidratos refinados, geraram uma elevação muito alta de insulina também – mas isso, é claro, não é surpresa).

Obviamente, o índice tem potencial para nos fazer coçar a cabeça, especialmente para aqueles entre nós que escolhem uma dieta rica em proteínas. Mas há mais coisas aqui. Primeiramente, vamos relembrar que as comidas ricas em proteínas não resultam no estresse físico dos picos de glicemia. Mas e sobre aquele aumento da insulina ? Por que ? Eu devia me preocupar com aquele omelete que comi no desjejum ?

A insulina por si, é uma coisa boa e necessária. Ela promove o armazenamento de nutrientes, afinal de contas. Em nosso estado natural, esse era um processo essencial. Mesmo em nossas vidas modernas, tal armazenamento ainda é vital (nós apenas temos o péssimo hábito de sobrecarregar o sistema atualmente). No caso de comidas ricas em proteínas, faz perfeito sentido que o corpo reconheça a necessidade de armazenar aminoácidos (a vida primitiva não era um cronograma perfeito de três refeições por dia).

A insulina ajuda carrear os aminoácidos para as células musculares, onde são necessários. E no coração desse processo, uma coisa é certa: o corpo sabe bem o que está fazendo.

Mas há outra dimensão para a questão proteína-insulina. Quando comemos comidas ricas em proteínas, outro químico é liberado pelo corpo, que na prática tem um efeito oposto ao da insulina. Comidas ricas em proteínas também resultam em uma liberação de glucagon (comidas ricas em carboidratos não fazem isso). O glucagon eleva os níveis de açúcar no sangue, em parte para permitir a absorção de aminoácidos pelo fígado e a sua subsequente transformação em glicose. Na nossa evolução, desenvolvemos a capacidade de fazermos aquilo que precisamos a partir do que estava disponível. Se o jantar era um pedaço de carcaça de mamute, então o corpo podia aproveitar a proteína que precisava e usar a resposta insulínica para armazenar aminoácidos essenciais. Simultaneamente, ele tinha o glucagon para manter a glicemia estável na ausência de comidas baseadas em carboidratos.

O que isso nos diz ? Isso enfatiza o fato de que não precisamos (e não devemos) incluir carboidratos extra em nossa dieta. Os carboidratos que conseguimos das plantas e a glicose que pode ser feita mesmo a partir de comidas baseadas em proteínas, oferecem o suficiente dos combustíveis que nossos corpos precisam.

Para pessoas sem diabetes, as respostas de insulina e glucagon mitigam-se simultaneamente, e temos um panorama saudável. Para pessoas com diabetes ou resposta insulínica danificada, entretanto, o quadro é bem diferente. No diabetes, este equilíbrio crucial está danificado. O corpo não apenas tem dificuldade em compensar os picos de glicemia da ingestão de carboidratos; ele também tem uma desvantagem no que diz respeito a refeições low-carb, ricas em proteínas, com a falta do equilíbrio insulina-glucagon (outra razão para evitar desenvolver diabetes). Entretanto, diabéticos saem-se melhor com uma dieta low-carb.

Resumindo, enquanto o índice insulinêmico levanta alguns pontos intrigantes, eu não acho que invalide o Primal Blueprint ou destrua a existência conforme conhecemos. É mais um pouco de pesquisa que ilumina a interação natural dos sistemas dos nossos corpos com as dietas que lhes damos. O índice enfatiza a necessidade pelas escolhas responsáveis dos alimentos, baseada no funcionamento inerente da nossa fisiologia.

Agora, passe o bacon por favor.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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