Dieta com pouca gordura é a maior causa de pedras na vesícula

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

Gordo e quarentão. Esta é a percepção geral de alguém com pedras na vesícula. Por esta razão as pedras, frequentemente encontradas em pessoas obesas, são usualmente atribuídas a uma dieta rica em gorduras. De fato este é o oposto da verdade: cálculos biliares são causados por comer gordura de menos, e não demais.

Gorduras não são solúveis em água. Antes que a gordura dietária possa ser digerida, ela precisa ser emulsificada. A bile é usada para tal propósito. O fígado produz bile continuamente e a armazena na vesícula biliar até que chegue o momento em que ela é necessária. Entretanto, se uma dieta pobre em gorduras é consumida, a bile permanece na vesícula.

As pedras são formadas quando a vesícula não é esvaziada regularmente. Em pessoas que continuamente praticam dietas low-fat, a bile fica armazenada por longos períodos – e estagna. Com o tempo – e é um tempo realmente curto – um "lodo" começa a formar-se. Ele então coagula e forma pequenos cálculos que então crescem. A velocidade com a qual isso acontece foi dramaticamente demonstrada em um estudo em diversos hospitais universitários americanos [1]. Nenhum dos sujeitos tinha quaisquer sinais de doença da vesícula no início do estudo. Entretanto, após apenas 8 semanas de dieta low-fat, mais de 25% tinha desenvolvido pedras. Quando foram alimentados por via intravenosa, metade desenvolveu o "lodo" na vesícula após 3 semanas, e todos o tinham após 6 semanas. Aproximadamente metade daqueles que desenvolveram o lodo também formaram cálculos biliares.

Não perca o café da manhã


Pular o café da manhã também aumenta o risco de pedras na vesícula. Em um estudo com mulheres francesas que tinham cálculos, foi descoberto que elas jejuavam em média 2 horas a mais durante a noite que mulheres sem a doença [2].

Um estudo também mostrou que a gordura abdominal, e não a gordura corporal em geral, também aumenta o risco de cálculos [3]. Não é surpresa porque ela é um indicador de síndrome metabólica, e também causada pela ingestão de uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras.

A dor que alguém com pedras na vesícula sente é quando estas passam através do ducto biliar com a bile, em resposta a uma refeição gordurosa, e ficam presas. A bile é então incapaz de chegar ao intestino, levando à cólica biliar e seus sintomas relacionados: digestão ruim, inchaço, eructação (arrotos), flatulência, náusea, vômitos e às vezes, icterícia.

Então, é uma dieta pobre em gorduras que causa as pedras, mas comer uma dieta rica em gorduras é que as faz aparentes. Se você comer uma dieta low-fat e nunca mais comer gordura novamente, não vai sentir dor ainda que as pedras estejam lá. O médico que diz que as pedras na vesícula são causadas por excesso de gordura está na prática dizendo que os sintomas são causados pela gordura.

Se alguém sofre de cálculo biliar, uma dieta low-fat "evita" os sintomas, então os médicos frequentemente sugerem tal dieta. Mas ela piora a causa dos sintomas. Os médicos são frequentemente relutantes em operar e remover as pedras, então simplesmente evitar que você saiba sobre elas parece ser um bom compromisso – apesar do fato de que você vai então sentir-se mal e faminto, como resultado!

Referências


  1. Liddle RA, et al. Gallstone formation during weight-reduction dieting. Arch Intern Med. 1989; 149: 1750-53. 
  2. Heaton KW. Breakfast — do we need it? Report of a meeting of the Forum on Food and Health, 16 June 1989. J R Soc Med 1989; 82: 770-1. 
  3. Tsai C-J, Leitzmann MF, Willett WC, Giovannucci EL. Prospective study of abdominal adiposity and gallstone disease in US men. Am J Clin Nutr 2004; 80: 38—44.


Eu procurei o texto completo da referência 2, para entender exatamente como foi feito o estudo que apontou – em última análise – o jejum intermitente como fator de risco para os cálculos biliares. 

O estudo está aqui, e fala que o conteúdo da alimentação de cada uma das 94 pessoas testadas foi registrado – mas não fala nada sobre qual era esse conteúdo, apenas sobre o tempo médio de jejum. 

Eu gostaria de ter dados mais precisos, ou de ver o experimento repetido com dietas controladas, jejum + low-fat, jejum + low-carb, sem jejum + low-fat, sem jejum + low-carb.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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