Comitê Sueco de Experts: uma dieta low-carb é mais efetiva para perda de peso

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Andreas Eenfeldt, 23/09/2013


Sumário e conclusões
Tratamento dietário para a obesidade
Uma revisão sistemática da literatura

Qual dieta é mais efetiva para a perda de peso ?

Esse pode ser ser um dia histórico para a Suécia. Hoje tornou-se oficial. Após mais de 2 anos de trabalho, um comitê de experts sueco publicou a investigação especializad Tratamento dietário para a obesidade (traduzido do sueco pelo Google).

Esse relatório da SBU (Conselho Sueco para Avaliação da Tecnologia da Saúde) provavelmente será a base para diretrizes dietárias futuras para tratamento da obesidade dentro do sistema de saúde sueco.

O sistema de saúde tem aconselhado, há muito tempo, a evitar a gordura e as calorias. Uma dieta low-carb (tal como LCHF) tem sido frequentemente descartada como uma dieta da moda sem fundamento científico. Chegou a hora de ampliar o conhecimento nessa área.

De acordo com a SBU, a única diferença clara entre as diferentes recomendações dietárias é vista durante os primeiros 6 meses. Aqui, uma dieta pobre em carboidratos, como LCHF, é claramente mais eficiente do que o aconselhamento atual.

De "dieta da moda" a "melhor no teste".

Aqui estão algumas passagens do relatório:

Marcadores de saúde



Além da melhoria dos marcadores de saúde em dietas de baixo carboidrato, de acordo com o SBU você vai ter:

... um maior aumento no HDL (o "colesterol bol") sem ter efeitos adversos no LDL (o "colesterol ruim"). Isso aplica-se tanto à ingesta moderada de menos de 40% de carboidratos da energia total, quanto à abordagem mais estrita do low-carb, na qual a ingesta de carboidratos responde por menos de 20% da energia total. Além disso, a dieta low-carb mais estrita vai levar a níveis de glicose melhorados para indivíduos com obesidade e diabetes, e diminuir marginalmente os níveis de triglicérides.

Então, todos os marcadores de saúde importantes melhoraram ou não se alteraram em uma dieta low-carb mais estrita. Exatamente como uma revisão internacional de toda a literatura na área mostrou ano passado:


Incerteza a longo prazo


Estudos de longo prazo não mostram diferenças estatísticas significativas entre as diferentes dietas, e as diferenças decaem com o tempo. O SBU sugere que isso é por causa da aderência decrescente das pessoas ao longo do tempo. As pessoas simplesmente tendem a voltar aos velhos hábitos.

Quanto mais estudos adicionamos, melhor podemos ver a vantagem clara de dietas low-carb. Infelizmente, o SBU excluiu todos os estudos que examinam pessoas obesas e com sobrepeso. Se você incluir estudos sobre perda de peso, nos quais pessoas com sobrepeso estão incluídas - para conseguir uma base científica maior - uma clara vantagem para a dieta low-carb é vista ano após ano.


Um estudo bem projetado, que pela mesma razão acima, foi descartado do relatório da análise do SBU, ainda mostra uma vantagem persistente de dietas LCHF (Atkins) após dois anos, apesar da dificuldade com tais estudos dietários de longo prazo.

Para o efeito de longo prazo, se você se mantiver em dieta low-carb estrita, há apenas casos anedóticos sobre peso e níveis de colesterol.

Atividade física


O SBU também mata a idéia de que o exercício desempenha papel importante na perda de peso. Exercício pode ser muito bom para a saúde, mas:

Revisões sistemáticas da literatura mostram que a adição de atividade física à intervenção dietária para indivíduos com obesidade tem, se é que tem, um efeito marginal na perda de peso do ponto de vista do grupo.

O efeito do exercício no peso em estudos é, em outras palavras, marginal ou inexistente. Exatamente como você leu aqui.

Alertas contra LCHF descartados


Há uma grande falta de conhecimento atualmente sobre quais diretrizes dietárias são melhores para a saúde a longo prazo. Nós simplesmente não sabemos.

Alertas recentes contra dietas low-carb são, no máximo, baseados em associações estatísticas derivadas de questionários alimentares de pessoas que não (!) seguiam uma dieta low-carb. O SBU também descarta essas preocupações:

A maioria desses estudos sofre de deficiências, o que as torna difíceis de interpretar. A deficiência mais proeminente nesses estudos é que é frequentemente impossível determinar se aqueles com a ingesta mais baixa estão conscientemente comendo uma dieta low-carb moderada por motivos de saúde, ou se eles são grandes consumidores de fast-food.

A proporção de carboidratos, gorduras e proteínas, que em tais estudos é imaginativamente rotulada de "dieta low-carb", é geralmente muito similar à distribuição de macronutrientes em um hamburguer com fritas e refrigerante...

Rumo ao futuro


Quais serão as consequências do relatório de hoje ?

O aconselhamento por dieta pobre em carboidrato é entretanto muito raro, se olharmos as pesquisas de práticas de médicos. Não é claro o quão comum é ativamente desencorajar pacientes de fazer dietas low-carb estritas. Uma dieta pobre em carboidratos, mesmo forma mais estrita, vai levar a maior perda de peso no curto prazo do que uma dieta pobre em gordura, e estudos não indicaram efeitos adversos em lípideos sanguíneos, dado que o peso permaneça baixo. Uma possível consequência desse relatório vai então ser o aumento no uso de uma dieta low-carb estrita para perda de peso a curto prazo.

A SBU vai sempre se expressar com muito cuidado. Mas isso não poderia ser dito de maneira mais clara. É passada a hora de o sistema de saúde pública levar a sério o aconselhamento de LCHF para perda de peso!

Isso também é interessante:


... não é possível tirar quaisquer conclusões sobre as relações entre uma dieta de baixo carboidrato - independente do conteúdo de gordura - e doença cardiovascular. Aqui poderíamos aplicar o princípio precautório, e aconselhar alguma restrição na ingesta de gordura saturada, pois a documentação que temos sobre efeitos de longo prazo é inadequada.

Muitos trabalhadores da saúde irão sem dúvida (e sem nenhuma razão melhor que pré-concepções) ficar cautelosos sobre aconselhamento dietário sobre mais gordura saturada. Eu mesmo já tive medo de gordura saturada.

Acho que a SBU está mantendo uma atitude razoável aqui, já que não é mesmo necessário aconselhar um monte de gordura saturada para uma dieta com baixo carboidrato. Você pode comer até mesmo uma dieta de baixo carboidrato estrita, enfatizando gorduras insaturadas. Já se mostrou, em estudos, que isso é efetivo:


Seria maravilhoso se o sistema de saúde começasse a aplicar os benefícios de uma dieta pobre em carboidratos, mesmo antes que o antiquado medo da gordura desapareça mundo afora.

O relatório da SBU para o tratatamento dietário da obesidade é um passo gigantesco no sentido de diretrizes mais eficazes no sistema de saúde. Esse é um dia histórico na Suécia.

Cobertura da mídia

Hoje as notícias criaram um frenesi na mídia sueca, traduzida aqui pelo Google:


Mais sobre o relatórido do SBU sobre o Tratamento Dietário da Obesidade:


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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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