Causas dietárias da acne

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.
por Barry Groves 

Causas dietárias da acne vulgaris: Comidas ricas em açúcar refinado e amido; grãos cereais; produtos processados ricos em carboidratos.

Introdução


Não existe "caso clássico de acne". Aqueles que sofrem de acne pertencem a diferentes faixas etárias, diferentes históricos e diferentes estilos de vida. Você pode ter acne enquanto adulto, bem como quando criança, e a acne adulta é ainda mais frustrante. O que eles têm em comum é a frustração com a condição da sua pele. Todos querem saber o motivo de isso lhes estar acontecendo.

Estudo de caso


"Eu desenvolvi acne por volta dos 12 – cerca de um ano depois de os médicos me colocarem numa dieta com pouca gordura. Não era inesperado que eu fosse ter acne; meu pai era um caso sério; minha irmã, que tinha 5 anos de idade, também sofria. Eu estava determinado a não deixar que ela me marcasse com cicatrizes como aconteceu com a minha irmã e pai, então meu médico me apoiou. Apesar de ele me dizer que o problema provavelmente se resolveria por si quando a puberdade acabasse, eu comecei a tomar tetraciclina e calamina, me submeti a tratamentos com luz ultra-violeta, e acabei por usar uma loção de tretinoína (ácido retinóico), prescrita pelos dermatologistas do hospital. Nada funcionou. Quando eu tinha 19 o clínico da universidade recusou-se a prescrever tretinoína, e me colocou para tomar anticoncepcional. Sem mudanças. Me dissesram que quando eu tivesse 25, minha pele ficaria limpa. Não ficou. Também me "recomendaram" ter um bebê, porque isso "provavelmente" limparia a minha pele. Essa eu decidi não tentar! Aos 30 me disseram que quando eu passasse pela menopausa, minha pele melhoraria maravilhosamente – uau, que coisa a se esperar!

Sobre a acne em si – eu tinha cravos constantemente, e espinhas cheias de pus no rosto, costas e ombros. Me mantinha impecavelmente limpa, lavando meu rosto diversas vezes ao dia e usando lenços com álcool entre eles; tomava dois banhos por dia. Eu era incapaz de vestir uma blusa sem uma jaqueta ou suéter por cima, porque ela ficava coberta de sangue e pus se eu me recostasse em uma cadeira. Sutiãs ficavam sempre manchados. Nunca usei camisetas sem manga, porquê as espinhas se estendiam até pouco abaixo dos cotovelos. Eu era uma excelente nadadora, mas as espinhas me deixavam constrangida em nadar. Mais tarde, quando comecei a mergulhar, podia usar uma camiseta sobre o maiô na piscina, e a roupa de mergulho quando em mar aberto. Eu detestava ser fotografada.

Quando comecei uma dieta low-carb, 4 anos atrás, não tinha quaisquer expectativas de melhora na pele, mas poucos meses depois, um amigo me olhou e disse que a minha pele estava muito melhor. eu não tinha percebido! Eu tendia a não me olhar no espelho – espinhas demais! Entretanto, eu me preparei para o pior, e vi algo que não tinha visto em minha vida adulta. Pele lisa, sem marcas! Meu rosto não tinha qualquer espinha, e não havia cravos à vista. Minhas costas ainda tinham algumas "bolinhas", marcas e cicatrizes antigas, bem como meus ombros – mas meu rosto tinha escapado das cicatrizes. Minha pele de 46 anos é lisa e possivelmente minha melhor característica!

Agora descobri que minha acne desaparece, dado que eu coma menos de 50g de carboidratos por dia. Eu "escorreguei" por 48h no natal (cerca de 150g no total!) e em uma semana minha pele tinha entrado em erupção – e levou até o fim de janeiro para que ela se acalmasse de novo. Isso acontece toda vez que abuso – um lembrete visível para permanecer low-carb.


Acne vulgaris: doença da civilização ocidental



Em sociedades ocidentalizadas, a acne vulgaris é uma doença de pele universal. A acne aflige 79 a 95% da população adolescente. De fato, acne durante a adolescência é tão comum que é considerada "normal" em nações desenvolvidas. Mas a acne também continua na vida adulta: a acne vulgaris afeta 45 a 54% dos adultos com mais de 25 anos, e em até 12% dos homens e 3% das mulheres, a acne persiste até a meia-idade. Na adolescência, a acne pode ser considerada um transtorno; em adultos ela é consideravemente menos tolerada.

Entretanto, é perceptível que nações que não consomem uma "dieta ocidental" não sofrem de acne. Um estudo do Dr. Loren Cordain e seu time observou a prevalência da acne em duas populações não-ocidentalizadas: os kitavanos de Papua Nova Guiné e os caçadores-coletores aché, do Paraguai [1].

De 1200 kitavanos examinados, incluindo 300 entre 15 e 25 anos, Cordain e colegas não encontraram um caso sequer de acne vulgaris. O mesmo para os aché que examinaram por quase 2 anos e meio. Nenhum caso de acne foi detectado.

Cordain e seu time atribuem a ausência de acne vulgaris nestes povos à sua dieta. Eles tizem: "A diferença impressionante nas taxas de incidência de acne entre povos não-ocidentalizados e sociedades inteiramente modernizadas não pode ser atribuído somente a diferenças genéticas entre as populações, mas provavelmente resultam de fatores ambientais diferentes. A identificação destes fatores pode ser útil no tratamento da acne vulgaris em populações ocidentais".

A diferença dietária significativa que apontaram foi que enquanto as crianças ocidentais comiam comidas ricas em açúcar e amido, ambos os grupos estudados dificilmente comiam quaisquer cereais ou açúcares refinados. Os kitavanos comiam primariamente peixe, frutas, tubérculos e coco, e a dieta dos aché comsistia principalmente de carne de caça, mandioca, amendoins, milho e arroz.

Isso foi confirmado em 2008 com um estudo que observou o efeito de uma dieta de baixo índice glicêmico sobre a acne [2]. Os pesquisadores estavam observando a composição do óleo da pele, e como ela é afetada pela dieta: o efeito de uma dieta de baixa carga glicêmica sobre a acne vulgaris e a composição dos ácidos graxos nos triglicérides da superfície da pele.

O que os pesquisadores queriam saber era se a composição do óleo seria alterada por uma dieta de glicemia baixa. Eles também mediram a "produção de sebo", ou quanto óleo a pele estava produzindo em dietas diferentes. Uma dieta de baixa glicemia, apesar de não tão baixa quanto a recomendada nesse site, foi dada a 31 pacientes por 12 semanas, e os resultados comparados aos de um grupo que comeu uma dieta normal de alto índice glicêmico.

Aqui está o que encontraram: os sujeitos na dieta pouco glicêmica tiveram uma quantidade menor de ácidos graxos monoinsaturados, comparados aos saturados no óleo da sua pele, do que os sujeitos que comeram uma dieta muito glicêmica.

Mais importante, sua pele produziu menos óleo e tiveram menos espinhas!

O tratamento para acne, por conseguinte, consiste de adotar uma dieta LCHF. Isso funciona tão bem para tratar a acne em adultos quanto para prevenir na adolescência.

Tipicamente as pessoas veem resultados dramáticos em cerca de 4 semanas.

Referências



  1. Cordain L, Lindeberg S, Hurtado M, et al. Acne Vulgaris: A Disease of Western Civilization. Arch Dermatol2002; 138: 1584-1590.
  2. Smith RN, Braue A, Varigos GA Mann NJ. The effect of a low glycemic load diet on acne vulgaris and the fatty acid composition of skin surface triglycerides. J Dermatol Sci 2008; 50: 41-52 Pages 41-52

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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