Jejum intermitente e Dieta Cetogênica, eficientes na terapia contra o câncer

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.





Restrição Calórica (CR) e dieta cetogênica (KD) tem como alvo os mesmos caminhos moleculares que também são endereçados individualmente por drogas que melhoram o resultado de tratamento de cânceres. As setas indicam ativação, linhas truncadas indicam inibição. A restrição de carboidratos (CHO) regula positivamente a oxidação de ácidos graxos e a cetogênese (benéfica para tecidos normais) e prejudica a glicólise e a glutaminólise (prejudiciais às células tumorais). O estudo completo está aqui.

Comentários do Editor da Health Impact News


Uma das verdadeiramente excitantes novas fronteiras da terapia nutricional é o estudo de dietas cetogênicas ricas em gorduras e pobres em carboidratos, especificamente em relação à prevenção e cura do câncer. O uso terapêutico da dieta cetogênica não é novidade. Ela tem sido usada no mínimo desde 1920, quando pesquisadores na Universidade Johns Hopkins descobriram que a dieta podia curar algumas crianças de ataques epiléticos, quando as drogas falhavam.

Em 2013 nós publicamos algumas histórias frisando o valor da dieta cetogênica para pacientes com câncer:




Muitos desses estudos estão observando não apenas a dieta cetogênica, mas também o conceito de jejum intermitente ou restrição calórica. Esses são aspectos benéficos para estudar, pois geralmente não podem ser reproduzidos por drogas.

Há indicações de que a maneira como a dieta cetogênica produz corpos cetônicos, ou o "efeito cetogênico", está sendo estudada de maneira a gerar produtos farmacêuticos (drogas ou vacinas) que podem imitar o mesmo efeito. Com anos de experiência documentados no uso da dieta cetogênica com crianças epiléticas, uma das reclamações mais comuns é que a dieta é difícil de se aderir, pois as crianças precisam se abster de carboidratos refinados e doces típicos da infância tais como bolos e balas. O raciocínio é que uma droga tornaria a vida mais suportável ao invés de seguir uma dieta tão restrita.

Eu estou bastante otimista com esse estudo recente, publicado em janeiro/2014, que observa a dieta cetogênica e o jejum intermitente como terapia nutricional adjunta a ser administrada em paciêntes de câncer que se submetem a tratamento radiológico padrão no tratamento da doença. O estudo provê "intervenões dietárias" para serem usadas junto com a radioterapia. Entretanto, esse não é realmente um estudo que leve, por si, ao desenvolvimento de drogas farmacêuticas. Entretanto, os médicos alopáticos vão considerar seriamente uma dietoterapia rigorosa ?

É claro, há muitas terapias de câncer que são efetivas e não-tóxicas, mas elas não são cobertas pelos planos de saúde nos EUA, e a maioria deles não é aprovada pela FDA, então é necessário cruzar a fronteira do México ou viajar para algum outro país, para receber as melhores terapias não-tóxicas contra o câncer. (Veja: Câncer – As curas proibidas e Por que a medicina não vai permitir que o câncer seja curado)

Calorias, carboidratos e radioterapia: explorando os cinco R através da manipulação dietária


Janeiro de 2014

Resumo

Tumores agressivos tipicamente demonstram uma alta taxa glicolítica, o que resulta em resistência à terapia radioativa e na progressão do câncer via diversos mecanismos moleculares e fisiológicos. Intrigantemente, muitos desses mecanismos utilizam os mesmos caminhos moleculares que são alterados através da restrição de calorias e/ou carboidratos. Além disso, prognósticos piores em pacientes de câncer que apresentam fenótipo glicolítico caracterizado por alterações metabólicas, tais como obesidades e diabetes, estão agora bem estabelecidos, provendo outra ligação entre caminhos metabólicos e progressão do câncer. Nos revisamos os possíveis papéis da restrição calórica (CR) e dietas cetogênicas muito pobres em carboidratos (KD) na modulação dos cinco R da radioterapia, para melhorar a janela terapêutica entre controle tumoral e probabilidade de complicações do tecido normal. Mecanismos importantes que discutimos incluem:


  1. melhoria do reparo do DNA em células normais, mas não em células tumorais
  2. inibição da repopulação de células tumorais através da modulação do caminho PI3K-Akt-mTORC1, que se segue à insulina e IGF-1
  3. redistribuição das células normais em fases do ciclo celular mais resistentes à radiação
  4. normalização da vasculatura do tumor ao atacar o HIF-1 alfa abaixo do caminho PI3K-Akt-mTOR
  5. aumento da radioresistência intrínseca das células normais através dos corpos cetônicos, mas diminuição da das células tumorais ao endereçar a glicólise
Estes mecanismos são discutidos com base em estudos em humanos e animais, levando em consideração as diferenças e  pontos comuns entre CR e KD. Concluímos que CR e KD podem agir sinergisticamente com a radioterapia no tratamento de paciêntes de câncer, e prover algumas diretrizes para implementar tais intervenções dietárias na prática clínica.



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2 comentários

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16 de junho de 2014 09:19 ×

Caro Hilton,
sou iniciante nesse modo de vida, low carb Paleo, por isso tenho algumas dúvidas. Você poderia elencar quais os erros mais comuns que um iniciante da dieta Paleo low carb comete?

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Teimosia
admin
16 de junho de 2014 09:48 ×

Olá, Fábio

Os erros mais comuns:

1 - Não conhecer a teoria por trás. Sem ela, o seu julgamento do que é e do que não é bom comer, fica falho. Leia, leia muito sobre o assunto. Comece aqui: http://www.paleodiario.com/2013/11/lchf-para-iniciantes.html
Leia tudo o que achar no blog do Dr. Souto, aqui, no PrimalBrasil, etc. Vai tomar tempo, mas vale a pena.
2 - Açúcar escondido. O ideal é evitar produtos industrializados, mas se não tiver jeito, sempre confira os teores de carboidratos nos rótulos
3 - Não perder o medo da gordura. Os humanos comeram gorduras naturais, sem medo, por quase 2 milhões de anos...
4 - Achar que frutas estão liberadas por serem naturais. Não deixe de comê-las, mas fique de olho na quantidade...
5 - Achar que tem que se matar de fazer exercícios aeróbicos para perder peso. Se você está levando a dieta a sério, o peso vai sumir sozinho. Procure fazer exercícios de força, sem exagerar demais: http://www.paleodiario.com/2013/10/um-plano-de-malhacao-tao-simples-que-um.html
6 - Não fique se estressando com o seu peso. Em alguns dias, ele vai cair. Em outros dias ele vai subir um pouco. Na média, é sempre para baixo. Não confie apenas na balança: tenha uma fita métrica e meça a sua barriga na altura do umbigo. Vá anotando, faça uma planilha...

No mais, boa sorte!

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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